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domingo, 11 de maio de 2014

DEFICIENTES ENCARAM ESTIGMA DO SEXO



Laetitia Rebord, paralisada por uma atrofia muscular genética, fala do sofrimento de ser vista como uma criança aos 31 anos
Em suas fantasias sexuais, ela é uma loura forte e impetuosa, que domina seus parceiros. Na vida real, é uma virgem que depende de uma cadeira de rodas elétrica, e seu corpo só é tocado por cuidadores domésticos e profissionais de medicina.

"Uma pessoa incapacitada é vista como uma criança", diz essa mulher, Laetitia Rebord, 31. "E, inevitavelmente, crianças e sexo não combinam."

Uma atrofia muscular espinal genética a deixou paralisada, com exceção do polegar esquerdo e dos músculos faciais.

Rebord, que diz ter sensações físicas agudas, procurou relacionamentos sexuais entre amigos de amigos, sites de namoro e até com garotos de programa. Mas diz que agora está disposta a pagar por sexo na Suíça ou na Alemanha, onde os "parceiros sexuais substitutos" são legais.

O tema dos parceiros substitutos chamou atenção na França em março, depois que a Comissão Nacional de Ética, que assessora o governo sobre questões de saúde, criticou a prática como um "uso antiético do corpo humano para fins comerciais".

Embora a prostituição seja legal na França, abordar possíveis clientes e servir de intermediário entre profissionais do sexo e clientes não o são. Mas algumas pessoas estão pedindo a legalização dos parceiros sexuais substitutos.

 "A prostituição é um debate falso. Os objetivos são diferentes", disse Pascale Ribes, que em 2011 fundou o Grupo de Deficiências e Sexualidades, associação que defende os terapeutas sexuais na França.

"O parceiro substituto permite que uma pessoa deficiente física, que não pode acessar a sexualidade de maneira satisfatória, reconecte-se com o corpo", disse Ribes.

Sua associação está fazendo lobby por uma alteração na lei para permitir que pessoas com deficiência física, seus pais, amigos ou diretores de instituições aprovadas arranjem encontros com parceiros substitutos, que geralmente cobram cerca de US$ 130 por sessão.

Na França, a falta de debate sobre o assunto, as leis que regulamentam a prostituição e a recusa a legalizar os parceiros substitutos encorajaram práticas ilegais.

Aminata Gregory, 66, vem oferecendo ilegalmente assistência sexual na França há mais de um ano. Ela foi treinada como terapeuta sexual na Suíça, e seu trabalho envolve principalmente massagens e jogos eróticos, sem beijos na boca ou sexo.

Gregory, que é holandesa, tem cerca de dez clientes incapacitados na França e cobra honorários por meio de sua empresa na Holanda.

Gregory recentemente foi ao sul da França para conhecer um cliente, Daniel Doriguzzi, 49. Ele tem uma rara doença genética chamada ataxia de Friedreich, que o faz perder gradualmente a coordenação motora e a capacidade de falar com fluência.

Com uma prostituta, disse Doriguzzi, "dura um tempo limitado e mais nada". Com Gregory, "nós nos colocamos em uma bolha e nos tornamos um casal normal. Conversamos, fazemos o que quisermos. Perguntamos um ao outro o que queremos. No final da sessão, estouramos a bolha".

Os parceiros substitutos são legais na maioria dos países que permitem a prostituição, como Suíça, Alemanha e Dinamarca.

Em 2008, Catherine Agthe Diserens, uma educadora suíço-alemã, iniciou um programa de treinamento de parceiros sexuais substitutos durante seis meses, com ex-prostitutas, enfermeiras e fisioterapeutas.

As aulas tratavam de deficiências físicas, internamentos em instituições, colaborações com profissionais do sexo e cursos práticos explorando o que Diserens chama de "técnicas corporais".

Para muitas feministas francesas, que associam o sexo indesejado à violência, a ajuda sexual é humilhante para as duas pessoas envolvidas.

"É como dizer às pessoas incapacitadas que, como elas nunca terão uma vida sexual ou amorosa, vamos prescrever a ajuda sexual como paliativo", disse Anne-Cécile Mailfert, membro da Osez le Féminisme (Ousem ser feministas).

Ela também teme que ocorra dependência emocional nos terapeutas sexuais.

Mas a questão principal, disse Mailfert, tem menos a ver com a sexualidade do que com ensinar os profissionais de saúde a compreender as necessidades sexuais de pessoas deficientes e ajudá-las a encontrar outras pessoas.

Marcel Nuss, que tem dois filhos e respira com respirador artificial, é o autor de "I Want to Make Love" [Eu quero fazer amor].

O livro descreve sua realização pessoal por meio do amor com sua ex-mulher e uma vida sexual com acompanhantes.

"Alguém como eu não pode fazer nada sozinho", disse Nuss. "O sexo ajuda os deficientes a renascer e a recuperar seu aspecto humano."

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Torção testicular







INTRODUÇÃO


  • Dor aguda no escroto é um achado clínico comum em pacientes pediátricos.
  • Emergência clínica --> possibilidade de torção testicular.
  • Requer distorção manual ou cirúrgica.
  • Se há alta suspeita clínica, a cirurgia é indicada sem exames complementares de imagem.
  • Dificuldade em se fazer diagnóstico diferencial.




  • 70% dos pacientes com escroto agudo têm condições não cirúrgicas
  • Torção testicular pode ocorrer em pacientes de qualquer idade, incluindo neonatos
  • Imagens Radiológicas são frequentemente realizadas em pacientes com sintoma agudo para evitar cirurgia desnecessária
  • Exame de escolha: USG Doppler testicular
    • Alta sensibilidade (78.9-89%)
    • Alta especificidade (77-100%)
    • Falta de radiação
    • Rapidez
    • Substituiu a cintilografia na maioria dos casos




OBJETIVOS

  • Determinar a freqüência dos achados ultrassonográficos no testículo.
  • Determinar se a aparência anormal do epidídimo na escala de cinza
    e doppler pode ser útil para auxiliar nos sinais de torção testicular.
  • Verificar se há alterações na aparência do epidídimo durante as
    fases aguda e crônica da torção e depois da distorção espontânea ou manual.
  • Correlacionar a aparência do epidídimo com os achados patológicos e cirúrgicos.
  • Determinar se a aparência do epidídimo na USG pode ajudar na recuperação testicular.


MATERIAIS E MÉTODOS

  • N= 50 pcts
    • Neonatos - 17 anos
    • Diagnóstico de torção testicular de jan 1992-2002,
      submetidos ao Doppler de testículo e epidídimo como parte do diagnóstico
  • O tamanho do epidídimo sintomático e do contra- lateral assintomático foi determinado.
  • O tamanho do epidídimo do hemiescroto assintomático serviu de controle
    em 41 dos 50 pacientes por estes não possuírem torção testicular bilateral.
  • Formas epidídimo no hemiescroto sintomático: triangular, redonda ou oval.
  • Volume do epidídimo normal : forma piramidal.
  • Porções do epidídimo aumentadas: cabeça; cabeça e corpo; corpo e cauda; cauda ou epidídimo inteiro.
  • Ecotexturas: isocóico ou hipercóico e homogênio ou heterogênio.
  • Vascularização: vascular, avascular, hipovascular e hipervascular.
  • O diagnóstico de torção testicular foi estabelecido por cirurgia em 48 dos 50 pacientes.
  • Fase Aguda: sintomas < 24h
  • Fase Crônica: sintomas >24h


RESULTADOS

  • 50 casos: 34% Fase aguda de torção
    66% Fase crônica de torção
  • Aumento do volume em 47 casos
  • Porção acometida: 39,1% cabeça
    41,3% difuso
    13% cabeça+corpo
    4,3% corpo+cauda
    2,2% cabeça+cauda
  • Forma: 87% globular
    9% bilobular
    4% multilobular
  • Ecotextura: 73% Heterogêneo e Homogêneo
    27% Isocóico
  • Tratamento: 39 s/ TTO cirúrgico
    10 Distorção manual
    1 Distorção espontânea




  • 43 pcts com torção aguda no momento da USG, onde 40 mostravam-se avasculares.
  • 30 pcts que apresentaram perda testicular e epidídimo avascular
    mostraram alterações do tamanho e do volume com infarto hemorrágico.








Discussão

  • USG Doppler é o método mais utilizado para
    diferenciar as condições que exigem cirurgia
    (torção testicular) das não cirúrgicas nos pcts
    pediátricos com dor escrotal aguda.
  • Em alguns casos, essa diferenciação pode ser
    difícil devido ao baixo fluxo no testículo pré-
    -púbere e ao fluxo arterial.
  • O aumento do cordão espermático pode estar
    associado à torção testicular
  • O aumento do epidídimo em conjunto com
    alterações da ecotextura e forma foi achado na
    maioria dos casos.
  • O testículo mostrou-se avascular em 95% dos
    casos de fases aguda e crônica, depois da
    manipulação do testículo ou distorção espontânea.
  • Observou-se o retorno do fluxo sanguíneo para o
    epidídimo após a distorção.
  • Pode haver a presença de massas extra-
    testiculares devido ao aumento epididimal.
  • A ausência de cor no Doppler no epidídimo
    aumentado foi um aspecto de extrema importância
    para diferenciação entre torção testicular e epididimite.
  • Pcts com sintomas agudos solucionados:
    considerar possibilidade de distorção
    espontânea testicular.
  • Viabilidade testicular depende do grau e da
    duração da torção.
  • Após a distorção, manual ou espontânea,
    freqüentemente o epidídimo é hipervascular.








Epididimite





Conclusão

  • A complicação mais significante da torção testicular é a
    perda do testículo, podendo levar a infertilidade
  • Doppler:
    • Detecta alterações precocemente; fecha diagnóstico
    • Testículo assintomático é usado como controle
    • A ausência de fluxo do lado afetado associada a
      sua presença no lado contra lateral faz diagnóstico de torção
    • Torções incompletas ( menor 360˚) o fluxo é detectado,
      mas diminuído em relação ao lado assintomático


Comparação entre os dois testículos



Estágio Tardio (> 24h)



  • A análise da vascularização pode ser uma informação
    adicional que pode auxiliar no diagnóstico de torção em
    pacientes pediátricos quando combinado à presença de aumento
    testicular evitando erros diagnósticos
  • Em alguns casos, essa diferenciação pode ser difícil
    devido ao baixo fluxo no testículo pré-púbere e ao fluxo arterial

sábado, 30 de novembro de 2013

Câncer de próstata

O câncer de próstata em geral cresce muito lentamente e grande parte das vezes não produz sintomas. Seu tratamento pode ser feito com cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia, dependendo do estadiamento da doença, que quando é descoberta ainda na fase inicial, tem maiores chances de cura.
Estadiamento do câncer de próstata, segundo a sua evolução é:
  • Estágio A - Tumor oculto, não palpável ao toque;
  • Estágio B - Tumor dentro da próstata, palpável ao toque;
  • Estágio C - Tumor atingindo os envoltórios da próstata;
  • Estágio D - Tumor com focos em outros órgãos.
​​Saber o estadiamento é muito importante para o tratamento e consequente cura da doença.

Sintomas do câncer de próstata

Na maioria dos casos o câncer de próstata não manifesta sintomas na fase inicial. Já na fase avançada, a doença pode produzir sintomas como:
  • Dificuldade em urinar;
  • Urina frequente;
  • Presença de sangue na urina;
  • Retenção urinária.
Não existe uma causa específica para o desenvolvimento do câncer de próstata, mas alguns fatores que podem aumentar o risco da doença são a alimentação rica em gorduras, disfunção hormonal e o ambiente poluído e uso de fertilizantes estão sob suspeita.

Câncer de próstata tem cura

O câncer de próstata tem cura e esta pode ser alcançada com o devido tratamento. Há maiores chances de cura quando a doença é diagnosticada ainda no início.
O tratamento para o câncer de próstata pode ser feito através da remoção da próstata, radioterapia e quimioterapia, em hospitais gratuitamente, como o Inca. Em muitos casos estes tratamentos podem provocar incontinência urinária e impotência. Mas se o indivíduo decidir não tratar a doença por causa dos seus efeitos colaterais, o câncer pode espalhar-se pelo corpo, sendo potencialmente fatal.

Cirurgia para câncer de próstata

O câncer limitado à próstata frequentemente pode ser curado através da remoção cirúrgica da glândula ou através da radioterapia.

Diagnóstico do câncer de próstata

O diagnóstico do câncer de próstata é feito através do exame PSA e do toque retal, solicitados pelo urologista. Se durante o toque retal o médico palpar um nódulo, a próstata deve ser mais investigada através de uma ultrassonografia e biópsia guiada por ultrassonografia. Este exame indica também a extensão do comprometimento da glândula pelo câncer.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

As funções sexuais nas lesões medulares



Introdução
A abordagem desse tema geralmente acontece com um profissional que o paciente sente mais afinidade. Tema este que deve ser conhecido pelo profissional da saúde para aconselhar e esclarecer o paciente da forma mais natural possível.

Profissionais da área da saúde precisam ter cuidado para que as pessoas com incapacidade física possam aprender mais sobre si mesmas, não se limitando a informações focais ou generalizadas, quando não errôneas, a respeito de suas incapacidades físicas. A falta de orientação do paciente, muitas vezes deve-se a falta de orientação profissional.

A trajetória da atividade sexual após lesão medular inclui um período de assexualidade, seguido por um período de redescoberta que ocorre durante o tempo de reabilitação. Apesar de ocorrer um período de “luto sexual” é recomendado um período espera e quando sentir-se pronto dar início à reabilitação da vida sexual.

A resposta sexual masculina
A resposta sexual está diretamente relacionada com o nível e a abrangência da lesão. Da mesma maneira que a função vesical e intestinal, as capacidades sexuais são divididas de modo amplo entre lesões de neurônio motor superior (NMS) e lesões de neurônio motor inferior (NMI).

Capacidade erétil
Há dois tipos de ereção: a reflexogênica e a psicogênica. As ereções reflexogênicas ocorrem em resposta a uma estimulação física externa dos genitais ou períneo. É necessário um arco reflexo intacto (mediado por S2, S3 e S4). As ereções psicogênicas ocorrem por meio de atividade cognitiva, como fantasias eróticas. Elas são mediadas pelo córtex cerebral através dos centros medulares toracolombar ou sacral.

Ejaculação
Há uma incidência mais alta de ejaculação em pacientes com lesões de NMI que em com lesões de NMS, entre lesões de nível baixo versus lesões de níveis mais altos, e lesões incompletas em comparação com completas.

Historicamente, poucos pacientes com lesão medular são capazes de gerar filhos. Esse baixo nível de fertilidade está associado com um comprometimento na espermatogênese e uma inabilidade de ejacular. Contudo, evidências recentes sugerem melhora da resposta ejaculatória e uma qualidade mais alta de sêmen por meio de estimulação vibratória. As amostras produzidas são usadas para inseminações intra-uterinas.

Orgasmo
O orgasmo e a ejaculação são dois eventos separados. O orgasmo é um evento cognitivo, psicogênico, enquanto a ejaculação é um evento físico. Existem problemas metodológicos pela falta de critérios para definir orgasmo, e diferenciar orgasmo de ejaculação e uma explicação fisiológica de como se chega ao orgasmo sendo um paciente com lesão medular completa. Atualmente não existem dados acurados disponíveis sobre os efeitos da lesão medular no orgasmo.

A resposta feminina
As respostas sexuais femininas também seguem um padrão relacionado com a localização da lesão. Em pacientes com lesões de NMS, o arco reflexo permanecerá intacto. Portanto, os componentes do despertar sexual (a lubrificação vaginal, engurgitamento dos lábios e ereção do clitóris) ocorrerão por meio de estimulação reflexogênica, porém a resposta psicogênica será perdida como no homem.

Menstruação
O ciclo menstrual é tipicamente interrompido por um período de mais ou menos de um a três meses após a lesão medular. Depois desse período, o fluxo menstrual retorna ao normal.

Fertilidade e gestação
O potencial para concepção permanece preservado. A gestação deve ser rigorosamente planejada pelo alto risco de comprometimento respiratório. Devido a alteração da sensibilidade, o trabalho de parto não será sentido, mas deverá ser percebido. O trabalho de parto pode precipitar o aparecimento da disreflexia autonômica. Tudo isso pode ser minimizado com um internamento hospitalar prematura antes do parto.

As contrações uterinas são controladas por ação hormonal e não são afetadas pela paralisia, mas a ação da musculatura abdominal estará paralisada, o que poderá aumentar o trabalho de parto em caso de parto natural.

Orientações para reabilitação
Nos casos de lesão medular, o intercurso sexual pode não se processar de modo espontâneo, faz-se necessária uma preparação, como esvaziamento da bexiga, adequação de posição, etc. O deficiente físico pode e deve procurar sua satisfação sexual. A ênfase no genitalismo como única forma de expressão e gratificação sexuais pode ser trabalhada na reabilitação, desde que haja interesse e o movimento seja adequado para o cliente, bem como se faz necessário ter profissionais aptos a trabalharem com as questões emergentes.

A importância de conhecer as zonas erógenas potencialmente causadoras de satisfação após a lesão é aconselhada por diversos autores. Estes autores referem que a sexualidade possui outras implicações, conectadas intimamente com especificidades emocionais, que deve ser explorada por uma atividade diversificada. A alteração da sensibilidade perineal pode ser substituída pela exploração e descoberta de novas zonas erógenas.

Não raramente, a dependência física é acompanhada por dependência emocional, levando o indivíduo a afastar-se do processo de busca de sua integridade psíquica que muitas vezes é abalada. Alguns apresentam atitude de negação da realidade, grandes expectativas, etc.

Alguns comportamentos são esperados, como por exemplo: negação da própria deficiência e depressão reativa conseqüente da perda da autoestima, mas podem, com o tempo e devido tratamento, ser substituídos pela aceitação da realidade.

Existem alguns aspectos que passam por um processo de adaptação e estão fortemente relacionados à sexualidade: imagem corporal, auto-estima e identidade sexual. O ajuste sexual desempenha papel importante, justamente por estar interligado com a auto-estima. Podem aparecer também sentimentos de vergonha, medo, considerando alguns que sua deformidade venha a ser motivo de rejeição social e sexual, podendo acarretar em isolamento por parte do portador de lesão medular, contribuindo para dificuldades no ajuste sexual.

Com a instalação da deficiência, muitas vezes se faz necessário ocorrerem novas adaptações no relacionamento sexual que, se não forem discutidas e experimentadas, poderão resultar numa inadequação sexual, o que pode significar um prejuízo para a reabilitação global da pessoa.

A falta de disposição de um paciente para falar sobre sexualidade não significa, necessariamente, falta de interesse, podendo estar ansioso ou temeroso sobre as implicações sexuais acarretadas pela incapacidade física, ou pode ainda não ser o momento adequado para se trabalhar esse aspecto.

Segundo Krusen, a sexualidade é uma questão que faz parte da saúde e bem-estar de um indivíduo. A reabilitação preocupa-se com o paciente integralmente e, portanto, a sexualidade, como função natural, faz parte desse todo. O processo de ajustamento sexual varia de acordo com cada paciente e depende de alguns fatores, incluindo ajustamento psicológico prévio, qualidade do sistema de apoio, idade, sexo, saúde física, sistema de crenças e tipo de lesão.

Conclusão
A obtenção da satisfação sexual por estimulação dos órgãos sexuais por si só não é determinante da satisfação sexual de forma geral, havendo outros fatores que podem interferir positiva ou negativamente nessa busca, compondo um complexo que pode envolver capacidade criativa, capacidade de imaginação, compreensão da parceira, etc.

A relação sexual da pessoa com lesão medular deve ser fundamentada numa visão ampla de sexualidade, não somente no ato sexual em si, mas em atitudes que englobam sensibilidade espiritual, não somente física, entre comportamentos, emoção e amor. Após uma lesão é necessário redescobrir-se, descobrir a si mesmo, a sua nova condição física e extrair a melhor função apesar das limitações impostas pela lesão.

Pessoalmente, aprendi mais sobre sensibilidade com meus pacientes do que jamais poderia ensinar a eles. Não estou me referindo sobre a sensibilidade que é óbvia, a física e que pode ser testada com um mapa dermatométrico. Falo de sensibilidade de verdade, o sentir o mundo com ternura e afeição. Talvez uma pessoa não possa sentir o toque, o abraço e a caricia como antes, mas certamente ela não perdeu o dom da sensibilidade. Existem outras formas de sentir.

Referências
ALVES, A. S. Um estudo sobre a satisfação sexual de pessoas portadoras de lesão medular. Acta Fisiátrica 6(1): 6-9, 1999.
GARRETT, A. Da actividade sexual à sexualidade após uma lesão medular adquirida. Rev. Da Faculdade de Ciências da Saúde. Porto: 2009.
O’ SULLIVAN, S. Avaliação e tratamento. São Paulo: Editora Manole.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Câncer de testículos

O câncer de testículo pode causar um aumento do tamanho do testículo ou o surgimento de um ou mais nódulos duros no escroto, que podem ser dolorosos.
O nódulo é crescente e algumas vezes, rompem-se vasos sangüíneos no seu interior, resultando em uma massa que cresce subitamente causando dor intensa.
Exames de sangue podem ser utilizados tanto na investigação do câncer quanto no controle do tratamento. A cirurgia para retirada do tumor pode ser realizada com o paciente submetido a uma anestesia local, e inicialmente todo o testículo onde se encontra o tumor é retirado.
Quando o tumor se encontra em apenas um testículo o indivíduo mantêm a produção de hormônios masculinos e permanece fértil.
Existem quatro tipos de câncer que podem se desenvolver nos testículos: o seminoma, o teratoma, o carcinoma embrionário e o coriocarcinoma.

Os sintomas de câncer no testículo são:
  • Dor ao apalpar o testículo;
  • Aumento do tamanho ou do peso do testículo afetado;
  • Aumento do tamanho das mamas e da sensibilidade dos mamilos;
  • Endurecimento ou amolecimento do testículo;
  • Presença de nódulos duros, mas indolores, do tamanho aproximado de uma ervilha;
  • Dor no baixo ventre;
  • Dificuldade urinária;
  • Urina com sangue.
Nem sempre o câncer no testículo causa dor, principalmente no início da doença. Por isso, o importante é observar atentamente os testículos, se são simétricos e se têm a mesma textura ou não. Recomenda-se que o auto-exame testicular seja feito logo após o banho morno, quando a pele que envolve os testículos está mais maleável.
Caso o indivíduo note alguma alteração, deve marcar uma consulta com um urologista para que este faça o rastreamento do câncer no testículo.
É preciso que todo o homem saiba que nem sempre o câncer no testículo causa dor. A dor está presente, principalmente, nos casos em que a doença está numa fase mais avançada e outros órgãos são afetados, assim como o gânglios linfáticos do organismo.
Quando a doença encontra-se numa fase inicial seu sintoma característico não é a dor, mas sim a presença de nódulos de pequeno tamanho, duros e indolores.
A dor no testículo pode ser causada por outras doenças como infecções e traumatismos. Mas, se estes problemas não forem solucionados e a dor no testículo persistir por mais de 10 dias, o indivíduo deve voltar ao médico, pois existe a suspeita de que seja um câncer no testículo. A dor pode atingir a região do baixo ventre e ser inespecífica (onde o paciente não sabe dizer exatamente onde é), mas que de vez em quando faz-se sentir.
Caso haja a suspeita de câncer no testículo, o médico deverá pedir exames que possam comprovar a doença e orientar o paciente e mostrar as opções de tratamento que ele possui.
Dependendo da evolução da doença, o câncer no testículo pode matar. Se ele já tiver sido diagnosticado tardiamente e houver metástase pelo corpo, as chances de cura da doença diminuem e a sua mortalidade aumenta. Nos casos em que o câncer no testículo é descoberto precocemente, as chances de cura são maiores. Contudo, o paciente pode morrer devido a complicações na cirurgia para a retirada do testículo e não propriamente do câncer.
Uma das complicações mais vistas durante a cirurgia é a alergia à anestesia, que pode levar ao choque anafilático e parada cardíaca culminando na morte do paciente. Outras complicações possíveis seriam a sepsemia e a perda de grande volume de sangue durante a cirurgia.
O câncer no testículo pode matar, principalmente se o paciente não seguir as recomendações do médico e não fizer o tratamento adequadamente. Assim, o câncer pode espalhar-se pelo organismo e comprometer o funcionamento de diversos órgãos.
O exame preventivo do câncer testicular pode ser realizado a cada 2 ou 3 anos. O câncer de testículo é o câncer mais comum em homens entre 15 e 35 anos e geralmente tem cura, especialmente quando é detectado precocemente.
Este exame é feito por apalpação e inspeção, e pode ser feito pelo próprio assim como acontece na apalpação da mama nas mulheres.
Durante a apalpação o homem deve procurar alterações, nódulos ou crescimentos anormais.
Quando descoberto precocemente, o câncer no testículo tem cura, pois seu tratamento é quase sempre eficaz. O câncer no testículo pode ter cura mesmo nos casos em que a doença só foi diagnosticada numa fase mais avançada, embora neste caso seja necessário mais tempo de tratamento.
Na fase inicial o médico oncologista deverá optar por usar somente a quimioterapia, que consiste no uso de medicamentos que vão tentar impedir a replicação das células doentes, evitando o crescimento do tumor. Se esta forma de tratamento não for bem aceita e o tumor continuar crescendo será recomendado que o paciente faça também radioterapia.
Se com estas terapias o tumor continuar crescendo, as chances dele criar metástases serão maiores e então o médico poderá optar por fazer a retirada do testículo afetado através de uma cirurgia.
Após esse passo, o médico poderá colocar uma prótese, uma espécie de bolinha no interior do testículo para que a estética não fique prejudicada.
O tratamento inicial do câncer de testículo se restringe a remoção cirúrgica de todo o testículo afetado, e pode incluir a radioterapia assim como a cirurgia.
Algumas vezes os linfonodos abdominais também são removidos porque este câncer tende a espalhar-se para essas estruturas.
O tratamento pode incluir a radioterapia assim como a cirurgia, especialmente no caso de um seminoma.
O câncer de testículo disseminado frequentemente é curado com uma combinação de cirurgia e quimioterapia, e o prognóstico depende do tipo e da extensão do tumor.
O testículo que não apresenta tumor não é removido, e o paciente mantém assim as concentrações adequadas de hormônios masculinos e permanece fértil.



domingo, 4 de agosto de 2013

Exame de próstata

O exame de próstata inclui o toque retal e o exame de sangue PSA que devem ser avaliados em conjunto, anualmente a partir dos 45 anos de idade, especialmente quando há história familiar de câncer de próstata.
Se o médico encontrar alguma alteração ao realizar estes exames, poderá indicar uma ultrassonografia da região e depois, se achar conveniente realizar uma biópsia da próstata, retirando um pedacinho e enviando para análise laboratorial.
Se for confirmada alguma alteração na próstata, o médico poderá esclarecer ao indivíduo em relação as opções de tratamento para o câncer de próstata que incluem a retirada da próstata através de uma cirurgia chamada prostatectomia, radioterapia e/ou quimioterapia dependendo da gravidade da doença. É importante ainda informar que estes tratamentos podem ter como efeito colateral a impotência sexual e a incontinência urinária, mas não realizar o tratamento é potencialmente fatal.

O exame de próstata sem toque retal consiste na realização de um exame de sangue chamado PSA, que poderá ser acompanhado de uma ultrassonografia pélvica.
Para o exame de PSA basta a retirada de uma pequena quantidade de sangue para análise laboratorial e para a ultrassonografia pélvica é necessário a toma de cerca de 10 copos de água para que a bexiga fique cheia o suficiente para permitir a visualização da próstata. Este exame dura cerca de 10 minutos e pode identificar anormalidades na próstata, garantindo um diagnóstico rápido e preciso.
No entanto, para o diagnóstico do câncer de próstata o médico urologista ou o proctologista poderá indicar o toque retal, pois este exame permite também a biópsia da próstata que consegue detectar com mais facilidade este tipo de câncer.
O exame de próstata é indicado para todos os homens com idade a partir de 40 ou 45 anos, a depender de história familiar positiva.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ejaculação retrógrada

A ejaculação retrógrada é a condição da ejaculação na qual o sêmen, que deveria sair pela uretra, flui em direção à bexiga urinária.
Esta condição possui algumas causas distintas, como:
  • Desordens neurológicas, como esclerose múltipla e traumatismos na coluna;
  • Lesões locais, que pode ser decorrente de cirurgia ou traumatismo;
  • Uso de certos fármacos para o tratamento de distúrbios cardíacos ou para regularizar a pressão arterial.
O indivíduo pode notar que possui algo errado quando, no momento do orgasmo, não há ou há uma menor externação do sêmen. Desta forma, o diagnóstico é feito com base nesse fato, sendo confirmado através de um exame de urina, o qual evidencia a presença de espermatozoides na mesma.
O tratamento pode ser medicamentoso, visando gerar contrações do colo vesical durante a ejaculação, ou ainda cirúrgico. Além disso, o tratamento pode englobar uma terapia comportamental, com objetivo de reduzir a ansiedade e aprender técnicas para controlar o momento da ejaculação.