
Meningite bacteriana.
- Abscesso Cerebral: origem focal causado por um microorganismo
piogênico. Sua disseminação pode ocorrer por via hematogênica (foco
pulmonar, cardíaco); extensão direta (otites e mastoidites); por
neurocirurgias ou ainda através de traumatismos cranioencefálicos
(implantação direta).
- Evolução:
- Inicial: necrose liquefativa, edema, petéquias e cápsula fibrosa.
- Abscesso Recente: encontraremos edema e tecido de granulação.
- Abscesso Crônico: coleção purulenta, cápsula conjuntiva, edema e gliose (presença de astrócitos gemistocísticos).
- Meningite Tuberculosa Crônica: sintomatologicamente encontraremos cefaláias, mal-estar, vômitos e confusão mental.
- Macroscopicamente: exsudatos gelatinosos ou fibrinosos, mais comum
na base do crânio com envolvimento dos nervos cranianos. Pode estar
presente uma meningoencefalite difusa.
- Microscopicamente: encontraremos infiltrado linfocítico,
plasmocitário, macrofágico, necrose caseosa presente no granuloma e
células gigantes multinucleadas.
- Meningoencefalites Virais: encontraremos infiltrados mononucleares
perivasculares e parenquimatosos, reações gliais com formação de
nódulos de micróglia e neuronofagia. Os exemplos incluem: poliomielite
(com destruição dos neurônios motores inferiores), raiva, varicela
(vírus quiescente) e HIV (infecções duradouras).
- Macroscopicamente: encontraremos congestão e edema.
- Microscopicamente: nódulos microgliais, infiltrado inflamatório
perivascular (presença de espaços de Virchow-Robin), edema, gliose e
corpúsculos de inclusão.
- Meningoencefalites Fúngicas: frequentemente acometem pacientes
imunocomprometidos. Sua disseminação geralmente é hematogênica. Causada
por Candida spp. , Aspergillus, Criptococcus, Mucormicose e ou
Histoplasmose.
- Macroscopia: haverá edema, hidrocefalia e cistos no parênquima cerebral.
- Microscopia: podemos encontrar espaços de Virchow-Robin, vasculites com trombose e inflamação crônica granulomatosa.
- Infecções por Protozoários: as amebas são capazes de causar os
abscessos amebianos levando a meningoencefalites amebianas, com
disseminação hematogênica (no caso de lesões hepáticas e pulmonares),
com penetração do parasita pela lâmina cribiforme do osso etmóide.
- Macroscopia: congestão, edema, necrose e hemorragia.
- Microscopia: infiltrado mononuclear, granulomas e áreas necro-hemorrágicas.
Malária:
- Macroscopia: edema, congestão, coloração cinza-azulada (hemozoína), hemorragias petequiais difusas na substância branca.
- Microscopia: macrófagos contendo hemozoína (pigmento malárico),
áreas concêntricas de hemácias perivasculares centrais envolvidas por
gliose, edema e necrose perivascular.
Toxoplasmose:
- Macroscopia: edema, congestão e necrose.
- Microscopia: abscessos com necrose central, petéquias, trombose,
nóculos microgliais, macrófagos, eosinófilos e linfócitos, além da
presença do próprio agente infeccioso.
Neurocisticercose:
- Parasitose causada por helminto mais comum.
- No sistema nervoso central as larvas desencadeiam respostas
imunológicas graves. Após a morte destas larvas, o sistema imunológico
promove um ataque devastador com lesões e comprometimento cerebral.
- Macroscopia: vesículas arredondadas, translúcidas de 5-15mm.
- Microscopia: edema, inflamação (linfócitos, plasmócitos,
macrófagos, eosinófilos, células gigante de corpo estranho), fibrose
concêntrica até a formação de um nódulo fibroso podendo calcificar-se
(calcificação distrófica) – foco de convulsão. O cisto contém três
camadas: camada cuticular eosinofílica, camada celular estratificada
epitelióide e camada reticular.
Infecção do Sistema Nervoso Central pelo HIV
- 50% dos pacientes HIV positivos mostram algum sintoma neurológico.
- 10% dos pacientes HIV positivos apresentam como manifestação primária da AIDS, alterações do sistema nervoso central.
- Acometimento da mucosa oral, anal, retal e vaginal.
- Lesões que acometem o SNC com AIDS:
1. Infecções oportunistas: toxoplasmose, meningoencefalite chagásica,
necrosante e granulomatosa por Acanthamoeba. Fungos: meningites,
meningoencefalites ou abscessos por criptococose, candidíase,
aspergilose, histoplasmose ou coccidioidomicose. Bactérias: meningite
tuberculosa e microabscessos por
Escherichia coli são comuns.
Vírus: encefalites por citomegalovírus, leucoencefalopatia multifocal
progressiva devido ao vírus JC envolvendo oligodendrócitos com
desmielinização, vírus da herpes simplex e varicela zoster.
2. Neoplasias: linfomas cerebrais primários, disseminação metastática de linfoma sistêmico e sarcoma de Kaposi.
3. Lesões causadas pelo HIV no SNC:
a. Encefalite pelo HIV: hipotrofia do encéfalo e dilatação
ventricular; nódulos microgliais, linfócitos, gliose e células gigante
multinucleadas.
b. Leucoencefalite pelo HIV: lesão difusa da substância branca (perda
da mielina), gliose, macrófagos perivasculares com restos mielínicos e
célula gigante.
c. Mielopatia e Leucoencefalopatia vacuolar: macrófagos contendo HIV, degeneração subaguda com tumefação mielínica vacuolar.
d. Meningite linfocítica: infiltrado linfocitário na ausência de microorganismos oportunistas.
e. Polidistrofia difusa: lesão cortical difusa acometendo núcleos da
base, tronco encefálico com presença de gliose e ativação microglial.
f. Vasculite cerebral: infiltrado mononuclear ou formação de granulomas na parede vascular.
4. Lesões inespecíficas: infartos, hemorragias e necroses associadas às infecções.
Neoplasias do SNC
- As diferenciações em neoplasias malignas ou benignas, no sistema
nervoso, é muito difícil. Mesmo que o tumor seja benigno
histopatologicamente, devemos considerá-lo maligno pela sua localização
(intracraniano ou medular).
- Suas ressecções dependerá da sua localização.
- Raramente disseminam fazendo metástases, no entanto, o SNC é alvo das metástases.
- Tumores primários do SNC não se relacionam com fatores de risco.
- Efeitos: compressão do parênquima adjacente, destruição, infarto e
hemorragia, edema, desvio da linha média e efeito de massa bem como
obstrução do sistema ventricular.
Classificações Gerais:
- Tumores do tecido neuroepitelial:
- Tumores astrocíticos.
- Tumores oligodendrogliais.
- Gliomas mistos.
- Tumores ependimários.
- Tumores do plexo coróide.
- Tumores neuronais e não-neuronais.
- Tumores da pineal.
- Lesões melanocíticas primárias.
- Linfomas.
- Tumores de células germinativas.
- Tumores da região selar.
- Tumores metastáticos.
- Tumores da meninge.
Astrocitomas
- São os tumores mais comuns de todos os tumores intracranianos (80%).
- Classificados como:
- Astrocitoma Fibrilar ou Difuso;
- Astrocitoma Anaplásico;
- Glioblastoma Multiforme.
- Possuem crescimento infiltrativo difuso.
- As lesões são focos de convulsões, cefaléias e alterações no exame neurológico.
- Predominam em adultos do sexo masculino.
• Astrocitoma Difuso ou Fibrilar
- Bem diferenciado porém com variantes mal diferenciadas tais como o astrocitoma anaplásico e o glioblastoma multiforme.
- Infiltrativo com margens mal definidas.
- Macio e gelatinoso.
- Pode desencadear efeito de massa e edema peritumoral.
- Microscopicamente observamos multicelularidade, pleomorfismo nuclear e GFAP positivo.
• Astrocitoma Anaplásico
- Considerado WHO grau III/IV.
- Possui um maior pleomorfismo celular com atipias evidentes.
- Apresenta figuras de mitose.
Obs. Os astrocitomas gemistocíticos são tumores astrocitários anaplásicos com corpo celular bem eosinofílico.
• Glioblastoma Multiforme
- Considerado o mais agressivo dos tumores cerebrais: WHO grau IV/IV.
- Possui as mesmas características dos astrocitomas anaplásicos,
porém são bem mais agressivos, apresentando necrose, hemorragia e
proliferação vascular (angiogênese) com vasos em aspecto glomerulóide.
- Muito friável.
- Há formação em pseudopaliçada: há uma área de necrose central com
células na margem, circundando-a que formam este aspecto em paliçada.
Obs. A gliomatose cerebral (
gliomatosis cerebri ) é a
disseminação dos astrocitomas de alto grau por todo o cérebro sem mesmo
possuir capacidade de formação de uma região tumoral, o cérebro fica
completamente invadido.
- Considerados WHO grau I/IV.
- Relativamente benignos.
- Possui um crescimento lento, expansivo ou infiltrativo.
- São tumores que acometem crianças e adolescentes mais frequentemente.
- Envolvem geralmente o cerebelo e o assoalho do IV ventrículo.
- Macroscopia: apresenta-se cístico (líquido seroso) e gelatinoso.
- Microscopia: há fibras de Rosenthal e células fusiformes.
Obs. Xantoastrocitoma Pleomórfico: considerado WHO grau II/IV,
possuindo muita reticulina mas com ausência de necrose e figuras de
mitose. Situa-se geralmente na superfície do lobo temporal.
- Acometem indivíduos com idade em torno dos 30-50 anos.
- Considerados WHO grau II/IV.
- Crescimento lento: o paciente queixa-se por anos podendo repentinamente apresentar convulsão.
- Substância branca dos hemisférios cerebrais é sua localização.
- Macroscopia: massa cinza, amolecida, calcificada podendo apresentar hemorragias.
- Microscopia: apresentam núcleo esférico, cromatina granular envolta por halo claro de citoplasma.
- Podem ser mistos: oligoastrocitomas.
- Origina-se do epêndima que forra a cavidade ventricular.
- Acomete indivíduos de 0-20 anos de idade com disseminação liquórica freqüente.
- Morfologia: massa papilar ou sólida.
- Microscopia: núcleo redondo, oval com arranjos celulares formando pseudo-rosetas perivasculares.
- Papiloma do Plexo Coróide
- Mais comum nas crianças do sexo masculino.
- Esta presente nos ventrículos laterais, III ventrículo ou IV ventrículo – regiões que obviamente possuem plexo coróide.
- Crescimento lento.
- Macroscopia: são firmes e calcificados.
- Microscopia: formam papilas.
- Carcinoma do Plexo Coróide
- Muito raro.
- Macroscopia: são friáveis e infiltrativos.
- Microscopia: possuem células papilíferas com atipias celulares evidentes.
Tumores Neuronais
Gangliocitomas
- São tumores considerados WHO grau II/IV.
- Neoplasias do SNC contendo neurônios maduros.
- É comum encontrarmos uma mistura de neurônios com componentes gliais sendo denominados gangliogliomas.
- Crescimento lento, convulsões e componentes gliais anaplásicos poderão aparecer no seu desenvolvimento.
- Macroscopia: são massas circunscritas, calcificações e cistos.
- Microscopia: são células pequenas a ganglionares. Substância de Nissl evidente.
Tumores Embrionários
- Origem: células neuroepiteliais embrionárias, indiferenciadas.
- Muito maligno.
- Possuem diferenciações para neurônios, astrócitos, cartilagens, ossos, músculos,...
- Predominam em crianças.
- Segundo tumor mais freqüente que acomete o SNC das crianças (o mais freqüente é o astrocitoma pilocítico).
- Alto grau de malignidade.
- Preferem a fossa posterior, em especial o cerebelo.
- Possui uma relação de 4:3 entre o sexo masculino e feminino, respectivamente.
- Fazem metástases para ossos, linfonodos, peritônio, fígado e pulmões.
- Macroscopia: apresentam-se amolecidos.
- Microscopia: anaplasias, núcleo hipercromático, Ki-67 positivo, necrose e figuras de mitose.
Outros Tumores Parenquimatosos
- Linfomas: respondem por 2% dos linfomas extranodais e 1% dos
tumores intracranianos. São as neoplasias mais comuns em indivíduos
imunocomprometidos, portadores de HIV principalmente. Acomete uma faixa
etária em torno dos 60-70 anos de idade. São classificados como linfomas
não-Hodgkin de linfócito B com uma sobrevida de 1-3 anos.
Macroscopia: desde delimitados a mal definidos. Apresentam necrose e hemorragias.
Microscopia: apresentam células neoplásicas perivasculares com discreto pleomorfismo.
- Meningiomas: são tumores que acometem as meninges, geralmente
aderidos à dura-máter: encontradas externamente ao cérebro ou no sistema
ventricular. São considerados tumores benignos histopatologicamente
(WHO grau I/IV). Originam-se das células meningoteliais da aracnóide com
maior prevalência entre as mulheres (única exceção do SNC).
Macroscopia: são massas nodulares e firmes.
Microscopia: apresentam células grandes e corpos psamomatosos.
Meningiomas Malignos – considerado WHO grau III/IV; apresentam muitas
figuras de mitose, atipias, sendo invasivos e fazem metástases. Há
relatos de transformações malignas de meningiomas para astrocitomas de
alto grau, porém ainda não muito bem definidos.
Meningioma.
- Tumores Metastáticos: respondem por 25-30% dos tumores intracranianos.
- Carcinoma Broncopulmonar.
- Carcinoma de Mama.
- Melanoma.
- Carcinoma do Rim (Hipernefroma).
- Carcinoma de Cólon.
- Prognóstico muito ruim e geralmente acometem a fossa posterior como massas solitárias.
- Macroscopia: massas nodulares bem delimitadas com edema peritumoral (zona de penumbra), necrose e hemorragia.
- Microscopia: lembram sempre o câncer primário.