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sábado, 28 de junho de 2014
BRINQUEDOS DOS ANOS 80 QUE ESTIMULAVAM AS CRIANÇAS
segunda-feira, 26 de maio de 2014
SOFTWARE MUDA CONCEITO PARA ALFABETIZAÇÃO DE DEFICIENTES INTELECTUAIS
A Universidade de
Brasília (UnB) criou – e distribui gratuitamente – uma ferramenta
inovadora para alfabetizar jovens e adultos com deficiência intelectual.
Fugindo de métodos tradicionais e da infantilização, comuns nos materiais convencionais usados nesse processo, o software educacional auxilia os professores a ensinar palavras, expressões e até códigos matemáticos a esses estudantes. Sucesso nas escolas de Brasília, o programa deve ser distribuído no País.
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O Ministério da Educação pretende entregar a ferramenta a mais de 90 mil escolas públicas. Por enquanto, está analisando como distribuir o software. Para os criadores do material, esse trabalho será simples. O programa foi elaborado para rodar em qualquer computador (sem a necessidade de muita memória ou tecnologia muito avançada) e as explicações sobre os exercícios são fáceis.
“Nosso desafio era produzir uma ferramenta que não fosse pesada e pudesse ser usada em computadores mais simples. Nosso objetivo sempre foi distribuir o software gratuitamente às famílias, organizações não-governamentais e escolas”, conta Wilson Henrique Veneziano, professor do Departamento de Ciência da Computação da UnB e coordenador do projeto. Até aqui, ele e a idealizadora pedagógica da ferramenta, Maraísa Helena Pereira, pagaram tudo do próprio bolso.
Maraísa trabalha há 23 anos com alfabetização de adolescentes e jovens com deficiência intelectual. Sentia, no trabalho diário, a falta de materiais mais específicos e menos infantis. “Havia uma lacuna para esse público. Esses estudantes adoram tecnologia, mas não sabem o significado das letras do teclado, por exemplo. Eles querem se comunicar. Comecei a desenhar as primeiras com base na minha experiência prática mesmo”, conta.
Para tirar as ideias do papel, a professora de ensino especial da Secretaria de Educação do Distrito Federal procurou o Departamento de Ciência da Computação da UnB. Veneziano e alguns estudantes do curso de licenciatura em Computação encararam o desafio. “Dois alunos ficaram encantados com a possibilidade de fazer algo diferente para a conclusão do curso. Não é uma monografia que fica na prateleira e não tem valor social prático”, ressalta Maraísa.
Alfabetização social
Apelidado de Participar, o primeiro software construído por eles ficou pronto em 2011. Aos poucos, Maraísa começou a utilizar a ferramenta com seus alunos e apresentar a outros colegas. Logo, várias escolas públicas da capital estavam utilizando o material como apoio às aulas (hoje, são 750). As Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de todo o país distribuíram aos colégios especializados vinculados a elas.
A nova versão do programa, lançada neste início de ano, oferece mais lições e exercícios, que ensinam os estudantes a compreender as letras do teclado, formar palavras e os estimulam a bater papo com outros jovens, participar de redes sociais. Todas as atividades são sugeridas em mais de 600 vídeos gravados por estudantes com Síndrome de Down. “Eles se enxergam como pares e se sentem capazes também, já que quem está passando a lição é outro colega”, comenta Maraísa.
A proposta dos criadores do programa é contribuir, sobretudo, para a inserção social desses jovens. A pedagoga faz questão de ressaltar que a ferramenta não é para “letramento” dos alunos, mas para inserir o estudante em uma vida social e no mundo da tecnologia. “É uma comunicação alternativa. Queríamos que eles participassem do mundo”, diz. Nas escolas do DF, as tarefas são feitas no contraturno das aulas regulares. Todas as atividades têm orientações para os professores.
A nova versão do Participar possui lições de acentuação e pontuação. Um novo software, o Somar, também será lançado em breve para ajuda-los a aprender matemática. De novo, a proposta é colocá-los em condição de participar da vida prática. “É uma ferramenta construída com, por e para os alunos. Mas não tinha noção que pudesse ter tamanha repercussão. Além das três mil Apaes que já usam o material, o MEC agora quer distribuir para mais escolas. Nosso objetivo era atingir quem precisa”, afirma a pedagoga.
Na opinião de Maria Margarida Romeiro Araújo, mãe de um dos atores que gravaram os vídeos, o material precisa se espalhar. Ela e o filho, Antonio Araujo da Silva Filho, 34 anos, visitam escolas e divulgam a ferramenta. “A coisa mais importante na vida de uma pessoa é a alfabetização. O Tonico tem qualidade de vida, uma vida social, por causa disso. Procuro colaborar ao máximo, porque o método é excelente e nem todas as crianças tiveram a oportunidade do Tonico para aprender”, diz.
Ao contrário do que se fazia à época do nascimento de Antonio, o Tonico, Margarida nunca escondeu o filho do mundo. Procurou todas as atividades – terapia, equoterapia, fonoaudiologia, psicomotricidade, fisioterapia – possíveis para ajudá-lo a se desenvolver. “Eu fiz o contrário. Contava pra todo mundo, para descobrir as melhores atividades. O Tonico estudou até a 8ª série. Hoje, ele pinta, vende os próprios quadros, tem conta no banco, usa o próprio cartão”, fala.
Futuro
Qualquer interessado pode fazer o download do programa no site http://www.projetoparticipar.unb.br/. Em breve, o Somar também estará disponível. Alguns países africanos de língua portuguesa solicitaram a utilização do material e, em audiência com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ele sugeriu que a ferramenta fosse traduzida para o espanhol e partilhada com outros países da América Latina.
Veneziano garante que a metodologia tem potencial para ser expandida em mais versões que permitam uma alfabetização completa desses jovens. A limitação agora é financeira. Os dois professores já chegaram ao limite do que poderiam gastar do próprio bolso com o projeto. “A gente precisa que o governo assuma isso para dar continuidade. O mais caro foi feito”, pondera Maraísa.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
MEDITAÇÃO PODE RETARDAR A PROGRESSÃO DO ALZHEIMER E DEMÊNCIA
Grupo que meditava
melhorou significativamente a conectividade funcional nas áreas da rede
de modo padrão, além de apresentar menor atrofia do hipocampo
Segundo a pesquisadora Rebeca Erwin Wells, autora do estudo, eles já sabiam da grande relação entre o estresse e a doença de Alzheimer. Além disso, ela destaca como outra razão fundamental para desenvolver a pesquisa o fato de que aproximadamente 50% das pessoas diagnosticadas com comprometimento cognitivo leve — estágio intermediário entre os declínios comuns do envelhecimento e a deterioração cognitiva — podem desenvolver a demência em cinco anos.
Pesquisa avaliou adultos entre 55 e 90 anos
Para chegar aos resultados do estudo, Rebeca, que é neurologista do Centro Médico Wake Forest Baptist (BIDMC), avaliou adultos entre 55 e 90 anos da Unidade de Neurologia Cognitiva do BIDMC, sendo que 14 deles tinham o diagnóstico de transtorno cognitivo leve.
Os voluntários foram divididos aleatoriamente em dois grupos: aqueles que participaram da redução de estresse pela meditação e yoga, e os outros que receberam cuidados normais. Os do primeiro grupo se reuniram duas vezes por semana, durante dois meses, além de participar de um retiro que durou o dia inteiro e serem encorajados a continuar a prática em casa, por cerca de 15 a 30 minutos diários.
Os participantes foram submetidos, no começo e no final da pesquisa, a ressonâncias magnéticas funcionais (fMRI), a fim de determinar se houve quaisquer alterações nas estruturas do cérebro ou na atividade cerebral. A neuroimagem foi realizada no Hospital Geral Massachusetts Martinos Center.
— Nós estavamos particularmente interessados em examinar a rede de modo padrão (DMN) — sistema do cérebro envolvido quando as pessoas se lembram de eventos passados ou imaginam o futuro, por exemplo — e no hipocampo, parte responsável pelas emoções, aprendizado e memória, que é conhecido por atrofiar quando as pessoas tem o comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer — explica Rebecca.
Os resultados do estudo demonstraram que o grupo que meditava melhorou significativamente a conectividade funcional nas áreas da rede de modo padrão, além de apresentar menor atrofia do hipocampo.
Apesar de também terem sido feitos testes de memória, os pesquisadores não conseguiram ver as diferenças entre os grupos nesse quesito. No entanto, Rebeca e seus colegas relataram que a maioria dos dados sugerem uma tendência para a melhoria de medidas de cognição e bem-estar.
Embora seja um estudo pequeno e mais pesquisas sejam necessárias, eles estão muito animados com os resultados.
— Se a meditação pode ajudar a retardar os sintomas de declínio cognitivo, mesmo que pouco, pode contribuir para melhorar da qualidade de vida de muitos pacientes — afirma Rebecca.
Os resultados foram publicados online no Neuroscience Letters, periódico com notícias referentes a neurociência.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
VOCÊ PODE JOGAR WII NA CORÉIA DO NORTE... PARA FISIOTERAPIA
A imagem foi publicada
pela agência oficial de notícias da Coreia do Norte para divulgar a
inauguração de um hospital em Pyongyang.
O
mundo não sabe muito sobre o que acontece na Coreia do Norte, como as
pessoas vivem e o que elas fazem. Uma coisa que podemos provar, no
entanto, é que pelo menos uma cidadã norte-coreana já jogou um Nintendo
Wii.
Na foto, uma mulher norte-corana joga Ping Pong no Wii Sports Resort. Há também uma Wii Balance Board na frente da televisão.
A
imagem foi publicada pela agência oficial de notícias da Coreia do
Norte para divulgar a inauguração de um hospital em Pyongyang. É um
hospital bem moderno, cheio de equipamentos para fisioterapia, como você
vê nas imagens divulgadas abaixo:
Vamos
recapitular a relação entre a Coreia do Norte e videogames. Em 2008,
nós tivemos a oportunidade de ver um fliperama na Coreia do Norte. Era
meio deprimente, mas pelo menos eles tinham um gabinete de Mônaco GP.
Aí, no ano passado, fotos de um novo fliperama na Coreia do Norte foram divulgadas pelo governo.
Não, essas fotos não são armadas. Essas fotos não são peças de propaganda. Elas são completamente naturais.
O Wii é usado normalmente para tratamento de fisioterapia nos Estados Unidos. O console, no entanto, não foi oficialmente lançado na Coreia do Norte.
O Wii é usado normalmente para tratamento de fisioterapia nos Estados Unidos. O console, no entanto, não foi oficialmente lançado na Coreia do Norte.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
EXAME DA MARCHA BENEFICIA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA MOTORA
Benefícios para crianças que apresentam deficiência motora em decorrência de paralisia cerebral.
O exame, considerado de alta complexidade e de alto custo, é realizado no Laboratório de Marcha, o primeiro do sul do Brasil e o único a prestar serviços exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O investimento é de aproximadamente R$ 1 milhão, e os encaminhamentos são feitos pelas regionais de saúde e hospitais credenciados ao sistema.
“Em três anos, foram investidos R$ 39 milhões na aquisição de equipamentos para os hospitais do Governo do Paraná, incluindo um tomógrafo para o Centro Hospitalar de Reabilitação”, explica o superintendente de Unidades Hospitalares Próprias, da Secretaria da Saúde, Charles London.
EQUIPE – O Laboratório de Marcha do CHR é operado com equipe multidisciplinar composta por médicos ortopedistas, fisioterapeutas e engenheiro mecatrônico. O ortopedista pediátrico Alessandro Melanda afirma que o exame dura em média quatro horas e são necessárias 12 horas para ser finalizado.
Depois do exame propriamente dito, é necessária a compilação dos dados e a elaboração do laudo tridimensional (3D) capaz de nortear o tratamento ortopédico do paciente. “O exame avalia todos os movimentos do corpo e proporciona mais assertividade para o tratamento, seja ele com fisioterapia, medicamento ou cirurgia”, explica o médico.
A médica ortopedista pediátrica Ana Carolina Pauleto informa que, além das crianças com paralisia cerebral, podem ser beneficiados amputados, pacientes com problemas neurológicos (com sequelas de AVC) e motores. “Este é um exame complexo, que deve ser indicado a partir de rigorosa avaliação clínica”, diz a médica. Mais de 80 exames como este já foram realizados no Paraná.
SOLUÇÃO – Quem observa Rafaely, em sala de aula, brincando com os colegas, não imagina que antes de 2011, esta atividade era quase impossível para a menina. As pernas tortas faziam com que Rafaely se locomovesse com dificuldade e sem equilíbrio.
Em 2011, ela foi submetida ao exame da marcha no Centro Hospitalar de Reabilitação. “A Rafaely foi uma das primeiras crianças a se beneficiar com este exame”, afirma a mãe, Telma Valoto Gonçalves. Do exame veio a indicação para a cirurgia reabilitativa que permitiu que a menina andasse normalmente.
“Hoje ela tem uma vida normal. Cursa o terceiro ano do ensino fundamental em uma escola municipal de Araucária. Brinca com as crianças da escola sem nenhuma dificuldade”, disse. Também é aluna aplicada, gosta de matemática e de ler livros na biblioteca do colégio.
ESPERANÇA – Gustavo nasceu prematuro e teve paralisia cerebral por intercorrências durante o parto. Os pais do menino, Gilmar Grillanda, 46 anos, e Maria Izabel Wendler Grillanda, 40 anos, contam que o menino começou o tratamento quando tinha 6 anos e que já evoluiu muito, porém ainda não caminha com segurança. “Este é o primeiro exame deste tipo a que temos acesso. O Gustavo é muito esforçado e com certeza vai reagir bem aos novos tratamentos, que forem indicados com o resultado deste exame”, afirma o pai.
O maior desejo da família é que Gustavo fique mais independente e possa brincar com os irmãos e amigos, inclusive com o irmão gêmeo Guilherme, que não tem paralisia cerebral. A família de Gustavo mora em São Pedro do Ivaí e o menino faz tratamento em Londrina, no Norte do Estado.
ALTERG – ESTEIRA ANTI-GRAVIDADE PARA A FISIOTERAPIA
Dentre muitos equipamentos evoluídos encontra-se a esteira anti-gravidade para auxiliar nas reabilitações
A tal máquina que ele usa chama-se AlterG, que o próprio fabricante alega ser uma esteira anti-gravidade que reduz os impactos sobre o corpo, permitindo uma recuperação menos dolorida e mais rápida. Utilizando um mecanismo que cria uma bolha de ar em torno do paciente, é possível reduzir o seu próprio peso a até 20% do total após a calibragem. Isso significa que uma pessoa de 80kg consegue correr de maneira que a pressão e impacto exercidos sobre seu corpo equivalem ao de uma pessoa de 16kg. Muito menos esforço, menos impacto, menos riscos de novas lesões e sem dores.
As aplicações são diversas,como Mal de Parkinson, um tri-atleta recuperando-se de lesão, dentre outros. Novak Djokovic, também tenista, já andou investindo em tecnologia de ponta e tratamentos revolucionários para recuperação do seu corpo após grandes esforços. Segundo as informações que circulam pelo circuito do tênis, ele utiliza uma câmara hiperbárica para se recuperar.
são máquinas incríveis que podem ajudar milhares de pacientes com deficiências diversas ou que precisam de recuperação de traumas, lesões e doenças. Para o esporte, fico em dúvida se isso não seria uma espécie de doping tecnológico, considerando que são equipamentos caríssimos e poucos atletas tem condições financeiras de adquirir uma. Os atletas de ponta, obviamente mais ricos poderão conquistar ainda mais vantagem sobre os seus adversários menos abastados financeiramente.
Para saber mais detalhes sobre o funcionamento desse equipamento, basta acessar o site do fabricante. Segundo os próprios, trata-se de uma revolução no tratamento e recuperação de pacientes de forma mais rápida, eficaz e menos dolorosa.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
FISIOTERAPIA EM REABILITAÇÃO CARDIOVASCULAR
Esclareça suas dúvidas sobre fisioterapia na Reabilitação Cardiovascular
O programa de Reabilitação Cardiovascular é um conjunto de atividades necessárias para garantir e melhorar a condição física, mental e social das pessoas que possuem algum nível de limitação ou incapacidade funcional relacionada com as doenças cardiovasculares. As doenças como infarto do miocárdio, doenças coronarianas, insuficiência cardíaca, doenças valvares, cardiopatias congênitas e doenças das artérias e veias podem ser tratadas com este tipo de procedimento.
II. A Fisioterapia faz parte desse conjunto de atividades?
SIM, a Fisioterapia é parte integrante e importante nesse processo, pois atua em diferentes fases, e tem como objetivo principal proporcionar o desenvolvimento e a manutenção da capacidade de realizar exercícios físicos. Essas atividades são realizadas pelo Fisioterapeuta Cardiorrespiratório e a intensidade e a frequência dependerá do estado clínico dos pacientes que a realizarão.
III. Onde e como o FISIOTERAPEUTA CARDIORRESPIRATÓRIO atua no processo de Reabilitação Cardiovascular?
O Fisioterapeuta Cardiorrespiratório atua nos hospitais, dentro da unidade de terapia intensiva (UTI), junto aos pacientes que tiveram infarto do miocárdio ou foram submetidos a procedimentos cirúrgicos (“ponte de safena”, angioplastia). Nesses casos o tratamento objetiva prevenir as possíveis complicações do infarto ou da cirurgia e promover a readaptação do paciente às atividades físicas básicas, como as empregadas na locomoção, alimentação e higiene. Quando o paciente vai para a enfermaria são incluídos outras atividades, como os treinos de caminhada, resistência, equilíbrio e alongamento. Tudo é realizado para que o paciente possa retomar suas atividades cotidianas com segurança. O Fisioterapeuta Cardiorrespiratório também atua em clínicas e ambulatórios
IV. Quais atividades podem ser realizadas pelo Fisioterapeuta Cardiorrespiratório em clínicas ou ambulatórios?
Quando os pacientes saem do hospital, eles são orientados a permanecer realizando o recondicionamento físico em clínicas de fisioterapia ou ambulatórios. Os Fisioterapeutas Cardiorrespiratórios podem, então, realizar diferentes tipos de testes para avaliar a capacidade de realizar estes exercícios físicos. Alguns desses testes são realizados em conjunto com médicos cardiologistas e pneumologistas, e de acordo com os resultados encontrados são elaborados programas individuais de recondicionamento físico para que o paciente alcance seus objetivos de maneira segura e no menor período de tempo possível. No programa de recondicionamento físico são aplicados exercícios físicos do tipo aeróbio, como caminhada, corrida, ciclismo e atividades em piscinas, bem como exercícios de alongamento, fortalecimento muscular, equilíbrio e coordenação, que podem ser realizados individualmente ou em pequenos grupos.
V. Que atividades são realizadas para complementar o programa de recondicionamento físico na REABILITAÇÃO CARDIOVASCULAR ?
Para complementar as atividades de recondicionamento físico, são programadas atividades educacionais que objetivam a orientação dos pacientes e seus familiares em relação às doenças, aos hábitos de vida e fatores de risco, a inatividade física, o estresse, a alimentação e o hábito de fumar.
VI. O que determina o sucesso de um PROGRAMA DE REABILITAÇÃO CARDIOVASCULAR?
O sucesso da REABILITAÇÃO CARDIOVASCULAR depende das mudanças ocorridas nos hábitos de vida e na maior autonomia alcançada pelos pacientes para a realização de atividades físicas. Se as atividades são realizadas de maneira segura e eficaz, os pacientes apresentam uma maior chance de retornar às atividades habituais, sejam elas sociais ou relacionadas ao trabalho.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
PROFESSORA CRIA JOGO PARA FISIOTERAPIA APÓS CÂNCER DE MAMA
Software estimula
movimentos das pacientes por meio de um sensor. Jogo de videogame deve
ser disponibilizado no mercado gratuitamente.
O projeto foi desenvolvido em parceria com a Universidade Mackenzie durante o ano passado pela professora Izabela Mendes, de 24 anos, e já atendeu cerca de 20 mulheres de forma gratuita no Departamento de Fisioterapia. O objetivo da professora é colocar o jogo no mercado de forma gratuita, mas ainda não há previsão para quando isso irá ocorrer.
“Queria desenvolver algo diferente na linha de reabilitação e mulheres com câncer de mama precisam muito de um tratamento interdisciplinar”, afirmou a Izabela. O novo método também guarda em uma base de dados toda a evolução da paciente. “O jogo é dinâmico e ela [a paciente] vê a própria projeção na tela. Eu programo os movimentos e ela vai brincando”, diz.
Além do software para videogame, também foi desenvolvida uma manta de vibração complementar ao jogo. O item é envolvido no braço das pacientes e contribui para fortalecer músculos e movimentos. “As pacientes tiveram diminuição da dor, aumento na ampliação do movimento, no sinergismo muscular e força, além de melhoria na própria qualidade de vida”, explicou a professora.
Resultados
Para quem realizou as sessões de fisioterapia, o jogo já apresentou resultados positivos. A aposentada Leila Tenório de Oliveira, de 48 anos, retirou a mama após um câncer descoberto em 2008. Desde então, ela realiza fisioterapia convencional, mas foi após realizar tratamento com o software no ano passado que as dores diminuíram de vez.
“Pra mim foi muito bom em relação ao braço. Diminuiu bastante a dor e consegui até dormir melhor à noite. Temos nossos limites, mas vi que dá para ir além. O jogo ameniza muito a dor e foi melhor do que a [terapia] convencional”, afirma a paciente.
Os projetos estão em fase de registro e devem ser colocados no mercado em breve. De acordo com a Izabela, o jogo para fisioterapia está em fase de atualização da sua segunda versão, que deve ser disponibilizada para download gratuito, facilitando o tratamento em casa.
Registro
Estudo divulgado pelo Ministério da Saúde estima que haverá 576.580 novos casos de câncer diagnosticados no país este ano. Entre os que devem ter maior incidência, estão os de pele, próstata e mama, segundo o ministério.
A previsão, de acordo com o governo, é que o tumor de pele não melanoma, considerado o mais frequente na população feminina e masculina, atinja 182 mil pessoas no próximo ano, equivalente a 31,5% do total.
Na sequência, segundo a previsão do ministério, são esperados, aproximadamente, 69 mil novos casos de câncer de próstata. Em relação às mulheres, segundo o estudo, o câncer de mama deve atingir mais de 57 mil casos.
domingo, 20 de abril de 2014
TETRAPLÉGICOS SUPERAM LIMITES, VIRAM ARTISTAS E ATÉ VOLTAM A ANDAR
Lesões nas vértebras
cervicais, como ocorreu com a ginasta brasileira Laís Souza, podem
paralisar todo o corpo e exigir o uso de aparelho para respirar. Veja
alguns casos de pessoas que superaram limites.
Uma
ação que transforma no segundo de um flash, que se tivesse as
consequências previstas sem dúvida seria evitada e que se fosse
reversível seria menos dolorosa. Uma queda, um salto ou uma
ultrapassagem mal sucedida que pode custar a vida e, quando não,
modifica toda a perspectiva que existia até então. A atleta Laís Souza
não poderia imaginar o que se sucederia ao aceitar o convite da
Confederação Brasileira de Desportos na Neve para treinar esqui aéreo e
competir pela primeira vez na Olimpíada de Inverno. No dia 27 de
janeiro, após sete meses de treinamento, ela sofreu um acidente na
atividade, fraturou a terceira vértebra cervical e corre o risco de
nunca mais mover braços e pernas, de ficar tetraplégica.As lesões mais comuns no Brasil são nas vértebras C5, C6 e C7 e quanto mais “alta” for a fratura, mais grave é o prognóstico, de acordo com o ortopedista especialista em coluna do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas, Alexandre Fogaça. Quando o comprometimento acontece acima da C4, como no caso de Laís, a pessoa pode perder também o movimento do diafragma, que é o principal músculo do sistema respiratório, explicou a fisiatra Ana Luiza Baptista, da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR). Nesses casos, é preciso o uso de um marca-passo que vai estimular a contração do órgão e ajudar na respiração, disse Ana.
As lesões nas primeiras vértebras da coluna são gravíssimas e é comum levarem a óbito pela interrupção da respiração. Uma história que comoveu o mundo na década de 1990 foi o acidente do ator Christopher Reeve, que fraturou as C1 e C2 praticando hipismo. O Super-Homem, invencível e cheio de poderes na vida ficcional, passou os quase dez anos de vida após o ocorrido respirando por aparelhos e morreu sem realizar o sonho de voltar a andar, aos 52 anos. Com menos holofotes, a ex-ginasta Lígia Fonseca, 29 anos, também sobreviveu a uma lesão na C1. “Meu ex-técnico ficou fazendo respiração boca a boca em mim por sete minutos seguidos. Na época, nenhum médico acreditava que eu sobreviveria”, contou.
Lígia dava aulas e competia na modalidade ginástica artística. Naquela tarde de 2002 ela estava treinando para uma disputa em Brasília. “Eu estava fazendo um exercício nas paralelas assimétricas e quando fui fazer a saída, minhas mãos escorregaram e eu caí de cabeça”, relatou. Ter sobrevivido foi um milagre, mas a vida da ginasta que praticava atividades todas as tardes e noites mudou por completo: ela perdeu a voz, não move ou sente nada abaixo do pescoço, e os saltos e acrobacias agora só assiste pela TV. “Às vezes dá vontade de sair correndo (...). Deus me deu a oportunidade de ficar com as pessoas que me amam e aprender que a gente, para ser feliz, precisa de muito menos coisas, precisa de amor”, contou.
- Lígia Fonseca, 29 anos – ex-ginasta, perdeu todos os movimentos abaixo do pescoço
Eu estava treinando ginástica artística à tarde, porque à noite viajaríamos para Brasília, para uma competição. Eu estava fazendo um exercício nas paralelas assimétricas e quando fui fazer a saída, minhas mãos escorregaram e eu caí de cabeça. Lesionei a C1, fiquei tetraplégica e respirando através de um marca-passo diafragmático, não vivo sem ele.
Na época, nenhum médico acreditava que eu sobreviveria porque a lesão que eu tive é raríssima e quase todas as pessoas morrem. A minha sorte foi que Deus quis que eu ficasse aqui por mais um bom tempo. Tive um resgate rápido e meu ex-técnico ficou fazendo respiração boca a boca em mim por sete minutos seguidos. Eu não mexo nenhuma parte do meu corpo e não sinto nada do pescoço para baixo.
Tive o melhor tratamento no Hospital Sarah, em Brasília. Eles preparam os deficientes físicos para viver o melhor possível nas condições em que estamos. Fizeram um mouse para mim, consigo mexer no computador sozinha e pude me formar em marketing à distância.
Eu tive depressão, tinha vergonha de sair de casa, mas tive ajuda dos médicos e de outros deficientes que se tornaram grandes amigos. Comecei a pintar por causa de uma grande amiga, a Eliana Zagui, que conheci no Hospital das Clínicas, em São Paulo, ela mora lá. A pintura é tudo na minha vida. É fazer alguma coisa sem precisar de alguém. Eu também adoro assistir a quase todos os tipos de esportes e faço fisioterapia.
A gente tem que dar muito valor para a vida, porque de uma hora para outra, você pode perder tudo. Às vezes dá vontade de sair correndo, mas passa logo. Deus me deu a oportunidade de ficar com as pessoas que me amam, continuar com meus amigos de verdade e aprender que a gente, para ser feliz, precisa de muito menos coisas. Precisa de amor e eu sou eternamente grata pela família que eu tenho."
As quedas são responsáveis por 23% dos casos de tetraplegia no Brasil, de acordo com dados de atendimento da ABBR. A violência, como ferimentos por arma de fogo, lidera como causa da paralisia, chega a representar 40% dos episódios. Acidentes automobilísticos e atropelamentos são responsáveis por 28% das ocorrências, mergulho por 7% e causas tumorais, vasculares, degenerativas, infecciosas ou inflamatórias somam 2%, segundo a associação. A incidência no mundo, de acordo com o ortopedista especialista em coluna do Centro de Qualidade de Vida de São Paulo, Henrique Noronha, é de 50 casos a cada um milhão de pessoas, com predomínio em áreas urbanas. “A lesão na coluna acontece mais em homens, na proporção de quatro para um, na faixa etária entre 15 e 40 anos”, informou.
Logo após a lesão, começam os sintomas da tetraplegia, disse Fogaça. A blogueira Denise Ferreira ainda lembra dos primeiros momentos após o acidente que a fizeram se dar conta de que havia algo errado. Lojista, eram poucos momentos que ela conseguia folga, mas ganhou descanso em um final de semana e decidiu viajar com o namorado para Iguape, no sul do Estado de São Paulo. “Estávamos atrás de um ônibus que deu sinal de passagem, mas quando fomos para a outra pista estava vindo um carro, no susto ele (namorado) puxou o volante e perdeu o controle do carro. Eu fui jogada para fora, pela janela”, relatou. Consciente, ela tentou ir atrás das outras pessoas que estavam no veículo, mas seu corpo não respondia mais.
Denise teve uma lesão medular nas C6 e C7. Ela passou a ser completamente dependente, a usar fraldas e não conseguir nem ficar sentada sem se desequilibrar. O casal entrou em depressão, mas com tratamentos terapêuticos e medicinais, ela recuperou os movimentos dos braços, os dois ficaram noivos, Denise começou a modelar e criou o blog de moda Vou de Saia. Fogaça explicou que existem lesões de diferentes gravidades. Quando é incompleta, como no caso de Denise, a reabilitação é mais satisfatória. “A melhora varia desde aumento de força assim como recuperação da capacidade de marcha com ou sem apoio de órteses”, disse o médico Noronha.
Ele voltou a andar
Talvez o nome de Messias Fernandes de Oliveira, 32 anos, seja apenas uma coincidência, mas como ele mesmo intitulou sua biografia Renascendo de um Mergulho, sua história foi considerada um “milagre” para a medicina. Aos 14 anos, ele pulou de uma cachoeira e bateu a cabeça: “perdi os movimentos na hora, acordei e estava submerso”. Messias fraturou as vértebras C3, C4, C5 e C6, recebeu socorro sem imobilização do pescoço, passou por três hospitais e escutou que seu caso era “irreversível”.
Na ABBR, ele descobriu que precisava fazer uma cirurgia para realinhar a coluna. “Minha família é humilde e precisamos fazer campanha para comprar a placa e os materiais”, lembrou. Messias passou seis meses com as vértebras lesionadas e desalinhadas. Conseguiu um médico para lhe dar a chance de se reabilitar e depois da operação teve uma melhora “milagrosa”. Messias demorou anos, mas conseguiu voltar a movimentar os braços e, não obstante, a caminhar. “Todas as vezes que eu caía, levantava de cabeça erguida e continuava”, disse. O acidente o transformou em um psicólogo que ajuda pessoas com dramas semelhantes. “O valor do outro não está no corpo dele ou dela, mas no caráter e no amor”, contou sobre a lição aprendida.
Messias voltou a andar com um pouco de dificuldade, Denise conquistou os movimentos dos braços e se tornou blogueira e empresária, Lígia se formou em marketing e mexe no computador sozinha com um mouse adaptado. Os níveis de dependência variam, mas todos se redescobriram. “Eu tive depressão, tinha vergonha de sair de casa”, comentou. Mas ela entrou para uma associação de artistas que pintam com a boca e os pés. “Me senti mais livre e independente quando passei a pintar. É fazer alguma coisa sem precisar de alguém”, contou Lígia.
- Marcelo da Cunha, 44 anos – designer gráfico, recuperou parte do movimento dos braços
"Eu gostava de praticar esportes, participei duas vezes da São Silvestre e era desenhista gráfico. Sofri o acidente aos 21 anos em um mergulho em uma cachoeira de seis metros, no Rio de Janeiro, em 1991. Caí de cabeça no banco de areia e perdi os movimentos na hora. Fraturei a C5 e C6.
Inicialmente, coloquei tração e depois retornei ao Rio de Janeiro, onde fiquei sete meses internado na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR). Fiz cirurgias, passei pelo período traumático e fiz fisioterapia, mas não tive tanta melhor como eu imaginava.
Logo depois da lesão perdi todos os movimentos do pescoço para baixo. Com o tratamento, ganhei movimento de braço, mas não tenho movimentos nos dedos nem na mão. Consigo comer e escovar os dentes sozinhos, mas tudo com objetos adaptados. Não consigo levantar da cama sozinho, dirigir e toda a minha vida é adaptada. Ficar tetraplégico foi bastante traumático, principalmente porque sempre tive dificuldade em depender das pessoas, não foi fácil. Tivemos que reaprender tudo.
Nos primeiros três anos veio a depressão, revolta e questionamentos. Foi a pintura que me ajudou, porque o que mais me deprimia era não ter vida produtiva e a arte permitiu isso. Graças à tecnologia, hoje eu utilizo computadores e existem cadeiras motorizadas que na época não existiam em grande oferta. Me casei aos 35 anos, é minha mulher que me ajuda em tudo e tenho uma vida sexual normal. Sou escritor e palestrante, isso tudo auxilia na minha autoestima.
Levo a vida com otimismo, muita fé e acredito que é possível ser feliz mesmo com todas as limitações. É importante aceitar as limitações e adaptações, porque não consigo mesmo fazer as mesmas coisas de antes. Leio, escrevo, saio e viajo, tenho uma vida muito produtiva e faço exposições."
“Não consigo levantar da cama sozinho, dirigir e toda minha a minha vida é adaptada. Ficar tetraplégico foi bastante traumático, principalmente porque sempre tive dificuldade em depender das pessoas”, relatou o designer gráfico Marcelo da Cunha, 44 anos. Ele bateu a cabeça em um banco de areia ao saltar em uma cachoeira, aos 21 anos, no Rio de Janeiro. “Perdi os movimentos na hora, fraturei as C5 e C6”, lembrou. Com tratamento, Marcelo ganhou movimento nos braços, mas não nos dedos. Por isso, consegue comer e escovar os dentes sozinho com objetos adaptados; foi a pintura que o tirou da depressão e revolta por sua nova condição.
“O que mais me deprimia era não ter vida produtiva e a arte me permitiu isso”, disse. O designer entrou como bolsista para a Associação dos Pintores com a Boca e os Pés 10 anos após o acidente e hoje é membro da instituição, que conta atualmente com 49 artistas no Brasil e mais de 815 no mundo. Quem ingressa da APBP recebe uma bolsa mensal para produzir, segundo Marcelo, e participa de exposições nacionais e internacionais. Além disso, o designer escreveu dois livros, Renascido da Dor e Aceitar é Preciso, dá palestras e participou do documentário Detalhes, de Gabriel Borba.
O português Eduardo Jorge perdeu o controle do veículo, capotou várias vezes e foi arremessado a vários metros de distância. Em 1991, o uso do cinto não era tão difundido e ele estava sem a proteção. Eduardo fraturou as C5, C6 e C7 e recebeu o diagnóstico de “tetraplegia traumática completa”. Ele ficou internado quase um ano, período que passou dia após dia sendo medicado com morfina para suportar as dores da implantação das placas e parafusos usadas na reconstrução das vértebras. Eduardo conseguiu reaver parte do movimento dos braços, mas sua vida nunca mais foi a mesma.
“Não mudei minha visão sobre o mundo e nem me tornei mais ou menos justo e solidário, mas a experiência adquirida me permite compartilhá-la com outras pessoas na minha situação, e dentro do possível ser útil”, disse. Como deficiente físico, Eduardo decidiu atuar por melhores condições para ele e outros tetraplégicos. Passou a estudar a legislação para deficientes, se tornou ativista da causa, e criou os sites Tetraplégicos e Nós Tetraplégicos para compartilhar informações e direitos garantidos por lei. “Se antes eu precisava lutar muito para alcançar os meus objetivos e sonhos, agora preciso lutar muito mais e me superar a cada dia”, contou.
Tratamento não garante melhora
“É importante salientar que o tratamento parte da prevenção: uso do cinto de segurança, cuidados com velocidade, prevenção de quedas e uso de equipamentos de proteção”, reforçou Noronha. A primeira ação após a lesão, descreveu o fisiatra e gerente de reabilitação da AACD Marcelo Ares, é o procedimento de primeiros-socorros para garantia da vida da vítima; em seguida, é a estabilização da coluna. Depois atua a equipe multidisciplinar para inclusão social e adaptação na execução de atividades básicas. “Não se pode ter a ideia de que a terapia recupere, depende de cada paciente. Por isso, o tratamento emocional é de total importância”, disse.
Mara Gabrilli, 45 anos, lesionou as vértebras C3 e C4, ficou internada em um dos hospitais mais tradicionais de São Paulo, o Albert Einstein, fez tratamento em um centro de reabilitação em Boston, nos EUA, e em uma clínica especializada em Pittsburgh, mas não conseguiu recuperar qualquer movimento abaixo do pescoço. Ela estava na estrada com o então namorado. Ele perdeu o controle do veículo, que capotou em um barranco de 20 metros. “Eu fiquei presa nas ferragens, com a cabeça para fora do carro. Sentia uma dor insuportável no pescoço. Enquanto esperava socorro, eu ainda podia mover os braços. Quando acordei, eu já não tinha nenhum tipo de movimento do pescoço para baixo”, relatou.
Mas isso não a impediu de seguir a vida, Mara era formada em psicologia e publicidade na época e, depois do acidente, se tornou deputada federal. “Acho que uma das minhas grandes virtudes foi nunca olhar para trás. Não deixei de viver após o acidente. Fundei uma ONG, continuei a trabalhar, malho todos os dias, vou a festas, gosto de namorar, consegui me eleger vereadora e deputada federal”, contou. Ela usa uma cadeira que a deixa em pé quando quiser e, como não mexe as mãos, utiliza um sistema de voto por leitura facial na Câmara dos Deputados.
- Mara Gabrilli, 45 anos – deputada federal, não move o corpo abaixo do pescoço
"Eu costumo dizer que “tive a sorte” de sofrer o acidente quando já era formada em publicidade e psicologia. O acidente aconteceu em agosto de 1994. Estava voltando de uma viagem de final de semana para o litoral paulista, com meu ex-namorado. Na volta, na serra entre Ubatuba e Taubaté, o Paulo estava correndo muito. Havíamos brigado e sempre que isso ocorria, ele gostava de acelerar o carro. Ele perdeu o controle do carro, que rodou na pista e caiu cerca de 20 metros barranco abaixo, capotando.
Tive fraturas nas vértebras C3 e C4 da coluna, o que me deixou tetraplégica. Perdi os movimentos do pescoço para baixo. Nos primeiros dias, fiquei sob observação no hospital Albert Einstein. Eu já não me mexia e, além disso, também não conseguia falar, pois fui submetida a uma traqueostomia e só conseguia respirar com a ajuda de aparelhos. Havia risco de continuar assim para sempre. Eu me comunicava através de uma tabela com letras, na qual alguém ia apontando as letras e eu ia fazendo que “sim” ou “não” com a cabeça, letra a letra, até que fossem formadas palavras e frases.
Um tempo depois, quando eu pude respirar sem aparelho e voltar a falar, senti uma sensação de liberdade muito grande. E até por isso, acho que o fato de eu não andar mais não pesou tanto. Após um tempo, quando já tinha condição, fui transferida para os Estados Unidos. Primeiro, para um centro de reabilitação em Boston. Depois, para uma clínica especializada em Pittsburgh, onde fiquei por mais três meses.
Acho que uma das minhas grandes virtudes foi nunca olhar para trás e ficar pensando no que eu perdi após o acidente. Eu sempre batalhei para melhorar. Não deixei de viver após o acidente. Fundei uma ONG, continuei a trabalhar, malho todos os dias, vou a festas, gosto de namorar, fui secretária da prefeitura em São Paulo, consegui me eleger vereadora e deputada federal.
Tenho minha cadeira, que me leva para cima e para baixo, e que é flexível, podendo me deixar em pé quando eu quiser. Na Câmara dos Deputados, como não mexo as mãos, utilizo um sistema pelo qual posso votar através da leitura facial. Sou a maior prova de que ninguém faz nada sozinho. Como não tenho movimento de nada abaixo do pescoço, conto com uma cuidadora 24 horas ao meu lado, para me auxiliar em todas as atividades que faço, desde empurrar minha cadeira até tomar banho."
Qualidade de vida e cura
“Na época da Segunda Guerra Mundial, na década de 1940, 90% dos lesados medulares morriam no primeiro ano após o ocorrido. Vinte anos depois, o índice passou para 35%”, informou Noronha. O entendimento da lesão e aperfeiçoamento no tratamento melhoraram a qualidade de vida dos tetraplégicos, segundo Fogaça. A cirurgia na coluna está mais rápida e o paciente já começa a fazer a fisioterapia logo após o procedimento, existe o marca-passo de diafragma, cadeiras mais adaptadas – “que se movimentam até por comando de voz” – e programas de computadores que permitem navegação sem o uso das mãos, enumerou.
Ana citou a robótica como grande aliada na melhora da qualidade de vida dos tetraplégicos. Mas além da tecnologia assistiva, alguns medicamentos já ajudam na regeneração da medula e existem pesquisas com célula-tronco, citou Ares. Fogaça acredita que novas medidas devem surgir nos próximos 10 anos. O neurocirurgião Barth Green, que está cuidando do caso de Laís, está tentando autorização para fazer o transplante de células nervosas na atleta, para reconectar áreas afetadas e permitir o movimento do corpo. O procedimento já foi aplicado em pacientes paraplégicos.
- Aline Fabiane de Oliveira, 28 anos – teve um tumor na coluna e na cirurgia perdeu os movimentos abaixo do pescoço
"Desde os meus 10 anos eu sentia dores na região do pescoço e ao longo do tempo fui atrás de médicos. Minha vida era normal, eu saía, viajava, namorava, trabalhava. No
Fiz ressonância e descobri um tumor nas vértebras cervicais. Como podia passar para a lombar e comprometer a parte respiratória, fui operar. O tumor pegava da C1 a C6 e o médico disse que era um milagre eu estar viva. Fui para cirurgia sabendo do risco de perder os movimentos. Conforme os médicos tentavam retirar o tumor, a medula ia junto, cheguei a quase morrer, e só conseguiram retirar um pedaço de 1,5 cm do tumor para biopsia.
Fiquei cerca de 20 dias em coma induzido, foram cerca de dois meses de hospital. Depois da cirurgia saí sem movimentos do pescoço para baixo. Faço exames de imagem a cada um ano para acompanhar, ele não cresceu, apenas tomou outro formato. É um tumor benigno raro que demora a crescer.
Faço fisioterapia três vezes por semana em casa. Preciso de ajuda para tudo: alimentação, higiene pessoal e troca de roupas. Mexo no computador por um programa que foca no meu rosto. Agora tenho um pouco de movimento no braço esquerdo.
Desde que acordei e tive consciência do que aconteceu comigo não chorei, não fiquei revoltada e pensei ‘é o que tem para hoje’. Nunca fui de lamentar. O primeiro ano é difícil, mas tenho minha vida normal dentro das limitações. Vou para estádio de futebol, saio, vou ao teatro e a shows."
quinta-feira, 10 de abril de 2014
FISIOTERAPIA DÁ NOVA PERSPECTIVA PARA PACIENTES COM ESCLEROSE MÚLTIPLA
Tratamento humanizado e exercícios personalizados melhoram a condição motora dos portadores da doença.
A fisioterapia, aliada a medicação, faz parte da rotina de Maria, que leva uma vida normal. “Com a doença controlada, consigo fazer todas as atividades do dia a dia. Cuida da casa, ando de moto, ouço música. Após sofrer algumas crises nestes 10 anos, hoje vivo como qualquer outra pessoa”, conta.
Segundo a fisioterapeuta da Long Life Fisioterapia, Katiara Fernanda Costa, responsável pelas sessões de Maria, o tratamento humanizado é um dos principais cuidados que os profissionais precisam ter na hora de tratar desses pacientes. Ela explica que cada caso é avaliado individualmente e os programas de exercícios são exclusivos.
“O fisioterapeuta, através de uma minuciosa avaliação, avaliará quais as limitações e necessidades do paciente, e desta forma recomendará quais exercícios serão mais ou menos interessantes”, conta.
Controle da doença passa pela fisioterapia
Os problemas causados pela esclerose múltipla se manifestam de diferentes formas, dependendo de cada paciente e do estágio da doença. De forma geral, é comum eles apresentarem fadiga associada à diminuição na força muscular, espasticidade, atáxia e déficit de equilíbrio. Para isso, uma das modalidades utilizadas pela Long Life Fisioterapia é o Pilates. Ele pode ser praticado por todos os pacientes com esclerose múltipla, independente da severidade da doença, salvo situações em que haja alterações cognitivas.
“Exercícios moldados para uma pessoa com esclerose múltipla interferem no seu bem-estar, qualificando as funções existentes e reduzindo as incapacidades já instaladas. Entre os benefícios estão a melhora na circulação e na respiração, ganho ou manutenção da força muscular, aumento na flexibilidade, melhora na correção postural e em alguns casos, evoluções nos tratamentos de incontinências”, avalia Katiara.
Ela lembra ainda que o apoio da família e os cuidados fora da clínica também contam na hora de controlar o problema. Alongamentos globais ativos em casa, exercícios aeróbicos de baixo impacto com acompanhamento, como caminhadas, por exemplo, e os cuidados com as posturas adotadas no dia-a-dia são fundamentais. “É importante o fisioterapeuta orientar os familiares em relação às AVD’s (atividade de vida diárias), quanto mais o paciente as realizar, maior será sua independência”, ressalta.
Maria de Lurdes concorda com a fisioterapeuta e diz que, além das evoluções alcançadas com o tratamento, o apoio da família é fundamental. “Meus filhos me dão muita força pra continuar, estão sempre do meu lado”, finaliza.
domingo, 6 de abril de 2014
RPG E FISIOTERAPIA CONVENCIONAL FAZEM BEM MAIS DO QUE CORRIGIR A POSTURA
Além de lesões, tratamentos combatem labirintite e até pneumonia
Apesar de agir nos casos em que há dor, o RPG é especialmente indicado na correção postural que ainda não chega a atrapalhar a rotina. "Nosso trabalho faz o cérebro repensar os ajustes a que ele está condicionado. Podemos começar com duas sessões por semana até que uma só por mês torna-se suficiente", diz Rik.
Mas, assim como a fisioterapia tradicional, o RPG não trabalha apenas com dores nas costas. "O RPG ajuda o corpo a se livrar da tensão acumulada por problemas emocionais, ajusta o desequilíbrio muscular que incomoda os pacientes com labirintite, melhorando a sensação de vertigem e de tontura e até age no alívio de casos de cefaléia", afirma a fisioterapeuta especializada na técnica. Corrigindo a postura e aliviando a tensão acumulada nos ombros, por exemplo, as dores de cabeça tendem a diminuir.
A fisioterapia tradicional também apresenta uma série de aplicações que vão além dos cuidados após alguma lesão ou o combate dos sintomas de lesões por esforço repetitivo. "Sessões de fisioterapia podem facilitar o trabalho de parto normal, exercitando os músculos do períneo ao longo da gravidez", afirma André Costa, chefe da fisioterapia da unidade Morumbi do Hospital São Luiz. A respiração também é trabalhada nas sessões, ajudando a mãe a sentir menos desconforto na hora do nascimento do bebê.
O estímulo dos músculos do períneo também ajuda pacientes que sofrem coma incontinência urinária. "O problema, que causa vergonha, praticamente desaparece com sessões de fisioterapia", afirma o especialista. No tratamento de problemas pulmonares, esse tipo de acompanhamento faz diferença. André conta que algumas manobras realizadas pelo fisioterapeuta ajudam a limpar a secreção acumulada nos pulmões, acelerando a recuperação. "É uma espécie de massagem, que favorece a eliminação do muco. Nos pacientes mais graves, podemos usar sondas para melhorar os resultados. Mas, muitas vezes, somente as manobras no tórax são suficientes".
Postura alinhada
A fisioterapia tradicional também é aliada da boa postura. Mas, segundo André, ela não é a mais indicada quando o problema não chega a causar incômodo. "O alongamento e fortalecimento dos músculos, conforme trabalhamos, é mais indicado quando há dor ou lesão instalada", afirma. As sessões preventivas, realizadas no ambiente de trabalho, também são uma alternativa em que o método convencional traz respostas positivas, prevenindo dores nas costas e inflamações como a tendinite. A postura desalinhada, segundo ele, tem no RPG um método de correção mais eficiente.
"Quando o paciente está com dor, no entanto, as técnicas tradicionais são muito eficazes. Num caso de inflamação, por exemplo, os aparelhos de eletro-estimulação fazem com que o desconforto desapareça e o paciente realize os movimentos normalmente, acelerando os tratamentos", diz. "Não é que dispensamos os medicamentos, muitas vezes as terapias precisam ser feitas em conjunto. Mas é comum encontrar situações em que os próprios médicos recomendam a reabilitação do corpo somente a partir da fisioterapia, com exercícios e aparelhos capazes de devolver a qualidade de vida ao paciente".
terça-feira, 1 de abril de 2014
FISIOTERAPIA NO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO (IAM)
Saiba mais sobre o IAM que Renato Aragão sofreu.
De acordo com o hospital, o humorista está sob observação e outras informações sobre o caso não serão divulgadas a pedido da família do humorista. De acordo com a revista Contigo, o ator passou mal após a festa de aniversário de sua filha, Livian. Até a divulgação do primeiro boletim médico, às 16h30 deste domingo, a informação era de que Didi teria sofrido uma crise hipertensiva e estaria em observação no hospital para fazer exames.
Ontem, 18/03/2014, o humorista fez uma entrevista para o Jornal Nacional, onde se mostrou muito bem, corado e brincando com uma bola de futebol.
Mas como é a vida de pós infarto?
Até os anos 60-70, recomendava-se repouso de três semanas aos pacientes que se recuperavam de IAM, baseando-se no pressuposto de que o repouso facilitaria o processo de cicatrização do miocárdio. Entretanto, observou-se que o repouso prolongado no leito resultava em alguns efeitos deletérios. O exercício físico pode aumentar a capacidade de função cardiovascular e diminuir a demanda de oxigênio miocárdico para um determinado nível de atividade física.
A
reabilitação na fase aguda do infarto objetiva reduzir os efeitos
deletérios de prolongado repouso no leito, o controle das alterações
psicológicas e a redução da permanência hospitalar.
Além
disso, a longo prazo, o exercício pode ajudar a controlar o hábito de
fumar, a hipertensão arterial, dislipidemias, diabetes mellitus,
obesidade e a tensão emocional. Há evidências de que exercício regular,
realizado por longos períodos, possa influenciar na prevenção da
aterosclerose e na redução de eventos coronários, sendo necessária a
atividade regular para manter os efeitos do exercício. Avaliação médica
adequada, educação e orientação reduzem o risco potencial da atividade
física mais intensa.
Objetivos - O principal objetivo dos programas de reabilitação cardíaca é permitir aos cardiopatas retornar, o quanto antes, à vida produtiva e ativa, a despeito de possíveis limitações impostas pelo seu processo patológico, pelo maior período de tempo possível.
Objetivos - O principal objetivo dos programas de reabilitação cardíaca é permitir aos cardiopatas retornar, o quanto antes, à vida produtiva e ativa, a despeito de possíveis limitações impostas pelo seu processo patológico, pelo maior período de tempo possível.
Poderiam ainda ser apresentados outros três objetivos específicos:
1) restaurar à sua melhor condição fisiológica, social e laborativa pacientes com doença cardiovascular;
2) prevenir a progressão, ou reverter o processo aterosclerótico, nos pacientes coronariopatas, ou em alto risco de vir a desenvolver doença obstrutiva coronariana;
3) reduzir a morbi-mortalidade cardiovascular e melhorar da sintomatologia de angina de peito em coronariopatas. Isto é, aumentar a quantidade e a qualidade de vida.
1) restaurar à sua melhor condição fisiológica, social e laborativa pacientes com doença cardiovascular;
2) prevenir a progressão, ou reverter o processo aterosclerótico, nos pacientes coronariopatas, ou em alto risco de vir a desenvolver doença obstrutiva coronariana;
3) reduzir a morbi-mortalidade cardiovascular e melhorar da sintomatologia de angina de peito em coronariopatas. Isto é, aumentar a quantidade e a qualidade de vida.
Fases de reabilitação no paciente infartado - Considera-se a reabilitação pós-infarto dividida em 3 fases :
Reabilitação fase I - aguda, as atitudes de reabilitação tomadas durante o período compreendido desde o início do evento coronário até a alta hospitalar;
Reabilitação fase II - corresponde àquelas desenvolvidas no período de convalescença, entre a alta hospitalar e o período de 2 a 3 meses após o infarto;
Reabilitação fase III - de recuperação e manutenção, compreende os procedimentos após o 3º mês.
Reabilitação fase I - aguda, as atitudes de reabilitação tomadas durante o período compreendido desde o início do evento coronário até a alta hospitalar;
Reabilitação fase II - corresponde àquelas desenvolvidas no período de convalescença, entre a alta hospitalar e o período de 2 a 3 meses após o infarto;
Reabilitação fase III - de recuperação e manutenção, compreende os procedimentos após o 3º mês.
Estes períodos podem ser variáveis, de acordo com a situação clínica de cada paciente.
Reabilitação fase I - Muitos dos efeitos deletérios logo após o infarto podem ser minimizados aplicando-se estresse gravitacional, colocando o paciente sentado e em pé algumas vezes durante o dia. Embora a redução da capacidade funcional secundária ao repouso no leito possa ser evitada também com exercícios físicos do tipo aeróbico, não há necessidade de que a atividade física seja intensa.
Portanto,
a fase I de reabilitação pós-infarto do miocárdio segue a estratégia de
mobilização precoce, sentando o paciente e colocando-o em posição
ortostática assistida, realizando movimentação passiva das articulações,
complementada, no período mais tardio da internação hospitalar, por
deambulação. O resumo de um programa de reabilitação fase I, orientado
para pacientes que não apresentam complicações é apresentado no quadro
II.
Quadro II - Programa de reabilitação intra-hospitalar (fase I) pós-infarto do miocárdio
Quadro II - Programa de reabilitação intra-hospitalar (fase I) pós-infarto do miocárdio
Nível 1 - Primeiros 2-3 dias na Unidade de Tratamento Intensivo
• Sentar no leito, balançar as pernas, sentar na cadeira ao lado do leito
• Sentar no leito, balançar as pernas, sentar na cadeira ao lado do leito
• Posição ortostática assistida ao lado do leito
• Exercícios passivos no leito
• Alimentação sem ajuda;
• Evacuar sentado ao lado do leito
• Evacuar sentado ao lado do leito
• Banho no leito, higiene pessoal sem ajuda no leito
Nível 2 - De 3 a 5 dias na Unidade Intermediária ou de Internação
• Movimentação ativa de todas as extremidades
• Sentar na cadeira conforme a tolerância
• Deambulação assistida no quarto
• Utilização assistida do banheiro, inclusive banho assistido
Nível 3 - De 4 a 8 dias na Unidade de Internação
• Caminhar no corredor, chegando até 90-100m 2x/dia
• Descer um lance de escadas, retornando de elevador
• Utilização independente do banheiro
As
atividades relacionadas no quadro II são supervisionadas pela equipe de
enfermagem e, em alguns centros, pelas equipes de fisioterapia,
atentando sempre para sinais e sintomas como angina, dispnéia,
tonturas, sinais de baixo débito e arritmias. Recomenda-se que o pulso
não aumente mais do que 20bpm em relação ao repouso. Da mesma forma, a
pressão arterial sistólica deve ser observada, evitando-se hipotensão
postural.
Teste ergométrico na fase aguda do infarto (teste ergométrico precoce)
Teste ergométrico na fase aguda do infarto (teste ergométrico precoce)
Habitualmente
realiza-se um teste ergométrico na fase aguda do infarto (teste
ergométrico precoce), por ocasião da alta hospitalar em pacientes sem
complicações cardiovasculares. Este teste objetiva primariamente a
estratificação de risco e programação da atividade física. Para este
teste devem ser utilizados protocolos especiais que iniciem com pequena
intensidade de trabalho e baixo gasto energético, quantificados em
equivalentes metabólicos de repouso (METS). Para a esteira rolante
sugere-se o protocolo de Naughton e o protocolo de Bruce modificado.
Em cicloergômetro, recomenda-se cargas iniciais de até 30watts, (freqüentemente é desejável começar com carga zero) com incrementos de 10 a 30watts a cada estágio, com duração de 1 a 3 min por estágio.
Em cicloergômetro, recomenda-se cargas iniciais de até 30watts, (freqüentemente é desejável começar com carga zero) com incrementos de 10 a 30watts a cada estágio, com duração de 1 a 3 min por estágio.
Os
quadros III e IV resumem os elementos de contra-indicação e os
critérios de interrupção do teste ergométrico precoce no infarto. O
quadro V descreve a escala de Borg utilizada para avaliação da percepção
da quantidade de esforço pelo paciente. Alguns centros melhor
aparelhados têm realizado a ergoespirometria que faz uma avaliação mais
global do desempenho cardiopulmonar durante o exercício, permitindo
entre outros aspectos, identificar a origem pulmonar ou cardíaca para a
dispnéia de esforço e a determinação do limiar ventilatório, facilitando
sobremaneira a prescrição do exercício na fase II da reabilitação
cardíaca.
Quadro III - Contra-indicações para teste ergométrico precoce no infarto do miocárdio
• Insuficiência cardíaca congestiva
• Angina após infarto
• Arritmia ventricular freqüente (>10/min ou complexas)
• Hipertensão arterial (>180/100mmHg)
• Doenças intercorrentes
• Limitação física (sistema músculo esquelético) e emocional
Quadro IV - Critérios de interrupção do teste ergométrico precoce no infarto do miocárdio
- 80% da freqüência máxima prevista
- Sinais ou sintomas limitantes
- Angina, cansaço excessivo, percepção na escala de Borg (6-20) em 16.
- Arritmia ventricular freqüente ou complexa
- Curva anormal de pressão arterial sistólica. Elevação acima de 220mmHg ou comportamento deprimido (platô ou queda)
- Curva anormal de pressão arterial diastólica. Elevação acima de 110mmHg
- Sinais de insuficiência ventricular esquerda
- Sinais de baixo débito
- Alterações eletrocardiográficas:
Infradesnível anormal do segmento ST de 1mm
Supradesnível do segmento ST de 1mm em regiões sem ondas Q patológicas
Aparecimento de distúrbio de condução AV ou interventricular.
- Medo ou insegurança
Quadro IV - Critérios de interrupção do teste ergométrico precoce no infarto do miocárdio
- 80% da freqüência máxima prevista
- Sinais ou sintomas limitantes
- Angina, cansaço excessivo, percepção na escala de Borg (6-20) em 16.
- Arritmia ventricular freqüente ou complexa
- Curva anormal de pressão arterial sistólica. Elevação acima de 220mmHg ou comportamento deprimido (platô ou queda)
- Curva anormal de pressão arterial diastólica. Elevação acima de 110mmHg
- Sinais de insuficiência ventricular esquerda
- Sinais de baixo débito
- Alterações eletrocardiográficas:
Infradesnível anormal do segmento ST de 1mm
Supradesnível do segmento ST de 1mm em regiões sem ondas Q patológicas
Aparecimento de distúrbio de condução AV ou interventricular.
- Medo ou insegurança
Reabilitação fase II
-
As atividades permitidas e os exercícios preconizados são determinados
com base na capacidade funcional útil, isto é, o consumo de oxigênio ou
seu equivalente em unidades metabólicas (METS) atingidos antes de
surgirem sintomas, alterações hemodinâmicas e ou alterações
eletrocardiográficas no teste ergométrico. A maior freqüência cardíaca
permitida nas atividades físicas e nos exercícios prescritos será aquela
atingida ao se estabelecer a capacidade funcional útil. A utilização da
percepção subjetiva de cansaço moderado (valor 15 da escala de Borg)
pode ser útil para estabelecer o limite.
Quadro V - Escala de Borg
Quantificação Nível de exercício Percepção
6 7 muito, muito fácil
8 9 muito fácil
10 11 fácil
12 13 algo cansativo
14 15 cansativo
16 17 muito cansativo
18 19 muito, muito cansativo
20 exaustivo
Preferentemente
recomenda-se que esta fase seja realizada dentro de um programa formal
de reabilitação cardíaca supervisionado. Na impossibilidade desta
supervisão recomenda-se a caminhada com velocidade compatível com a
capacidade funcional útil e com duração gradativamente crescente,
começando com 10 a 15min e podendo chegar até a 1h, de forma que a
intensidade do esforço não exceda 70 a 80% da capacidade funcional útil.
Princípios
gerais da sessão de reabilitação – A sessão de reabilitação deve
incluir três períodos distintos: aquecimento, fase aeróbica e
desaquecimento:
• período de aquecimento
• período de aquecimento
- consiste de 5min de caminhadas, exercícios de flexibilidade e exercícios localizados de
baixa intensidade e utilizando pequenas massas musculares;
• período aeróbico
-duração
de 20-30min ou mais de atividade física com intensidade constante ou
variada, utilizando grandes grupos musculares (caminhadas, corridas
lentas ou ciclismo);
• período de desaquecimento
- objetiva um retorno gradativo às condições de repouso através de exercício de alongamento
e
caminhadas leves, durando cerca de 5 a 10min. Pode ainda incluir
trabalhos específicos de relaxamento ou de socialização dos pacientes.
A
freqüência mínima preconizada é de 3 vezes por semana. Maior freqüência
de exercícios com menor intensidade aumenta os benefícios e reduz os
riscos de complicações. A morbi-mortalidade durante a reabilitação é
baixa e não há evidências de efeitos adversos na
atividade
física programada. O seguimento das normas de prescrição e a realização
de exercícios sob supervisão minimizam os riscos. A gradação da
intensidade de exercícios é fundamental para evitar lesões
músculo-esqueléticas que podem afetar negativamente a adesão aos
programas ou se tornarem fonte de incapacidade crônica se não forem
tratados adequadamente.
Reabilitação
fase III - A prescrição de exercício segue os princípios gerais
observados na fase II. Dentro desses limites, os pacientes
assintomáticos sem isquemia e sinais de disfunção ventricular esquerda,
devem ser adaptados a níveis mais elevados de intensidade de
atividade
física em menor período de tempo. Algum tipo de monitorização
eletrocardiográfica é necessária para pacientes que apresentem arritmias
desencadeadas ou agravadas pelo esforço e limiar baixo de isquemia
silenciosa. Na presença de isquemia recomenda-se
monitorização por 6-12 sessões até que se estabeleça o nível de tolerância ao exercício.
Nestes
casos o nível de supervisão é normalmente diferenciado, em função da
estratificação de risco, sendo considerada necessária para os pacientes
de risco médio e elevado. Pacientes de baixo risco, aptos a controlarem
adequadamente a quantidade e a intensidade do exercício,
podem dar continuidade ao programa de reabilitação sem supervisão.
Situações especiais - Alguns subgrupos de coronariopatas (revascularizados e pós-angioplastia) vêm sendo progressivamente incorporados aos programas formais de reabilitação cardíaca, apresentando os mesmos benefícios fisiológicos e bases para prescrição do exercício físico discutidos anteriormente. Do ponto de vista prático, existem contudo algumas particularidades que devem ser consideradas nestas situações específicas. Nos pacientes revascularizados deve-se adequar os exercícios, em uma fase inicial, às condições da cicatrização cirúrgica do tórax e dos membros inferiores. Modificações significativas no comportamento fisiológico ou clínico ao exercício físico, como por exemplo, sinais eletrocardiográficos de isquemia ou precordialgia em nível de esforço previamente tolerado,
sinalizam uma possível oclusão de ponte e devem ser prontamente reavaliadas.
Enquanto
a aderência a programa de atividade física, no paciente
pós-angioplastia, não parece alterar a taxa de reestenose, a
possibilidade de ser frequentemente visto por um médico e ter respostas
fisiológicas e clínicas monitorizadas durante o exercício físico, pode
permitir uma rápida e objetiva identificação da presença de reestenose.
Estes dois subgrupos quando bem sucedidos em seus procedimentos e se
possuidores de TE sem evidências de isquemia miocárdica, habitualmente
demandam menor necessidade de programa de exercício
supervisionado sob monitorização eletrocardiográfica.
Aceita-se,
atualmente, que os pacientes com infarto de parede anterior não são
mais sujeitos a efeitos deletérios do exercício do que os pacientes com
infarto em outras áreas do miocárdio. Muito embora, no passado, tenha
sido contra-indicado o exercício físico para pacientes infartados com
disfunção ventricular esquerda, existem evidências de que estes
pacientes não somente podem ingressar em programas de reabilitação
cardíaca, como são os que mais
auferem benefícios fisiológicos, notadamente ao nível da musculatura esquelética.
A
prescrição do exercício físico para o paciente infartado com
insuficiência cardíaca é basicamente semelhante àquela feita para o
paciente infartado com boa função ventricular. Idealmente, a posologia
do exercício nestes pacientes pode ser melhor quantificada a partir da
determinação do limiar anaeróbico obtido através da ergoespirometria.
Em
condições habituais, a observação clínica da presença de dispnéia
induzida pelo esforço é útil para ajustes na prescrição de exercício
físico nestes pacientes.
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