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sábado, 5 de julho de 2014

GREGOS COM DEFICIÊNCIAS NADAM GRAÇAS A CADEIRA A ENERGIA SOLAR



Dispositivo Seatrac permite que pessoas entrem e saiam do mar sozinhas. Equipe tenta vender aparelho a Croácia, França, Emirados Árabes e Israel.
Pessoas com deficiências físicas podem nadar sozinhas na Grécia graças a uma cadeira movida a energia solar desenvolvida por uma equipe de cientistas. O dispositivo Seatrac permite que os indivíduos entrem e saiam da água de forma autônoma, por meio de um trilho que os leva até o mar e os traz de volta à areia.

O aparelho foi criado em 2008 e protegido por leis de patente europeias e americanas. Ele opera sobre um mecanismo de controle fixo, que permite que até 30 cadeiras de rodas sejam movidas diariamente para dentro e fora do mar.

 Atualmente, 11 dispositivos Seatrac estão instalados na Grécia, um país com milhares de ilhas e uma das maiores costas do mundo. Os pesquisadores tentam agora expandir o negócio: o produto já foi exportado para o Chipre, e há negociações com países como Croácia, França, Emirados Árabes Unidos e Israel.

Os criadores do dispositivo também se beneficiaram do clima da Grécia, onde faz sol quase o ano todo, mas ainda há pouca acessibilidade para pessoas com deficiência. Além disso, o Seatrac pode ser configurado facilmente em praias sem rede elétrica e desinstalado ao fim da temporada, sem danos para o meio ambiente.

A equipe espera que o aparelho impulsione o turismo no Mediterrâneo, o setor mais lucrativo da região. Os cientistas lamentam, porém, a falta de apoio das autoridades locais, que compraram o dispositivo por R$ 90.810 cada, e são responsáveis pela manutenção após o primeiro ano de uso.

Paralisado da cintura para baixo, o mecânico Lefteris Theofilou, de 52 anos, passou quase metade da vida ligado a uma cadeira de rodas. Ele lembra como se fosse um sonho a primeira vez que a cadeira movida a energia solar lhe permitiu nadar sozinho no mar grego, em uma noite quente de verão.

Ele se sentou na cadeira e, ao apartar um botão, subiu nela sem ajuda e andou 20 metros pela costa até a água.

"Temos milhares de praias, as mais belas do mundo, e ainda assim não somos capazes de nadar nelas? Isso faz você se sentir livre e capaz de coisas que não poderia imaginar que faria em seu próprio país", disse. "Esses caras criaram uma coisa incrível, e ainda tropeçamos em problemas do Estado. Esse é o desleixo do Terceiro Mundo", afirmou
Theofilou.

O engenheiro Ignatios Fotiou, um dos inventores do Seatrac, comparou a falta de apoio do governo à "construção de um apartamento de cobertura sem um edifício embaixo
dele".

Em uma praia movimentada na cidade costeira de Alepochori, perto de Atenas, vandalismo e roubos de painéis solares são comuns. Se alguma coisa quebra, os moradores dizem que pode levar dias para o município corrigir o problema, o que às vezes é adiado ainda mais por trabalhadores em greve. Muitas vezes, adolescentes também usam a máquina como trampolim de mergulho.

O grego Minas Georgakis – cuja mulher, Matoula Kastrioti, de 46 anos, sofre de esclerose múltipla e está em uma cadeira de rodas – disse que precisou tomar o assunto nas próprias mãos, porque a ajuda da administração local "simplesmente não existe".

Com pranchas de madeira, ele construiu uma rampa adicional para permitir o acesso ao Seatrac, já que as cadeiras de roda convencionais não podem ser conduzidas sobre a areia. Mesmo assim, o caminho que leva até o dispositivo é frequentemente bloqueado por motocicletas estacionadas e lixo não recolhido.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

MÚSCULO: O HERÓI DESCONHECIDO



Saiba um pouco mais da estrutura que o Fisioterapeuta tanto trabalha
Músculo. Quando ouvimos essa palavra, vem-nos logo à mente um corpo forte, capaz de levantar uma carga extraordinária de peso, fruto de horas de dor, suor e dedicação a exercícios duros e puxados. De qualquer modo, é impossível ignorar por completo a presença dessa massa que corresponde a aproximadamente um terço do nosso peso.
Revestindo o esqueleto e coberto de pele e de camadas de gordura, os músculos também dão forma e definição ao corpo, conforme aparecemos na foto, o nosso visual. Mas, apesar disso, os músculos não recebem a devida atenção dos seus proprietários. São vistos apenas superficialmente, de forma simples, estética, fútil e leviana.
Quando comparada a complexos órgãos e sistemas do organismo, a função muscular parece arcaica e rudimentar, especialmente nos nossos dias, em que há máquinas e ferramentas capazes de realizar trabalhos braçais variados.
Todos que desfrutamos de uma vida saudável devemos prestar homenagem ao músculo, esse herói desconhecido que batalha a vida inteira não só para que realizemos obras, mas também tenhamos liberdade com saúde e bom humor.
Por trás das aparências, a importância fisiológica do tecido muscular para o corpo e a sua contribuição para o nosso equilíbrio físico e emocional, ultrapassa os limites anatômicos. Olhar além da imagem estereotipada e reconhecer a importância do músculo, ajuda, por exemplo, a compreender melhor o nosso metabolismo e a concluir a respeito da alimentação ideal e o tipo de atividade física mais apropriada para um estilo de vida saudável. Vamos procurar entender como esse maravilhoso motor biológico funciona, e compreender a verdadeira capacidade desse tecido super influente e representativo para todo o organismo.

Um veículo maravilhoso
Uma série de reações fantásticas ocorre no corpo humano para que ele goze do privilégio de se locomover. Nenhuma outra função no organismo demanda maior atenção do que o seu deslocamento, e, portanto, os músculos requerem enorme assistência nutricional, vascular, nervosa, sanguínea, endócrina e enzimática.
A nossa locomoção representa uma atividade metabólica muitíssimo superior a qualquer outra no organismo. Isso significa que, para exercer a sua função, os músculos necessitam de consumir e armazenar mais água, oxigênio e nutrientes do que qualquer outro tecido do corpo. Para melhor compreender esse processo, devemos estar familiarizados com a função do cérebro em relação aos músculos e com todos os órgãos e sistemas do organismo.
Entre o cérebro, sangue, neurónios e músculos funciona uma verdadeira engenharia biológica que a maioria de nós desconhece ou não aprecia. São maravilhosas reações elétricas, químicas e mecânicas que finalmente nos possibilitam locomover livremente, literalmente à vontade. É a oportunidade de apreciarmos o cérebro em ação. Direta ou indiretamente, todos os órgãos e sistemas do corpo humano trabalham para que os músculos possam exercer o direito fisiológico do cidadão de ir e vir.
O organismo “acostumado” com o desafio fisiológico promovido pela atividade dinâmica, não só desenvolve a sua musculatura, mas também, uma maior capacidade de armazenar energia – resistência.

A importância do efeito locomotor
Para funcionar como deve ser, o nosso organismo necessita regularmente do efeito locomotor: ele precisa passear. A qualidade das nossas complexas atividades autônomas depende de um estímulo voluntário que determine as simples contrações musculares ritmadas. Assim reza a fisiologia: do corpo que pulsa, emana saúde. A atividade muscular dinâmica é a mais importante determinante da qualidade de vida. O fato do tecido muscular raramente desenvolver as patologias que normalmente afetam de forma aguda outros tecidos, como o infarto, derrame ou mesmo cancro, pouco despertou interesse por parte das áreas de saúde no passado.
O desconhecimento das propriedades fisiológicas da musculatura esquelética tem contribuído para a perpetuação de graves problemas que desenvolvem doenças decorrentes do mau funcionamento do nosso organismo. Todos sabemos que, se o miocárdio repousar durante pouco mais do que alguns segundos, como numa paragem cardíaca, o organismo poderá sofrer graves consequências irreversíveis. No entanto, o que pode acontecer com o organismo que pouco utiliza a sua musculatura esquelética?
À primeira vista, podemos logo observar um ligeiro aumento de peso, o que reflete o excesso de gordura corporal. Esse excesso, no entanto, não escolhe lugar para acumular e o próprio tecido muscular torna-se vítima desse ciclo vicioso. O acúmulo de gordura no tecido muscular provoca a inibição do transporte de glicose para o interior das suas fibras, as maiores consumidoras de açúcar de todo o corpo. Como consequência, tem início a intolerância glicêmica, com o aumento da produção e da secreção de insulina, que vão gerar a diabetes do tipo 2, macro doença crónica capaz de envolver todo o organismo, pelo resto da vida.
Pagamos um preço elevadíssimo ao negligenciarmos o imenso poder do efeito locomotor. Por trás das suas inocentes contrações, os músculos são capazes de gerar uma sequência de poderosas reações instantâneas, além de diversos efeitos crônicos em todo o organismo.

A lei da falta de uso
Para o nosso corpo, a simples contracção muscular dinâmica é uma atividade holística, essencial para a sua saúde, e que determina o seu grau de degeneração conforme envelhecemos.
Até aproximadamente os dez ou doze anos de idade, a maturação do sistema nervoso central favorece o desenvolvimento motor natural das crianças de ambos os sexos, não havendo diferenças significativas de força entre elas. No entanto, após essa idade, os meninos tornam-se continuamente maiores e mais fortes, devido à maior secreção hormonal da testosterona no sexo masculino.
Em adultos com o peso ideal, a massa muscular corresponde entre 25 a 35% do peso total na mulher, e entre 40 e 45% nos homens. A capacidade máxima de força dos rapazes é atingida por volta dos vinte anos de idade, quando passa a sofrer um declínio gradual. Com o envelhecimento, a redução da quantidade de motoneurônios é responsável pela redução do número de fibras musculares, a sarcopenia. Sendo assim, apesar de manter a mesma qualidade individual de contração, aos 65 anos de idade, um indivíduo terá entre 75 e 80% da força de que dispunha na sua juventude.
Além dos empecilhos diretamente causados pela sarcopenia na locomoção, a saúde do idoso também se encontra prejudicada pela ausência efetiva do efeito locomotor em todo o organismo.
O grau de envolvimento e a velocidade de desenvolvimento da sarcopenia dependem profundamente da qualidade de vida.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

MÚSCULO ARTIFICIAL DE CARBONO E CERA


Material desenvolvido no Texas, com a participação de brasileiros, tem capacidade para erguer até 100 mil vezes o seu próprio peso
Um "músculo artificial", feito de nanotubos de carbono revestidos com cera, 85 vezes mais forte que um músculo humano, é a última novidade no ramo da nanotecnologia, apresentada hoje na revista Science. O material, com capacidade para erguer até 100 mil vezes o seu próprio peso, foi desenvolvido na Universidade do Texas em Dallas (EUA), em parceria com pesquisadores brasileiros, australianos, canadenses, chineses e sul-coreanos.

A invenção, apesar do nome, não se parece com um bíceps humano. O termo "músculo artificial" se refere à capacidade do material de mudar de forma quando estimulado e produzir força por meio da contração de filamentos - semelhante ao que ocorre num músculo humano, quando as fibras do bíceps se contraem para mover o braço, estimuladas pelos nervos.

O material desenvolvido em Dallas é essencialmente uma fibra retorcida de nanotubos de carbono revestidos com parafina. As inovações estão na estrutura helicoidal da fibra, que lhe permite aplicar forças lineares e rotacionais a um objeto quando contraída, e no fato de que essa contração pode ser induzida simplesmente por um estímulo térmico, produzido por uma corrente elétrica ou luminosa.

Vários vídeos demonstrativos, divulgados com o trabalho na Science, mostram o "músculo" sendo contraído para erguer objetos, movimentar hélices e até para acionar uma pequena catapulta. Imagine algo como um fio de lã (só que muito mais fino e forte) pendurado ao teto com um peso na ponta. Quando o fio é aquecido por meio de uma lâmpada incandescente ou de uma corrente elétrica, o calor faz instantaneamente com que ele se torça e diminua de comprimento, levantando o peso. E assim que a luz ou a eletricidade é desligada, ele "relaxa" de novo, podendo repetir o processo milhões de vezes sem sofrer danos.

"Combinamos as propriedades térmicas da cera com as propriedades mecânicas dos nanotubos de carbono", explica o engenheiro brasileiro Márcio Dias Lima, que faz pós-doutorado no Instituto de Nanotecnologia da universidade texana e é um dos autores principais do trabalho.

Propriedades. A vantagem dos nanotubos é que eles são extremamente leves, fortes e resistentes - proporcionalmente, cem vezes mais fortes que o aço. A vantagem da cera é a sua capacidade de expansão térmica - o movimento do "músculo" ocorre porque a cera expande quando aquecida e retorna ao seu formato original quando resfriada, causando contração e relaxamento da fibra.

Modelos anteriores de músculos artificiais precisavam estar imersos em algum tipo de solução eletroquímica para serem estimulados, o que limitava seriamente seu leque de aplicabilidades. "A gente até brincava que os robôs do futuro teriam de beber para conseguir andar", diz o pesquisador Douglas Galvão, do Departamento de Física Aplicada da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele foi um dos responsáveis pelo trabalho de modelagem da pesquisa, em parceria com seu aluno Leonardo Machado e o professor Alexandre Fonseca, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru.

O material ainda pode ser melhorado, mas já é comercialmente viável e funcional para aplicações em pequena escala, que não necessitam de grandes quantidades de fibra - já que um dos principais desafios do setor ainda é produzir nanotubos de carbono em escala industrial.

A lista de possíveis aplicações tecnológicas permeia diversas áreas, como a biomedicina, a robótica, o setor têxtil, energético, automotivo e aeroespacial. As fibras, por exemplo, poderiam ser substitutos leves e resistentes para uma série de sistemas mecânicos, rígidos e pesados, usados como "atuadores" em veículos, aeronaves e robôs. Ou como base para tecidos e membranas inteligentes, capazes de se adaptar automaticamente a mudanças nas condições do ambiente.

Há muito interesse também em aplicações militares, tanto que os dois principais financiadores da pesquisa nos EUA foram a Força Aérea e a Marinha.

Uma possibilidade tentadora, inspirada no nome do produto, seria desenvolver enxertos capazes de recuperar - ou até substituir - músculos humanos de verdade, para aplicações ortopédicas em vítimas de trauma ou doença. Lima, porém, diz que isso não é possível por enquanto.

"O problema é que você precisa aquecer a fibra a temperaturas acima do tolerável pelo organismo", diz. "Para uso em próteses robóticas, porém, é algo totalmente viável."

O próximo desafio da equipe, segundo ele, é justamente desenvolver uma fibra que não precise ser aquecida para funcionar - estimulada por vias químicas, por exemplo - e com uma resistência mecânica ainda maior.

A brasileira Mônica de Andrade também assina o trabalho pelo Instituto de Nanotecnologia da Universidade do Texas.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

EXOESQUELETO ROBÓTICO DÁ INDEPENDÊNCIA A PESSOAS COM PARALISIA



O sonho de reconquistar a capacidade de se levantar e caminhar está mais perto da realidade para pessoas paralisadas da cintura para baixo que acreditavam que nunca andariam novamente.
Robôs de vestir

O sonho de reconquistar a capacidade de se levantar e caminhar está mais perto da realidade para pessoas paralisadas da cintura para baixo que acreditavam que nunca andariam novamente.

Uma equipe de engenheiros da Universidade de Vanderbilt (EUA) desenvolveu um exoesqueleto motorizado que permite que pessoas com lesões graves na medula espinhal fiquem de pé, andem, sentem-se e subam escadas.

O exoesqueleto robótico é leve, compacto e possui um design modular que promete dar aos usuários um grau de independência sem precedentes.

Até recentemente "robôs de vestir" eram coisa de ficção científica.

Nos últimos 10 anos, contudo, os avanços na robótica e nas tecnologias de microeletrônica, baterias e motores elétricos avançaram a um ponto que se tornou prático desenvolver exoesqueletos para ajudar pessoas com deficiência e idosos com dificuldades motoras.

Assistência robótica

Estes aparelhos funcionam como um esqueleto metálico externo, presos firmemente ao redor do tronco.

Suportes rígidos são amarrados às pernas, do quadril até os joelhos, e dos joelhos até os pés.

As articulações do quadril e joelho são movidas por motores elétricos controlados por computador, e alimentados por baterias.

Pacientes com paralisia podem usar o aparelho robotizado com o auxílio de um andador ou de muletas para manter o equilíbrio.

A intensidade da assistência robótica ajusta-se automaticamente para usuários que têm algum controle muscular em suas pernas, o que lhes permite utilizar os próprios músculos durante a caminhada.

Assim, idosos podem usar apenas o exoesqueleto. Quando o usuário está totalmente paralisado, o aparelho faz todo o trabalho.

Estimulação elétrica funcional

Já existem outros exoesqueletos robóticos sendo comercializados, mas este é o primeiro robô portátil a incorporar uma tecnologia comprovada de reabilitação, chamada estimulação elétrica funcional.

A estimulação elétrica funcional aplica pequenos impulsos elétricos nos músculos paralisados, fazendo-os contrair e relaxar.

A técnica pode melhorar a força nas pernas de pessoas com paraplegia incompleta. Para os paraplégicos completos, a estimulação elétrica pode melhorar a circulação, alterar a densidade óssea e reduzir a atrofia muscular.

A universidade licenciou o projeto para a empresa Parker Hannifin, que afirmou que a tecnologia do exoesqueleto permitirá que ele seja significativamente mais barato do que as unidades à venda atualmente, que custam por volta de US$140.000.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A OSTEOPOROSE PODE AFETAR CRIANÇAS



A osteoporose é uma doença predominantemente de idosos, mas pode acometer jovens e até crianças, devido a doenças metabólicas e utilização de medicamentos que provoquem a desmineralização dos ossos
Com o aumento da longevidade, avançaram os cuidados com a perda da densidade mineral óssea e consequente enfraquecimento dos ossos, que aumentam o risco de fraturas. "A osteoporose é uma doença predominantemente de idosos, mas pode acometer jovens e até crianças, devido a doenças metabólicas e utilização de medicamentos que provoquem a desmineralização dos ossos", afirma Gines Henrique Martines, ginecologista e gerente médico da Central Nacional Unimed. Segundo o especialista, homens também sofrem de osteoporose, embora "suas consequências e gravidade nas mulheres sejam maiores devido à menopausa, quando a produção de estrógenos sofre uma redução drástica. Esse hormônio tem o papel de carreador e de fixador do cálcio na matriz óssea."

Como tratar

A osteoporose deve ser tratada a partir do diagnóstico firmado, mas hoje o grande objetivo médico é a prevenção de sua instalação, observa Martines. Nas mulheres, isso é mais facilmente obtido com a reposição hormonal e o emprego de substâncias como o alendronato, que substituem o estrogênio em levar e fixar o cálcio nos ossos. Exercícios físicos regulares, hábitos alimentares e exposição ao sol podem ajudar muito a postergar a instalação da doença.

"Nas mulheres, o principal tratamento é preventivo, pela reposição hormonal monitorada no climatério. Isso só é possível por um período máximo de 10 anos, sendo obrigatória a realização anual de exames preventivos de cânceres ginecológicos, que podem ser potencializados pelo uso do hormônio", explica Martines. Em idade mais avançada, são utilizadas substâncias carreadoras e o próprio cálcio sem a adição de hormônios.

Cuidados

A partir do início do envelhecimento, os ambientes devem ser adaptados, a fim de reduzir os riscos de quedas e de acidentes que provoquem fraturas. Pequenos bancos, tapetes, passadeiras, degraus e escadas velhas devem ser retiradas dos locais frequentados por idosos. Devemos guardar mantimentos e outros produtos de uso diários em locais acessíveis facilmente, para evitar o uso de bancos e de escadas.

Afinal, pequenas quedas podem ocasionar graves fraturas, principalmente de bacia e colo de fêmur. Essas fraturas têm correção cirúrgica, mas sua recuperação é demorada, com redução de mobilidade e consequentes morbidades que ocasionam grande numero de óbitos nessa faixa etária.

O principal instrumento de diagnóstico é o exame de Densitometria Óssea, de fácil realização, indolor e que consegue firmar diagnóstico precoce e ainda acompanhar evolução e eficácia do tratamento.

Mitos e verdades

• Quem não gosta de leite tem maior risco de desenvolver osteoporose. Mito. Uma das dicas de prevenção da doença é a ingestão mínima de cálcio necessário para manter os ossos saudáveis. São recomendados 1.200 mg por dia. Quem não gosta de leite, pode consumir outros laticínios, como queijo.

• A osteoporose não tem cura. Verdade. A osteoporose não tem cura, e seu tratamento deve ser feito por médicos especializados, capazes de orientar sobre medicamentos que estabilizem o quadro da doença ou melhorem a qualidade de vida do paciente. Isso significa evitar maiores complicações e reduzir significantemente o risco de fraturas.

• Quem tem osteoporose não pode praticar atividade física. Mito. Praticar exercícios físicos é essencial. Nesse caso, os exercícios devem ter impacto mínimo. Caminhada é a atividade mais recomendada.

• A osteoporose é uma doença feminina. Mito. Mulheres têm mais osteoporose que os homens, pois têm os ossos mais finos e mais leves e apresentam perda importante durante a menopausa. No entanto, homens com deficiência alimentar de cálcio e vitaminas estão sujeitos à doença. O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) criou o Programa de Osteoporose Masculina (PROMA), em março de 2004, com o objetivo de quantificar as vítimas da doença para tratá-las e estudar a sua incidência.

• A osteoporose é hereditária. Mito. Não basta o histórico familiar da osteoporose para que todos desenvolvam a doença. Mas é importante, sim, identificar se os pais são portadores de osteoporose. A vitamina D é mais eficiente na absorção do cálcio em algumas pessoas do que em outras, e essa característica é hereditária. Descendentes de pessoas com menor capacidade de absorção do cálcio no organismo e que tiveram osteoporose quando adultas têm maior probabilidade de contrair a doença. Mas bons hábitos alimentares podem mudar este quadro.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

PARALISIA E ESPASTICIDADE MUSCULAR PÓS-AVC MELHORA COM ACUPUNTURA



Pesquisadores concluíram que a acupuntura combinada com fisioterapia é eficaz para o tratamento pós-acidente vascular cerebral
Uma nova pesquisa conclui que a acupuntura é eficaz para o tratamento da espasticidade muscular e paralisia provenientes de Acidente Vascular Cerebral (AVC). A pesquisa foi publicada no Journal of Acupuncture and Tuina Science. Para os pesquisadores, a acupuntura e a eletroacupuntura têm sido métodos cientificamente comprovados para tal finalidade.

Os pesquisadores descobriram que a acupuntura efetivamente reduz a hemiplegia espástica, paralisia de um lado do corpo com espasmos musculares e dos tendões, em pacientes que sofreram um AVC. Os pesquisadores concluíram que a acupuntura combinada com treinamento de reabilitação é eficaz para o tratamento de pós-AVC e suas complicações.

Segundo o coordenador do curso de pós-graduação em acupuntura do IBMTC e presidente da Associação Brasileira de Acupuntura do Rio de Janeiro, Dr. Márcio De Luna, que é acupunturista há 29 anos, “esta pesquisa é consistente com outras pesquisas que demonstram os benefícios da acupuntura em pacientes que já tiveram um acidente vascular cerebral”.

Um estudo recente concluiu que a acupuntura estimula a proliferação de neurônios novos, chamada de neurogênese. Os pesquisadores descobriram que eletroacupuntura “exerce também um efeito neuroprotetor” e que a acupuntura ativa sinais extracelulares através uma importante via de comunicação de proteínas envolvidas na proliferação celular (ERK). Os pesquisadores concluíram que a acupuntura “melhora significativamente os déficits neurológicos e o infarto cerebral” em casos de lesões causadas por derrames ou acidentes vasculares cerebrais.

Outro estudo recente concluiu que “a evidência de estudos clínicos sugerem que a acupuntura no couro cabeludo (craniopuntura) pode produzir benefícios significativos para pacientes com HIC aguda (hemorragias intracerebrais).” Os pesquisadores observam que estudos confirmam que o couro cabeludo “tem efeitos rápidos e poderosos para remover paralisia de membros causada por infarto cerebral ou hemorragia cerebral”.

Segundo explica Dr. Luna, os pontos de acupuntura inibem significativamente a cascata de substâncias químicas endógenas inflamatórias que são liberadas após um acidente vascular cerebral. No estudo, os investigadores notaram que a acupuntura melhora as funções de coordenação e de neuroplasticidade, que é a compensação funcional entre as áreas lesionadas em pacientes com HIC.

sábado, 21 de junho de 2014

CRIANÇAS CEGAS SUPERAM MEDOS E DIFICULDADES PARA ANDAR SOZINHAS



O deficiente visual pode ter a postura curvada, por medo de bater em algo no caminho. Com a equoterapia, passa a andar com a coluna mais reta e a cabeça mais erguida.
Poliana de Abreu Brito, 7, chorava muito quando saía de casa, assustada com barulhos e movimentos. João Eduardo Jansen, 11, não podia chegar perto de animais e vivia com as costas curvadas. Pedro Bola, 7, tinha medo de andar e de tocar em objetos.

Os três, cegos desde o nascimento, superaram as dificuldades com atividades como equoterapia (terapia com cavalo), natação e balé.

Crianças cegas, claro, precisam de ajuda no dia a dia. Mas os esportes e a dança conseguem deixá-las mais seguras, inclusive para tentar se virar sozinhas. "Ela andava curvada e insegura, mesmo com a bengala [que usa para se guiar quando anda e descobrir se há algum obstáculo à frente]. Isso mudou desde que entrou no balé, há dois anos. Agora tem gente que pensa que ela enxerga!", conta Izabel, mãe de Poliana.

Assim como em outras atividades, o toque é o segredo para aprender os passos do balé. Poliana passa as mãos no corpo da professora para entender as posições. E a professora vai "moldando" o corpo da menina --dobra a perna, os braços, puxa mais para um lado, para outro etc.

João Eduardo e Pedro ganharam uma postura melhor e segurança para caminhar na equoterapia. "O cavalo joga o quadril do cavaleiro para todos os lados, o que é bom para a coordenação motora", diz a psicopedagoga e psicanalista Liana Pires Santos.

O deficiente visual pode ter a postura curvada, por medo de bater em algo no caminho. Com a equoterapia, passa a andar com a coluna mais reta e a cabeça mais erguida. "E ganha confiança e autoestima [sente-se uma pessoa melhor] por conseguir dominar o cavalo", completa Liana.

"Adoro quando desço do cavalo e pego a rédea pra puxá-lo", conta João Eduardo.

Outro ponto positivo dessas atividades é a socialização. Isso quer dizer que as crianças ganham amigos, cegos ou não. "No começo, tinha preguiça de ir à natação. Mas acabei gostando e fiz vários amigos", fala Pedro.

A escola onde Poliana faz balé tem alunos não cegos. "Eles aprendem a respeitar e a ajudar os que não enxergam", diz Fernanda Bianchini, presidente da Associação de Balé e Artes para Cegos.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

REUMATISMO EM CRIANÇAS



Acredita-se que cerca de 25% das doenças reumáticas, em geral ocorram em menores que 16 anos de idade
A maioria das pessoas pensa que as doenças reumáticas são exclusivas da população adulta. De fato, muitas das condições ditas “reumáticas” são associadas a doenças degenerativas, como o desgaste de cartilagens, o enfraquecimento muscular e a perda de massa óssea. No entanto, existe um número grande de reumatismos que também pode afetar a população infantil. Essas doenças geram nas crianças sintomas semelhantes aos que afetam os adultos, como dor e rigidez nas articulações e algumas delas podem levar a dano e limitação permanentes comprometendo o futuro do pequeno paciente.

Acredita-se que cerca de 25% das doenças reumáticas, em geral ocorram em menores que 16 anos de idade nos países desenvolvidos e estima-se que este percentual seja ainda maior nos países do 3º mundo como o nosso, devido a grande associação com baixo nível sócio-econômico de algumas patologias. No Brasil, assim como em outros países subdesenvolvidos, a Febre Reumática (FR) é a doença reumatológica mais frequente seguida da Artrite Reumatoide Juvenil (ARJ). Outras patologias inflamatórias como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), a Dermatopolimiosite (DMP), a Esclerodermia (ESP), as vasculites, etc., são também causas importantes de visitas ao reumatologista pediátrico, lembrando ainda das doenças não inflamatórias, como a “Dor de Crescimento”, a Fibromialgia, e a Síndrome da Hipermobilidade. Além disto, não é raro o reumatologista pediátrico ser chamado para opinar em doenças não reumatológicas, como leucemias, anemias, problemas de tiróide, que comumente também afetam o sistema músculo-esquelético.

De uma hora para a outra, a criança cai repetidamente, tropeça ou caminha com dificuldade deixando de fazer atividades rotineiras e comuns como correr ou jogar bola. Ou então sente algum tipo de dor que pode ser constante e não melhora com analgésicos, até mesmo em repouso e incomodando o sono à noite. Isso pode ser sinal de algum problema reumatológico, inflamação nas juntas causada por fatores diversos, como má postura e infecções na garganta além de predisposição genética. Se não for tratado adequadamente, o mal pode provocar deformidades articulares e até invalidez. Desta forma, na presença de queixas deste tipo, recomenda-se ir ao pediatra o mais rápido possível, evitando adiar a consulta e havendo necessidade, este encaminhará a criança para nós especialistas em reumatologia pediátrica. Deve-se evitar o uso de medicamentos por conta própria ou “simpatias” e remédios caseiros. É importante ressaltar que a cada 100 crianças, duas vão a consultas médicas devido a queixas reumatológicas. Muitas vezes, a doença demora a ser identificada e a criança passa por no mínimo quatro especialistas diferentes o que pode atrasar o diagnóstico por cerca de até um ano. A depender da causa, o tratamento requer o uso de anti-inflamatórios  antibióticos, e drogas para prevenir a progressão da doença, além de fisioterapia e até mesmo psicoterapia.

Portanto a avaliação do especialista é indispensável já que há potencial para que estas doenças deixem sequelas permanentes, mas se forem precocemente bem tratadas, possibilita-se à criança uma vida praticamente normal. Assim, a divulgação destes conhecimentos para a população e os profissionais de saúde, facilitam o acesso dos pacientes ao atendimento especializado. Isto por que a detecção e tratamento precoce desses problemas possibilitam a prevenção de danos permanentes e uma vida integrada para a criança.

Ao contrário da crença popular, a artrite acomete crianças e adolescentes. A artrite reumatóide juvenil é uma doença relativamente rara, mas é apenas uma das centenas de tipos de artrites que podem afetar crianças, e a mais comum – é, de fato, duas vezes mais comum que o diabetes, ocorrendo na proporção de 3 meninas para cada menino afetado. A doença acomete qualquer raça e qualquer idade antes dos 16 anos, mas os picos de maior incidência estão entre 1 a 5 e de 10 a 14 anos de idade.

Na Inglaterra a incidência varia de 0.06% a 0.1% e nos Estados Unidos de 0.01% a 0.11% da população infantil até 16 anos. Seis a oito casos novos para uma população de 100.000 crianças abaixo de 16 anos aparecem anualmente na Finlândia. Além das juntas, a Artrite Reumatoide Juvenil pode afetar outras partes do corpo como coração, olhos, músculos, tendões, fígado e pele. É uma doença que pode durar anos, com períodos eventuais de remissão e atividade, quando o paciente tem dores e febre. Não é fatal, mas sem tratamento adequado pode causar complicações para a vida da criança como deixar de utilizar normalmente um membro do corpo como um braço ou uma perna, ou ainda deixar de andar e tornar-se totalmente dependente da família. No entanto, quando tratada de forma adequada a maior parte das crianças afetadas tem uma vida independente e de boa qualidade.

Toda criança com inchaço ou dificuldade de movimentar alguma articulação ou que tenha febre prolongada sem causa evidente, deve procurar o médico.

Uso correto das medicações prescritas e atividade física é necessário para manter a função articular.
A ajuda e o amor dos pais, amigos e da escola são os apoios essenciais para que se sinta segura e capaz de superar a doença e as limitações por ela atribuídas.

Profª. Dra. Cláudia Goldenstein Schainberg

terça-feira, 10 de junho de 2014

TRATAMENTOS NÃO CIRÚRGICOS PARA A COLUNA



Conheça o tratamento fisioterápico que se vale de aparelhos de tração e flexão mais atividade física para dar um fim nas dores de hérnias de disco e outros problemas de coluna
Quando o disco, a cartilagem entre as vértebras da coluna, está em crise, os incômodos não tardam a aparecer. E só depois de muita avaliação que os especialistas no assunto podem bater o martelo para a melhor terapia. Às vezes, opta-se pelo controle da dor por meio de medicamentos. Outras tantas, recorre-se à fisioterapia. Ou, então, a solução está na cirurgia - minimamente invasiva ou não. Porém, muitos concordam que, em boa parte dos casos, o tratamento é paliativo. E mais: se o paciente não toma alguns cuidados ou faz exercícios físicos sem orientação, a dor voltará a dar o ar de sua desgraça.

Não por acaso, o fisioterapeuta cearense Helder Montenegro resolveu estudar o assunto para buscar mais uma alternativa no combate às encrencas no disco vertebral. Depois de trabalhos e viagens, o expert trouxe dos Estados Unidos dois equipamentos que, segundo ele, trazem alívio para os problemas de coluna, entre eles, a hérnia de disco, a desidratação e degeneração discal e a instabilidade vertebral.

Um desses aparelhos é a mesa de tração eletrônica. Ela lembra uma cadeira de dentistas e é acoplada a um computador, por meio do qual o profissional poderá calcular as cargas aplicadas ao paciente. Ao contrário das mesas de tração antigas, usada nos anos 1970, esta depende do que é programado pelo fisioterapeuta. O paciente é preso pelo tórax e pelos quadris por cintos que o conectam ao equipamento. Depois de calculados o peso e a quantidade de etapas em que o procedimento será realizado, são programados os movimentos de tração, compressão e relaxamento da coluna, com a definição de uma carga mínima e outra máxima. Tudo para não prejudicar a musculatura da região.

"Os movimentos realizados na mesa imitam aqueles feitos no dia-a-dia", explica Montenegro. E são eles que promovem uma abertura entre uma vértebra e outra. Assim, o nervo que passa pela coluna não fica comprimido. Em outras palavras, não há dor. "Quando o disco é pressionado pelas vértebras, diminui a quantidade de oxigênio que ele recebe e aumenta a concentração de hidrogênio", afirma o fisioterapeuta. "Isso faz com que o pH da região se torne ácido, favorecendo a irritação e a dor", completa. Depois de entrar em ação, a mesa ajuda a preservar esse espaço e permite que o disco permaneça mais hidratado e, portanto, saudável.

O outro item que auxiliará o combate das hérnias e afins é a mesa de descompressão dinâmica, que também se vale de movimentos nas articulações. "Assim como a outra, esta visa aumentar o espaço intradiscal", conta Montenegro. A diferença é que o especialista recorre a ela quando o paciente já se sente menos incomodado com o problema no disco - geralmente ela é usada depois de o indivíduo passar pela mesa de tração eletrônica.

Para fechar a lista de equipamentos, Helder Montenegro, que tem clínicas em Fortaleza e na cidade de São Paulo, aposta no estabilizador vertebral. O utensílio vem da Austrália e, quando colocado sob o paciente, verifica as condições da musculatura que sustenta a coluna, especialmente na porção lombar, próxima à cintura. "Ele serve como um guia para trabalhar corretamente esses músculos", diz o especialista.

O tratamento que reúne esses três aparelhos costuma durar dois meses. Mas, atenção, depois de se submeter a ele, o paciente deve se comprometer a fazer atividades físicas específicas para a manutenção dos benefícios. "Caso contrário, em cerca de um ano e oito meses, o problema pode voltar", conta o fisioterapeuta. Os exercícios em questão são musculação dirigida e acompanhada por um professor de educação física, ou pilates. Montenegro, aliás, é categórico: "Se o paciente não se compromete a fazer os exercícios, não iremos atendê-lo". Na visão do especialista, eles são imprescindíveis.

As principais contra-indicações da terapia que aposta nessa tríade de aparelhos são os casos de hérnia de disco aguda. "Não a recomendamos a pacientes que, por causa do problema, têm incontinência urinária ou já perderam a força nas pernas", avisa Montenegro. Baseado em pesquisa com 30 pacientes, o especialista assegura que 87% deles se consideram satisfeitos com o tratamento.

Procuramos ortopedistas e cirurgiões para ouvir outras visões sobre a terapia. Eles preferiram não emitir opinião uma vez que, como o uso das mesas é recente, ainda poucos a conhecem suficientemente bem para uma análise correta. Sem contar que existem poucos trabalhos científicos a respeito.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

INSS INCLUI FISIOTERAPIA À REABILITADOS COM PRÓTESE



A partir do ano que vem, assistência médica a segurados que sofrerem acidente de trabalho será nas agências
Trabalhadores vinculados ao INSS que sofrerem acidentes no local de trabalho ou no trajeto e precisarem implantar órteses ou próteses terão direito também a sessões de fisioterapia, pelo programa de reabilitação da Previdência. A novidade, que deve passar a valer já no primeiro semestre de 2013, faz parte do novo manual de procedimentos do INSS, em elaboração.

Um grupo de trabalho, formado por médicos peritos do INSS, está incumbido de revisar as regras do programa de reabilitação do instituto. O documento, que deve ficar pronto até o mês de abril, será submetido a consulta pública, podendo receber sugestões de associações especializadas em reabilitação e da própria população.

Médico perito, responsável pelo Programa de Reabilitação do INSS no Rio, Eduardo Branco explica que a intenção da Previdência é aumentar a reinserção no mercado de trabalho dos profissionais reabilitados ou readaptados.

Ele explica que, hoje, o INSS garante a prótese ao trabalhador amputado, mas todo o acompanhamento médico da adaptação é feita no SUS (Sistema Único de Saúde).

“Com a inclusão da fisioterapia no programa de reabilitação, queremos garantir mais sucesso na reabilitação e aumentar as chances de esse trabalhador voltar ao mercado de trabalho”, diz.

Dentre as mudanças que também estão sendo analisadas pelos peritos do INSS, está a padronização do processo de licitação das órteses e próteses no país. O objetivo é garantir a qualidade dos materiais que serão oferecidos.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

CIENTISTAS CRIAM PRÓTESE DE MÃO QUE CONFERE SENSAÇÃO DE TATO A AMPUTADO



Sensibilidade é importante para regular a força exercida pela prótese. Voluntário diz que 'sentiu a mão' pela primeira vez depois da amputação.
Uma nova prótese de mão desenvolvida por um grupo de pesquisadores europeus foi capaz de conferir ao amputado uma sensação semelhante ao tato, permitindo que ele identificasse a forma e a consistência de objetos. A novidade foi considerada de grande importância, pois a sensibilidade ao toque é essencial para o controle dos movimentos e da força.

 Podemos não perceber, mas a modulação da força que exercemos ao segurar um objeto depende das informações que inúmeros sensores presentes em nossas mãos enviam para o cérebro, informando se o objeto é macio, rígido, áspero ou pontudo. Sem ter essa sensibilidade, arriscaríamos empregar força demais, e amassar um copo de plástico, por exemplo, ou força de menos, e deixar um copo de vidro se espatifar no chão.

O equipamento, criado a partir de uma colaboração entre cientistas de instituições da Itália, Suíça, Alemanha, Inglaterra e Dinamarca, envia informações captadas por sensores instalados nas pontas dos dedos da prótese diretamente para os nervos periféricos do paciente.

“Pela primeira vez, conseguimos restabelecer a capacidade sensorial em tempo real em um amputado, enquanto ele controlava essa mão ‘sensorizada’”, diz o pesquisador Silvestro Micera, um dos líderes da pesquisa. O estudo foi publicado na revista "Science Translational Medicine".


 Experimento
Os cientistas partiram de um modelo de prótese já existente no mercado, em que o paciente é capaz de controlar os movimentos da mão artificial por meio de estímulos elétricos emitidos a partir do esforço exercido pelos músculos remanescentes. Captados pela prótese, esses estímulos controlam os movimentos de abrir e fechar os dedos ou girar o punho.

Foram implantados eletrodos diretamente em dois nervos do paciente. Sensores instalados na mão artificial detectam o nível de força que ele exerce enquanto segura um objeto. Essa informação é decodificada por um software e enviada aos eletrodos em forma de sinais elétricos passíveis de serem interpretados pelos nervos. Dessa forma, o paciente é capaz de controlar sua força em tempo real para se adequar às características do objeto.

Para o médico Álvaro Baik Cho, do Grupo de Mão e Cirurgia Reconstrutiva do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o grande avanço dessa técnica é conseguir fazer uma interface direta da prótese com os nervos do paciente. “Dessa forma, cria-se uma sensibilidade artificial. É o que eu já vi de mais próximo a uma sensibilidade normal para o amputado, é realmente uma coisa muito inovadora”, diz.

O método foi testado em um único paciente: o dinamarquês Dennis Aabo Sørensen, que perdeu a mão esquerda há 9 anos em um acidente envolvendo fogos de artifício. Durante a realização de mais de 700 testes, ele mostrou-se capaz de sentir o formato dos objetos e sua consistência. “O feedback era totalmente novo para mim e, de repente, enquanto estava fazendo os movimentos, eu podia sentir o que eu estava fazendo, em vez de simplesmente olhar o que estava fazendo”, diz o paciente.

Para Cho, ainda deve demorar alguns anos até que essa nova ferramenta esteja disponível no mercado. Primeiro, o experimento deve ser repetido em um grupo maior de pacientes. Depois, deve haver um avanço tecnológico que permita que a ferramenta se torne portátil. O aparelho que decodifica os sinais captados pelos sensores ainda é grande e pesado.

Toque rudimentar
Uma tecnologia desenvolvida anteriormente já é capaz de fornecer ao amputado alguns sinais semelhantes ao tato, mas de maneira mais rudimentar. Trata-se da reinervação muscular orientada (TMR, na sigla em inglês). Cho explica que, por meio do reimplante dos nervos do membro amputado sobre os músculos do peito, é possível sentir uma resposta da pressão exercida pela prótese no peito. Porém, essa técnica não permite que o paciente tenha uma resposta de modulação da força em tempo real ao estímulo.

terça-feira, 20 de maio de 2014

PRÓTESE, PRÓSTESE, ÓRTESE



Entenda as diferenças...
Prótese e próstese são duas palavras de origem grega, formadas com o mesmo tema, thésis, do verbo títhemi, colocar, acrescentar. Diferem entre si quanto ao prefixo pró- ou prós-. Ambos os prefixos preexistiam na língua grega com as funções de advérbio e de preposição. Pró- tem o sentido de "na frente", "diante de", e prós- "junto a", "sobre", "próximo". Em grego clássico também já havia, pré-formados, os termos próthesis e prósthesis, o primeiro na acepção de "colocação à frente", "diante de" e o segundo no sentido de acréscimo, adição.

Prósthesis foi empregado por Hipócrates, referindo-se a colocação de talas de madeira na imobilização de fraturas do antebraço.

A tênue diferença semântica dos prefixos pró- e prós- não se manteve nas traduções para as línguas modernas e os dois termos tornaram-se formas paralelas variantes de uma mesma palavra, o que ocorreu já na sua passagem pelo latim. Na língua inglesa usa-se somente a forma prosthesis, enquanto nas línguas neolatinas a forma preferida é prótese.

No sentido de acréscimo, adição, o termo é usado em Gramática para designar a modalidade de metaplasmo em que se acrescenta uma letra ou sílaba no início de uma palavra, sem alteração de significado. Ramiz Galvão, em seu dicionário etimológico das palavras derivadas do grego, recomenda usar próstese somente como termo gramatical e prótese como termo médico. Esta distinção, no entanto, não prevaleceu entre os gramáticos.

Nas línguas modernas, a forma prothèse foi primeiramente empregada em francês, em 1695. Do francês prothèse passou para as demais línguas neolatinas com as adaptações próprias a cada idioma: espanhol, protesis; italiano, pròtesi; português, prótese.

Órtese, apesar da semelhança com prótese, tem etimologia muito diversa. Órtese é oriundo da palavra grega orthósis, formada, por sua vez, de orthós, reto, direito, e o sufixo –sis. Este sufixo grego expressa ação, estado ou qualidade. Orthósis, no caso, é a ação de endireitar, de tornar reto, retificar.

Segundo Marcovecchio, a alteração gráfica de orthose para orthèse ocorreu em francês arbitrariamente, a partir de 1975, sem nenhuma razão que a justificasse. Do francês estendeu-se a outros idiomas. Em português o acento tônico deslocou-se para a primeira sílaba, de que resultou órtese. É provável que a substituição de orthose por orthèse, em francês, tenha se operado por analogia com prothèse.

Após este preâmbulo, podemos estabelecer a diferença entre prótese e órtese.

Na terminologia médica atual considera-se prótese a peça ou dispositivo artificial utilizado para substituir um membro, um órgão, ou parte dele, como, por exemplo, prótese dentária, ocular, articular, cardíaca, vascular etc. Mais recentemente, além do conceito anatômico, nota-se a tendência de considerar como prótese também os aparelhos ou dispositivos destinados a corrigir a função deficiente de um órgão, como no caso da audição.

Órtese tem um significado mais restrito e refere-se unicamente aos aparelhos ou dispositivos ortopédicos de uso externo, destinados a alinhar, prevenir ou corrigir deformidades ou melhorar a função das partes móveis do corpo.

domingo, 11 de maio de 2014

DEFICIENTES ENCARAM ESTIGMA DO SEXO



Laetitia Rebord, paralisada por uma atrofia muscular genética, fala do sofrimento de ser vista como uma criança aos 31 anos
Em suas fantasias sexuais, ela é uma loura forte e impetuosa, que domina seus parceiros. Na vida real, é uma virgem que depende de uma cadeira de rodas elétrica, e seu corpo só é tocado por cuidadores domésticos e profissionais de medicina.

"Uma pessoa incapacitada é vista como uma criança", diz essa mulher, Laetitia Rebord, 31. "E, inevitavelmente, crianças e sexo não combinam."

Uma atrofia muscular espinal genética a deixou paralisada, com exceção do polegar esquerdo e dos músculos faciais.

Rebord, que diz ter sensações físicas agudas, procurou relacionamentos sexuais entre amigos de amigos, sites de namoro e até com garotos de programa. Mas diz que agora está disposta a pagar por sexo na Suíça ou na Alemanha, onde os "parceiros sexuais substitutos" são legais.

O tema dos parceiros substitutos chamou atenção na França em março, depois que a Comissão Nacional de Ética, que assessora o governo sobre questões de saúde, criticou a prática como um "uso antiético do corpo humano para fins comerciais".

Embora a prostituição seja legal na França, abordar possíveis clientes e servir de intermediário entre profissionais do sexo e clientes não o são. Mas algumas pessoas estão pedindo a legalização dos parceiros sexuais substitutos.

 "A prostituição é um debate falso. Os objetivos são diferentes", disse Pascale Ribes, que em 2011 fundou o Grupo de Deficiências e Sexualidades, associação que defende os terapeutas sexuais na França.

"O parceiro substituto permite que uma pessoa deficiente física, que não pode acessar a sexualidade de maneira satisfatória, reconecte-se com o corpo", disse Ribes.

Sua associação está fazendo lobby por uma alteração na lei para permitir que pessoas com deficiência física, seus pais, amigos ou diretores de instituições aprovadas arranjem encontros com parceiros substitutos, que geralmente cobram cerca de US$ 130 por sessão.

Na França, a falta de debate sobre o assunto, as leis que regulamentam a prostituição e a recusa a legalizar os parceiros substitutos encorajaram práticas ilegais.

Aminata Gregory, 66, vem oferecendo ilegalmente assistência sexual na França há mais de um ano. Ela foi treinada como terapeuta sexual na Suíça, e seu trabalho envolve principalmente massagens e jogos eróticos, sem beijos na boca ou sexo.

Gregory, que é holandesa, tem cerca de dez clientes incapacitados na França e cobra honorários por meio de sua empresa na Holanda.

Gregory recentemente foi ao sul da França para conhecer um cliente, Daniel Doriguzzi, 49. Ele tem uma rara doença genética chamada ataxia de Friedreich, que o faz perder gradualmente a coordenação motora e a capacidade de falar com fluência.

Com uma prostituta, disse Doriguzzi, "dura um tempo limitado e mais nada". Com Gregory, "nós nos colocamos em uma bolha e nos tornamos um casal normal. Conversamos, fazemos o que quisermos. Perguntamos um ao outro o que queremos. No final da sessão, estouramos a bolha".

Os parceiros substitutos são legais na maioria dos países que permitem a prostituição, como Suíça, Alemanha e Dinamarca.

Em 2008, Catherine Agthe Diserens, uma educadora suíço-alemã, iniciou um programa de treinamento de parceiros sexuais substitutos durante seis meses, com ex-prostitutas, enfermeiras e fisioterapeutas.

As aulas tratavam de deficiências físicas, internamentos em instituições, colaborações com profissionais do sexo e cursos práticos explorando o que Diserens chama de "técnicas corporais".

Para muitas feministas francesas, que associam o sexo indesejado à violência, a ajuda sexual é humilhante para as duas pessoas envolvidas.

"É como dizer às pessoas incapacitadas que, como elas nunca terão uma vida sexual ou amorosa, vamos prescrever a ajuda sexual como paliativo", disse Anne-Cécile Mailfert, membro da Osez le Féminisme (Ousem ser feministas).

Ela também teme que ocorra dependência emocional nos terapeutas sexuais.

Mas a questão principal, disse Mailfert, tem menos a ver com a sexualidade do que com ensinar os profissionais de saúde a compreender as necessidades sexuais de pessoas deficientes e ajudá-las a encontrar outras pessoas.

Marcel Nuss, que tem dois filhos e respira com respirador artificial, é o autor de "I Want to Make Love" [Eu quero fazer amor].

O livro descreve sua realização pessoal por meio do amor com sua ex-mulher e uma vida sexual com acompanhantes.

"Alguém como eu não pode fazer nada sozinho", disse Nuss. "O sexo ajuda os deficientes a renascer e a recuperar seu aspecto humano."

quinta-feira, 8 de maio de 2014

TECNOLOGIA AUMENTA INCLUSÃO DE PORTADORES DE DEFICIÊNCIA



Novidades que facilitam a vida e aumentam a independência foram apresentadas na segunda maior feira de acessibilidade do mundo
Cadeira de rodas para terrenos acidentados, aparelho auditivo com bluetooth e um aplicativo que dá voz a quem perdeu essa habilidade por conta de um acidente ou já nasceu sem ela.

Estas são algumas das novidades apresentadas na 12ª edição da Reatech, a segunda maior feira de acessibilidade do mundo, encerrada no último fim de semana, em São Paulo. Com o lema “Desperte para a inclusão”, o evento mostrou a profissionais e gestores de saúde e ao público em geral, tecnologias e novas propostas para aumentar a inclusão de portadores das mais variadas deficiências.

Um dos principais destaques da feira foi a cadeira de rodas apresentada pela empresa brasileira Vemex. Batizada de Strix, ela foi projetada para diminuir a trepidação em terrenos acidentados – isso inclui as ruas esburacadas e as calçadas irregulares das grandes cidades brasileiras.

João Horta, 29, estudante de engenharia mecânica e um dos idealizadores do projeto, conta que o diferencial está no sistema de amortecimento da cadeira.

“O sistema funciona com um fluido e um software de leitura do terreno, ou seja, quando ele sente uma vibração que não era pra prevista, em milésimos de segundo o software lê o problema e manda um sinal pra bateria, que envia uma carga ao amortecedor aumentando a viscosidade do óleo dentro do sistema de amortecimento”, explica Horta. Isso faz com que o amortecedor se adapte à necessidade apresentada e trabalhe mais lento ou rapidamente, podendo até mesmo travar o amortecimento completamente.

Outra tecnologia que agradou aos visitantes foi um aparelho auditivo com conectividade bluetooth. Com ele, o usuário não precisa mais se preocupar com os ruídos externos ao atender ao celular ou assistir a um filme: ele se conecta diretamente a celular, TV e outros aparelhos e, caso solicitado, isola qualquer outro som ambiente, atendendo justamente a uma das maiores reclamações dos deficientes auditivos.

“Dependendo do tipo do aparelho usado, os pacientes tinham dificuldades para escutar a voz de alguém ao telefone e, muitas vezes, a proximidade do aparelho auditivo com o telefone gerava microfonia, como um apito forte no ouvido”, esclarece a fonoaudióloga e coordenadora do Departamento de Audição da Oto-Sonic, Elisabetta Radini.

LG 2004: parecido com um patinete, ele permite acoplar a cadeira de rodas para subir escadas retas.





Sistema Easy Mob: sistema aplicado às rodas, que permite ao cadeirante subir e descer rampas com menos esforço.




S-MAX SELLA: cadeira de rodas projetada para subir qualquer tipo de escada. Sobe de 5 a 20 degraus por minuto





Prodeaf Móvel: aplicativo tradutor de português para Libras, a Linguagem Brasileira de Sinais






 Lokamat: simulador de movimentos que ajuda na reabilitação, reduzindo o esforço do terapeuta



OBSERVER: cadeira de rodas 4x4 projetada para terrenos desnivelados como areia, grama e terra. Suporta até 45º graus de inclinação, mantendo o assento no nível correto horizontal




Strix: cadeira com sistema que diminui o impacto da cadeira em terrenos acidentados. Disponível para compra a partir do segundo semestre de 2013




Victor Reader Stratus M: leitor de e-books para deficientes visuais. Permite inserir livros por pendrive e outras memórias externas




Lyric: aparelho auditivo invisível externamente. Pode ser mantido no canal auditivo por até 4 meses, permitindo nadar e tomar banho.



Cadeira de banho: inclinada para trás, não deixa paciente escorregar, tem rodas antiderrapantes, apoio para pés e encosto para cabeça reguláveis





Sara PC: scanner que transforma palavras escritas em voz. Faz locução em português, inglês, francês e outras línguas





Balança para cadeirantes: permite ao cadeirante subir na balança sem a necessidade de descer da cadeira



Vérité: aparelho auditivo com bluetooth. Permite ouvir o som dos aparelhos conectados, como celular e televisão, diretamente no ouvido e sem interferências de sons externos





Livox: aplicativo para tablet que dá voz a quem não fala ou tem dificuldades para falar. As imagens representam a necessidade do paciente. Basta clicar e se comunicar




Livox: aplicativo para tablet que dá voz a quem não fala ou tem dificuldades para falar. As imagens representam a necessidade do paciente. Basta clicar e se comunicar

segunda-feira, 5 de maio de 2014

EXAME DA MARCHA BENEFICIA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA MOTORA



Benefícios para crianças que apresentam deficiência motora em decorrência de paralisia cerebral.
O exame da marcha oferecido pelo Centro Hospitalar de Reabilitação, do Governo do Estado, em Curitiba, traz benefícios para crianças que apresentam deficiência motora em decorrência de paralisia cerebral. Rafaely Vitória Valoto dos Santos, 13 anos, agora pode brincar normalmente e Gustavo Wendler Grillanda, 11 anos, foi submetido à avaliação e será possível estudar a melhor forma de ajudá-lo a caminhar com mais qualidade.

O exame, considerado de alta complexidade e de alto custo, é realizado no Laboratório de Marcha, o primeiro do sul do Brasil e o único a prestar serviços exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O investimento é de aproximadamente R$ 1 milhão, e os encaminhamentos são feitos pelas regionais de saúde e hospitais credenciados ao sistema.

“Em três anos, foram investidos R$ 39 milhões na aquisição de equipamentos para os hospitais do Governo do Paraná, incluindo um tomógrafo para o Centro Hospitalar de Reabilitação”, explica o superintendente de Unidades Hospitalares Próprias, da Secretaria da Saúde, Charles London.

EQUIPE – O Laboratório de Marcha do CHR é operado com equipe multidisciplinar composta por médicos ortopedistas, fisioterapeutas e engenheiro mecatrônico. O ortopedista pediátrico Alessandro Melanda afirma que o exame dura em média quatro horas e são necessárias 12 horas para ser finalizado.

Depois do exame propriamente dito, é necessária a compilação dos dados e a elaboração do laudo tridimensional (3D) capaz de nortear o tratamento ortopédico do paciente. “O exame avalia todos os movimentos do corpo e proporciona mais assertividade para o tratamento, seja ele com fisioterapia, medicamento ou cirurgia”, explica o médico.

A médica ortopedista pediátrica Ana Carolina Pauleto informa que, além das crianças com paralisia cerebral, podem ser beneficiados amputados, pacientes com problemas neurológicos (com sequelas de AVC) e motores. “Este é um exame complexo, que deve ser indicado a partir de rigorosa avaliação clínica”, diz a médica. Mais de 80 exames como este já foram realizados no Paraná.

SOLUÇÃO – Quem observa Rafaely, em sala de aula, brincando com os colegas, não imagina que antes de 2011, esta atividade era quase impossível para a menina. As pernas tortas faziam com que Rafaely se locomovesse com dificuldade e sem equilíbrio.

Em 2011, ela foi submetida ao exame da marcha no Centro Hospitalar de Reabilitação. “A Rafaely foi uma das primeiras crianças a se beneficiar com este exame”, afirma a mãe, Telma Valoto Gonçalves. Do exame veio a indicação para a cirurgia reabilitativa que permitiu que a menina andasse normalmente.

“Hoje ela tem uma vida normal. Cursa o terceiro ano do ensino fundamental em uma escola municipal de Araucária. Brinca com as crianças da escola sem nenhuma dificuldade”, disse. Também é aluna aplicada, gosta de matemática e de ler livros na biblioteca do colégio.

ESPERANÇA – Gustavo nasceu prematuro e teve paralisia cerebral por intercorrências durante o parto. Os pais do menino, Gilmar Grillanda, 46 anos, e Maria Izabel Wendler Grillanda, 40 anos, contam que o menino começou o tratamento quando tinha 6 anos e que já evoluiu muito, porém ainda não caminha com segurança. “Este é o primeiro exame deste tipo a que temos acesso. O Gustavo é muito esforçado e com certeza vai reagir bem aos novos tratamentos, que forem indicados com o resultado deste exame”, afirma o pai.

O maior desejo da família é que Gustavo fique mais independente e possa brincar com os irmãos e amigos, inclusive com o irmão gêmeo Guilherme, que não tem paralisia cerebral. A família de Gustavo mora em São Pedro do Ivaí e o menino faz tratamento em Londrina, no Norte do Estado.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

PARKINSON, A BUSCA PELA CURA



Novas formas de detectar a doença mais cedo e tratá-la com eficácia aumentam a compreensão da medicina e podem melhorar a vida dos pacientes
Quem sintonizou o canal de TV pago Comedy Central  deparou com os trailers da nova série  que estreou neste mês, O show de Michael J. Fox. Não é uma homenagem ao ídolo adolescente dos anos 1980. O próprio ator canadense é o protagonista. Nela, Fox é um jornalista de TV, casado, pai de três filhos, que tenta se equilibrar entre vida familiar, vida profissional e sobre suas próprias pernas, ao mesmo tempo que batalha para controlar os irrequietos braços. Na série, o personagem sofre de mal de Parkinson há cinco anos. Na vida real, Fox enfrenta a doença há 22. Descobriu com apenas 30 anos. Assim como na ficção, ele trabalha, tem família e todos os tremores que caracterizam a doença.

Aqui no Brasil, no Rio de Janeiro, outro ator se prepara para viver um doente de Parkinson na próxima novela de Manoel Carlos, na TV Globo. Paulo José, assim como Michael J. Fox, entende do assunto. Talvez nunca tenha vivido antes um personagem tão semelhante a si mesmo. Paulo José enfrenta o Parkinson há 20 anos. Tem 76. Desde que soube do diagnóstico, casou-se novamente (pela quarta vez) e nunca parou de trabalhar, como conta em depoimento a ÉPOCA. Às vezes, diz ele, é difícil. Às vezes é muito difícil. Mas Paulo, assim como Fox, é um exemplo de como manter a doença sob controle e seguir a vida.

É sintomático que finalmente o Parkinson, uma doença diagnosticada pela primeira vez em 1817, torne-se um elemento – primordial – do roteiro de novelas e seriados. Estima-se que sofram com a doença, hoje, cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo projeções do Banco Mundial, em 20 anos, o número de doentes em países como Japão, Alemanha, Itália e Reino Unido será 50% maior. Em países de população mais jovem, como o Brasil, o número de vítimas deve dobrar: dos atuais 200 mil para 400 mil.

A doença de Parkinson ocorre quando uma área do cérebro conhecida como substância nigra morre ou se torna deficiente. Isso compromete a produção de um composto que ajuda a conduzir os sinais elétricos que controlam os movimentos do corpo, conhecido como dopamina. Os principais sintomas da doença são tremores nos braços, pernas, cabeça e mãos, além de movimentos involuntários, enrijecimento do corpo, perda de expressão e lentidão. Em 40% dos casos, segue-se a demência. A primeira informação que se recebe com o diagnóstico é que Parkinson não tem cura. Mas não é uma sentença de morte. Como diz o ator Paulo José, morre-se com Parkinson, não de Parkinson.

Com o aumento da expectativa de vida, o Parkinson se tornou mais comum. Por isso, surpreende que a medicina conheça tão pouco sobre a doença. A última droga que revolucionou o tratamento – a levodopa, que estimula o cérebro a produzir dopamina –  completará 50 anos no ano que vem. Ainda é o principal remédio para o controle do Parkinson. Não apenas a ciência não consegue produzir drogas mais eficazes, mas os médicos continuam a se surpreender com as causas da doença.

Um exemplo: a cidade de Bambuí, em Minas Gerais, tinha uma incidência de Parkinson de 7,2% entre a população com mais de 64 anos, o triplo do índice normal. Um estudo de 2006 revelou que quase metade dos casos se devia ao uso descontrolado de remédios contra psicose e vertigem. O controle de vendas de remédios fez a taxa cair. Outro caso: em Taiwan, muitas mulheres desenvolveram a doença depois de ter contraído o vírus da herpes. O vírus contribuiu com a inflamação da substância nigra. Hoje, sabe-se que fatores genéticos respondem por 15% dos casos. Os outros vêm de causas variadas, muitas desconhecidas. Sabe-se também que a exposição a toxinas (como pesticidas) aumenta o risco de contrair a doença. Apenas entre 5% e 10% dos diagnósticos são feitos em pessoas com menos de 50 anos. Entre homens, a incidência geral é 50% maior.

Não há ainda tratamentos preventivos. Os estudos já constataram que fazer exercícios físicos e tomar duas xícaras de café por dia diminui o risco. Várias pesquisas mostram também que o número de ocorrências em fumantes inveterados é menor do que na população em geral (mas nenhum médico indica o fumo, por causa de todos os outros males que ele causa).
A falta de alternativas terapêuticas pode mudar em breve. Uma das grandes esperanças para tratar o Parkinson é a primeira vacina em testes com humanos. Com o nome técnico de PD01A, é a primeira tentativa de atuar na causa da doença. Desde junho de 2012, 32 doentes testam a medicação em Viena. Estudos recentes mostraram que o excesso de uma proteína conhecida como alfa-sinucleína está por trás de casos de Parkinson. O objetivo da vacina é incentivar o organismo a criar defesas contra essa proteína. A Fundação Michael J. Fox doou US$ 1,5 milhão para o desenvolvimento da vacina, feito pela empresa austríaca Affiris. Os primeiros resultados dos testes devem sair no início de 2014.

Ainda é cedo para comemorar. “Anular o efeito de uma proteína no cérebro pode ter mais consequências além da interrupção do Parkinson”, diz Michael Okun, neurologista da Universidade da Flórida. Há alguns anos, uma vacina feita para eliminar uma proteína conhecida como tau, para combater o mal de Alzheimer, levou os pacientes a desenvolver meningite. “Independentemente dos resultados, o fato de termos chegado finalmente à fase de testes é promissor. Sabemos mais sobre a doença hoje que há um ano e meio”, diz Okun.

Enquanto uma vacina não chega, avança o conhecimento sobre como lidar com o Parkinson para minimizar seus efeitos. Há pouco mais de duas décadas, a vida de quem recebia o diagnóstico era muito diferente. Tratava-se de uma sentença de envelhecimento precoce, isolamento e prostração. Hoje, sabe-se que a primeira arma na guerra contra o Parkinson é a disposição mental. Se não existe tratamento eficaz, há terapias reconhecidas para cada um de seus sintomas. Hoje, o paciente é estimulado a não se conformar com as alterações de
seu corpo. “Se tiver disfunção erétil, ele pode encontrar ajuda médica”, diz o neurologista André Felício, do Hospital Israelita Albert Einstein. “Com tratamento adequado, o paciente pode ter uma vida sexual saudável.” O mesmo ocorre com dificuldades mais sérias de movimentos, insônia ou problemas de voz. Tudo isso tem tratamento, alguns deles baseados em técnicas simples, como fisioterapia ou exercícios de canto. A eficácia desses tratamentos depende da constância.

Comum em 45% dos casos de Parkinson, a depressão exige cuidado especial. É normal ter episódios de desânimo. Quando o quadro evolui para uma depressão, o ânimo vai embora, e fica mais difícil manter a rotina de cuidados essenciais. Manter-se interessado e em atividade alimenta a vontade de se cuidar. Pode ser uma atividade profissional, um hobby ou a defesa de uma causa. Pouco tempo depois de adoecer, Fox parou de ter papéis fixos na TV, até a série que estreou neste mês. Seu interesse se voltou para a própria doença, de forma produtiva. Ele fundou uma instituição sobre Parkinson, hoje uma das mais importantes da área, e escreveu três livros sobre o assunto. Paulo José nunca se afastou dos palcos, atuando ou dirigindo. “Hoje, trabalho pouco para meus padrões. Mas é o suficiente para me manter ocupado e não pensar na marvada”, diz.

Diagnóstico precoce
Outro grande avanço para quem tem Parkinson é a possibilidade de identificar a doença em sua fase inicial. Isso é essencial, porque os sintomas costumam aparecer sete anos depois de a doença se instalar. “Com o diagnóstico antecipado, é possível começar a tratar mais cedo e, assim, retardar e minimizar a manifestação dos sintomas”, diz Felício. Pela primeira vez, pessoas com sintomas suspeitos ou histórico familiar podem fazer testes com três marcadores biológicos – sinais que ajudam a confirmar diagnóstico e permitem iniciar o tratamento mais cedo. Hoje, em geral, o diagnóstico é feito por observação clínica, quando os sintomas começam a se manifestar. O índice de erros é alto: até 25% dos diagnósticos são falsos. Novas técnicas de detecção podem rastrear o Parkinson. Uma delas identifica a perda no poder olfativo associado à doença. Outras envolvem exames de imagem que identificam alterações em duas áreas distintas do cérebro. “A chance de acerto com esses exames é superior a 90%”, diz Felício.

Outra esperança vem das pesquisas genéticas. Há cinco anos, ganharam um aliado poderoso: o cofundador do Google, Sergey Brin. Ele contou ao mundo que tinha propensão a desenvolver Parkinson com um post em seu blog pessoal, batizado de LRRK2. A sigla é o nome de um gene que aumenta as chances de Brin desenvolver Parkinson de 1% para 28% a partir dos 59 anos, para 51% aos 69 e para 74% aos 79. No post, Brin fala da história da doença em sua família. Sua mãe tem Parkinson. Seu tio-avô teve. Desde 2008, ano em que encontrou o gene, Brin doou mais de US$ 100 milhões para pesquisas na área.

No lugar do modelo tradicional de pesquisa médica – em que uma hipótese é formulada, dados são coletados, analisados e submetidos à aprovação –, Brin quer usar o gigantesco poder de processamento (que só o Google tem) e seu talento para criar programas de computador capazes de coletar e analisar toneladas de dados atrás de padrões que levem a hipóteses médicas mais rapidamente. É o jeito Google de fazer ciência. “Geralmente, a velocidade das pesquisas médicas é glacial em comparação ao que fazemos com a internet”, afirmou. Ao inverter a ordem da pesquisa científica e turbiná-la com um invejável poderio tecnológico, o método patrocinado por Brin encurta o tempo. Em 2010, a empresa de pesquisas genéticas 23andMe, fundada pela ex-mulher de Brin, Anne Wojcicki, concluiu uma pesquisa específica com Parkinson ao mesmo tempo que o Instituto Nacional de Saúde (NIH), dos Estados Unidos, publicava o mesmo estudo, feito pelo modo tradicional. No caso do NIH, era o resultado de um trabalho de seis anos. Na 23andMe, de oito meses. Os dois chegaram à mesma conclusão: pessoas com um gene chamado GBA têm cinco vezes mais chances de ter Parkinson.  Recentemente, o método defendido por Brin ajudou a descobrir dois novos genes comuns a quem tem a doença. Podem virar marcadores, quando todos os estudos forem concluídos.

As novas alternativas para prever os grupos com maior propensão ao Parkinson não escapam das críticas comuns a diagnósticos feitos por pesquisas genéticas. A primeira é que variedades genéticas específicas associadas a determinadas doenças não significam que aquele indivíduo vá desenvolver o mal.  A segunda é mais delicada: de que serve você saber que tem maior chance de desenvolver uma doença se não pode fazer nada (pelo menos por enquanto) para evitar que ela apareça. “É preciso educar muito quem fará o exame”, diz João Carlos Papaterra Limongi, neurologista da Universidade de São Paulo. “Mesmo quem acha que está preparado para o resultado pode ficar estressado, levar uma vida pior – e nem desenvolver a doença.”

O grande potencial das pesquisas genéticas é decifrar o Parkinson. Embora só 15% dos casos estejam ligados aos genes, os cientistas acreditam que o mecanismo celular dos demais casos seja similar. Se pudermos entender como os genes ligados ao Parkinson determinam os mecanismos de produção de substâncias e funcionamento do sistema nervoso, será possível encontrar brechas para tratamentos mais eficazes. “Genes são como receitas para as células produzirem proteínas. É delas o trabalho de manter nosso corpo funcionando”, diz Andrew Singleton, médico da Fundação Michael J. Fox. “Entender essa receita nos permite descobrir como lidar com casos em que a produção dessas proteínas é irregular.” Esse avanço nas pesquisas genéticas promete desvendar de forma mais eficaz uma doença que há dois séculos se esconde entre as conexões nervosas. E, se Brin estiver certo, mais rápida.

terça-feira, 22 de abril de 2014

CADEIRA DE RODAS MAIS LEVE



Instituto de reabilitação de São Paulo cria modelo de cadeira de rodas mais leve
A Rede de Reabilitação Lucy Montoro criou um modelo mais leve de cadeira de rodas nacional para atender os pacientes da rede pública.

O produto, batizado de M Leve, foi lançado nesta semana pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência no Fórum Reabilitação, que traz novidades em acessibilidade.

Foram produzidas 30 cadeiras. Elas serão testadas por seis meses e depois entrarão em produção regular.

"As cadeiras disponíveis hoje no SUS são inviáveis para a vida social e profissional", afirma o dentista José Roberto Mendes, 45.

 Ele foi o primeiro a testar a M Leve e já sugeriu ajustes no apoio de pé, rodas e encosto.

"Talvez dê para ficar mais leve", diz. A M Leve pesa 7 kg, abaixo da média do mercado.

A cadeira será fornecida aos pacientes da Rede Lucy Montoro. O governo pagará a diferença ente o valor coberto pelo SUS e os custos de produção, já que o preço do novo modelo ainda é alto.

"Mas a manutenção e as peças são nacionais. É importante fomentar a indústria a pensar nas necessidades dos pacientes", diz o fisiatra André Sugawara.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

FISIOTERAPEUTA CRIA ROUPAS E ABRE LOJA VIRTUAL PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA



Peças adaptadas têm elásticos, velcros e aberturas laterais. Estilistas também criam modelos 'inclusivos' e vendem sob encomenda.
Calças jeans com elástico e velcro e agasalhos com aberturas nas laterais estão entre as peças adaptadas vendidas no site de roupas para pessoas com deficiência lançado no começo de julho pela fisioterapeuta Dariene Rodrigues, de 35 anos, de Sorocaba, no interior de São Paulo. Os modelos buscam atender a demanda dessas pessoas por peças confortáveis e fáceis de vestir – o que facilita a vida, por exemplo, de cadeirantes ou de quem precisa usar sondas ou fazer fisioterapias.

“[A ideia surgiu] de tanto eu ouvir as pessoas que eu atendia, principalmente as pessoas com deficiência física, que são os paraplégicos e tetraplégicos, a dificuldade de usar, ter uma vestimenta adaptada”, explica.

O projeto demorou três anos para ser colocado em prática. Dariene revela que o pontapé inicial surgiu “meio que sem querer”, quando recebeu a indicação de uma estilista que poderia tornar reais os modelos que imaginava. “Eu tinha um projeto em mente e meio que me faltava uma pessoa para poder confeccionar a minha ideia, confeccionar esse molde (...). Acabei encontrando uma estilista, e a gente criou um projeto piloto”, explica.

Para a elaboração dos modelos, Dariene afirma que avalia todas as necessidades das pessoas com deficiência com as quais tem convivência.

"De início eu pensei na questão da pessoa com cadeira de rodas, que usa prótese de membro inferior. Dependendo da patologia que ela teve, da sequela, acaba tendo dificuldade... Às vezes é com o comprometimento da parte urinária, às vezes essa pessoa usa fraldas. Se antes ela vestia número 40, vai ter que comprar um número a mais”, diz. Por isso, o modelo de calça que desenvolveu tem elástico e é um pouco mais “fofo” atrás caso a pessoa use fraldas.

As peças também têm aberturas dos lados e fechamento com velcro, que facilitam na hora de serem vestidas (um cadeirante, por exemplo, consegue se vestir deitado).  “Algumas pessoas usam cateterismo que é uma sonda de alívio, têm a necessidade de tirar a calça a cada três horas.” Os modelos facilitam, ainda, a vida daqueles que precisam da ajuda de um cuidador para se vestir, comenta.

 Mercado
Em cerca de duas semanas de funcionamento do site, foram vendidas dez calças jeans. Os preços, contudo, são um pouco superiores aos de modelos convencionais encontrados em grandes varejistas, e são em torno de R$ 200.  "As peças são personalizadas e acabam levando uma quantidade maior de tecido devido às adaptações. Também procuramos levar em consideração a qualidade da matéria-prima. Porém, há a facilitação de parcelamento, permitindo a compra em até 12 vezes", diz.

Ao todo, foram investidos R$ 40 mil no projeto e criação da empresa, que recebeu o nome de Lado B – Moda inclusiva. “Contei com os serviços de uma agência de publicidade para desenvolvimento da marca, assim como de uma agência de website para a criação da loja virtual”, diz. “A nossa expectativa é que se torne um negócio realmente sólido e lucrativo”.

 Ela diz que uma das coisas que levou em consideração na hora de formular esse projeto é que, de acordo com censo do IBGE de 2010, 45,6 milhões têm algum tipo de deficiência no país. “Então, existe, sim, público consumidor para isso, mas há falta de produto, de locais, as empresas acabam esquecendo um pouquinho desse público, que é um potencial consumidor.”

A fisioterapeuta explica que ainda não começou a divulgação propriamente dita, mas espera que os consumidores apareçam quando tomarem conhecimento da marca. “Inicialmente, como qualquer negócio, a gente lógico que vai passar por um período de divulgação do produto, da própria marca, para que mais para a frente um pouco a gente comece a ter, sim, um retorno financeiro”, relata.

A ideia é aumentar cada vez mais o leque de produtos, com a inclusão de peças que acompanhem a moda. “A gente vai acompanhar as tendências mesmo”, diz, acrescentando que pretende se qualificar na área de moda para aprimorar os modelos.

 Outros projetos
Mas Dariene não é a primeira a pensar em peças de roupas que buscam atender as necessidades das pessoas com deficiência.

Para promover ideias como a da fisioterapeuta, por exemplo, Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo realizada, há cinco anos, um concurso anual de moda inclusiva.

As estilistas Julia Sato e Inaye Brito, ambas de 25 anos, participaram de uma das edições do concurso e criaram uma marca para o setor, a Lira. Ficaram em segundo lugar. “De lá para cá, já desenvolvemos vários projetos juntas, trabalhos apresentados em outras cidades brasileiras e no exterior”, conta Julia.

Atualmente, elas dizem que vendem em pequena quantidade e por encomenda. “Estamos analisando o mercado e estruturando um projeto para atender da melhor forma um maior número de pessoas”, afirma Julia. Pensam em desenvolver pesquisas na área e também oferecer consultoria.

 A empreendedora conta que as peças da última coleção têm preço médio de R$ 100 a R$ 200. “Todas foram elaboradas para atender a ergonomia da pessoa sentada e dão atenção especial às limitações do corpo do cadeirante. As roupas são confortáveis e versáteis, valorizam a parte superior do corpo como colo, ombros e braços”, explica. Ela afirma que são feitas adaptações como uso de elásticos e botões mais fáceis de abrir e fechar.

“Para desenvolver as peças, seguimos o conceito de design universal, ou seja, as roupas possuem adaptações importantes, mas que são imperceptíveis”, diz. Ela cita, ainda, que as peças não excluem, pois podem ser utilizadas por pessoas sem deficiência física.

A estilista Driélli Valério de Oliveira, de 25 anos, que usa o nome de Drika Valério para divulgar seu trabalho, também participou do concurso. Foi a vencedora do ano passado. Ela desenvolveu um vestido de noiva adaptado, mas percebeu que a demanda maior mesmo é por peças do dia a dia. “Quando eu comecei a trabalhar com isso, comecei a receber muito pedido de peça casual, os de vestidos são casos mais específicos, 90% são peças casuais.”


Ela afirma que já vendeu aproximadamente 50 modelos por encomenda, como blusas e calças. Ela também é do interior de São Paulo, da cidade de Bauru.


Drika também diz que pensa em peças que não sejam “exclusivas”, explicando que os modelos podem ser usados por qualquer pessoa.

Criou uma marca chamada "Somos todos nós". “Já estou com lote de moletom, camiseta e calças sendo feito, que estará pronto para lançar na internet [no Facebook] para vendas”, afirma.

Ela diz, que no caso do moletom, por exemplo, pensou em uma blusa mais larga do que as convencionais, sem costura nos punhos. Nesse caso, o preço inicial sugerido é de aproximadamente R$ 69. No caso das blusinhas, disse que saem por R$ 40.

“Cada deficiência é muito específica, então vamos tentar nos focar em lesão medular (por enquanto) e trabalhar peças bonitas, na moda e funcionais, que vistam com mais facilidade em pessoas que utilizam cadeira de rodas e têm dificuldade em se vestirem sozinhas ou usarem um jeans. Mas o objetivo para o longo prazo é atender a todas as deficiências, inclusive investir em etiquetas e detalhes em braile, para deficientes visuais”, revela.