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terça-feira, 8 de julho de 2014

ESTUDO MOSTRA QUE DISGNÓSTICO DO CÂNCER INFANTO-JUVENIL DEMORA ATÉ 8 ANOS



Dados da UFMG alertam para a necessidade de identificação ágil da doença, a que mais mata brasileiros de 1 a 19 anos no país; chances de cura, que são altas, dependem disso
Diagnosticar o câncer infanto-juvenil de forma rápida ainda é um desafio para o país. Dados de um estudo realizado no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostram que alguns pacientes aguardaram até oito anos para descobrir a doença. O câncer infanto-juvenil é raro quando comparado ao adulto, porém é a doença que mais mata crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil.

O Observatório da Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdade de Medicina da UFMG monitorou prontuários dos jovens pacientes do Hospital das Clínicas entre 2004 e 2012. De 488 suspeitas, 364 (74,5%) foram confirmadas. Do total, 42% dos casos eram tumores do sistema nervoso central, que só foram identificados entre quatro e seis meses depois dos sintomas. Para tumores de partes moles (vísceras e epiderme), o tempo foi de sete meses.

“O diagnóstico ainda é tardio, porque o câncer infanto-juvenil é uma doença rara. Não é a primeira hipótese que o pediatra vai levantar e os sinais iniciais da doença são comuns, como febre, dor de cabeça, vômitos, aumento de gânglios”, pondera Karla Emilia de Sá Rodrigues, oncologista pediátrica, professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG e autora da pesquisa.

Segundo Karla, o objetivo do estudo é alertar especialmente os serviços médicos sobre o tema. “Apesar de raro, o câncer já mata mais crianças e adolescentes que desnutrição e doenças infectocontagiosas. Só não perde para causas externas, como violência e acidentes. Já avançamos muito no tratamento e chegamos a índices de cura entre 70% e 80% do câncer entre crianças e adolescentes. Mas isso depende do diagnóstico precoce”, comenta.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) contabilizou, em 2011, 1.288 mortes de jovens de 0 a 19 anos por causa da doença. Do total, 147 ocorreram na região Norte, 365 na Nordeste, 490 na Sudeste, 192 na Sul e 94 na Centro-Oeste. A estimativa é de que 11.530 novos casos de câncer em crianças e adolescentes sejam registrados este ano. Eles representam 3% da incidência total da doença na população brasileira.

Para Isis Quezado Magalhães, diretora técnica do Hospital da Criança de Brasília José de Alencar, referência para o tratamento da doença na capital federal, os médicos generalistas precisam estar atentos e encaminhar qualquer suspeita para um centro de referência. Ela lembra que até a identificação das células malignas depende de um treinamento específico dos profissionais. “Nem sempre é fácil perceber a doença”, diz.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

ROUPA ESPECIAL AJUDA CRIANÇA COM DEFICIÊNCIA



Uma roupa especial em desenvolvimento na UEPA (Universidade do Estado do Pará) vem ajudando crianças com deficiência neuromotora a aprender a se movimentar e a ter uma postura correta.
Esse tipo de roupa já é fabricado no exterior, mas a comercialização no Brasil esbarra no preço: R$ 2.000.

O diferencial da universidade paraense é usar material de baixo custo para produzi-la a R$ 600. Nesse valor estará embutido o material (laicra e anéis de metal), a mão de obra e o pagamento a um profissional que fará os ajustes ao corpo do usuário.

Os primeiros modelos devem ficar prontos ainda neste ano e serão direcionados a crianças de até oito anos. A produção comercial, porém, só deve começar em 2013.
A universidade negocia com uma empresa paulista interessada no negócio.

A roupa está sendo testada em crianças com deficiência neuromotora da Unidade de Referência Especial em Reabilitação Infantil, em Belém.

Uma delas é Rafael, 2, que tem paralisia cerebral e, por isso, apresenta dificuldades para se movimentar e manter a postura correta. Com a roupa, ele tem postura mais firme e, auxiliado por fisioterapeutas, caminha com mais facilidade.

O projeto é da pesquisadora Larissa Prazeres e faz parte do Núcleo de Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade (Nedeta), da universidade. A instituição recebeu R$ 300 mil do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para desenvolver essa e outras pesquisas de acessibilidade.

A roupa biocinética, como foi batizada, possui anéis de metal localizados nas regiões de alguns músculos, como joelho, tronco e quadril. Ela fica justa no corpo e, com isso, corrige a postura. Os anéis metálicos suprem a força que o músculo não tem. Assim, ajudam a executar movimentos e passam ao cérebro informações neurossensoriais.

"É como um computador: vai mandando mensagens corretas para o cérebro, o corpo se ajusta, e o cérebro deleta as mensagens incorretas", explica Ana Irene de Oliveira, coordenadora do Nedeta.

Com o tempo, o cérebro vai assimilando os movimentos corretos para que a roupa não seja mais necessária. A ideia é que ela seja usada diariamente, num trabalho conjunto ao do fisioterapia.

Segundo Leonice Carneiro, fisioterapeuta do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo, em Goiás, o tratamento é indicado para crianças sem deformidades fixas, como torções ósseas ou alterações musculares (músculo encurtado ou com deformidade articular).

"Quanto mais nova ela começa a usar a roupa, maior a eficácia", diz Carneiro.

domingo, 29 de junho de 2014

CONTOS ADAPTADOS EM SALA DE AULA TRABALHA AS DIFERENÇAS



Fisioterapeuta cria contos adaptados para aproximar as crianças do universo das deficiências
Alice no País da Inclusão, Aladown e a Lâmpada Maravilhosa, Branca Cega de Neve. Sim, você conhece essas histórias, mas com títulos diferentes. Inspirado em famosas fábulas infantis e na experiência de 13 anos trabalhando com crianças com deficiência, o fisioterapeuta Cristiano Refosco decidiu criar a própria coleção. Nesta terça, às 19h, ele lançará em Porto Alegre a coletânea Era uma Vez um Conto de Fadas Inclusivo, com 11 livros infantis dedicados ao tema.

"Meu objetivo foi criar uma ferramenta que pudesse aproximar o universo das crianças com deficiência ao daquelas sem deficiência, adaptando os contos para essa realidade. Não sou ilustrador, mas foi sugerido que eu ilustrasse os livros para ter a visão de alguém que trabalha diretamente com essas crianças", relata o fisioterapeuta, que acabou fazendo os desenhos.

Cada livro tem, em média, 20 páginas. Os volumes contaram com o aval do Ministério da Cultura para a captação de patrocínio. Segundo Refosco, apesar de retratarem situações fortes relacionadas aos tipos de deficiência, a inspiração para os contos saiu de histórias com personagens humanos, e tratam essas adversidades de forma leve, com naturalidade. "Elegi os contos mais populares, como Alice no País das Maravilhas e Branca de Neve, para fazer as adaptações. Os personagens que são obrigados a lidar com a deficiência, mas de uma forma natural, foram inspirados em pacientes meus", destaca.

Na versão Chapeuzinho da Cadeirinha de Rodas Vermelha, as dificuldades da protagonista em seu percurso pela floresta fazem com que uma figura inesperada ajude-a, e em Branca Cega de Neve, o olfato superdesenvolvido da personagem altera o desfecho da trama.

Conflitos psicológicos também são explorados nos contos. Em O Segredo de Rapunzel, a jovem das longas tranças "tem medo de que, quando o príncipe encontrá-la pessoalmente, não a queira, em função de sua deficiência", explica o autor.

Com o projeto aprovado junto à Lei de Incentivo à Cultura, Refosco e seus colaboradores foram atrás de patrocinadores que pudessem ajudá-los a captar os R$ 218 mil necessários para lançar a coleção, que também conta com um CD com a audiodescrição das histórias. Com o valor angariado em parceria com as empresas Savar (revendedora de automóveis), AGCO (de equipamentos agrícolas) e Banrisul Serviços (do banco estadual gaúcho), o fisioterapeuta lança a coleção com a intenção de transformá-la em material didático.

"Não temos nada fechado ainda, mas minha intenção é fazer acordos com as escolas para que os professores apresentem essas histórias aos seus alunos. Mesmo com as crianças sendo o público-alvo, a coleção também faz os alunos pensarem, pois as histórias mexem com questões presentes no imaginário de todos nós", destaca.

O lançamento será na Casa de Cultura Mario Quintana, no Centro Histórico de Porto Alegre.

 

sábado, 28 de junho de 2014

BRINQUEDOS DOS ANOS 80 QUE ESTIMULAVAM AS CRIANÇAS




Nos anos 80 haviam brinquedos que faziam mais do que divertir as crianças. Muitos faziam uma boa estimulação da coordenação motora.
Lego, Pogobol, genius e muitos outros brinquedos dos anos 1980 animam conversas de quem passou horas se divertindo com eles e daria tudo para saber como funcionavam esses e outros passatempos comuns na infância passada. Quem sonhava em tirar a dúvida, agora tem chance: o Genius, jogo de memória e agilidade que desafiou muitas crianças, está com relançamento marcado e você já pode convidar os amigos para uma sessão nostalgia. "Existem habilidades, como o raciocínio lógico e a noção de espaço, que os brinquedos mais antigos desenvolvem com mais eficiência do que os jogos tecnológicos de hoje", afirma a professora Cristina Laclett Porto, do curso de Pedagogia da PUC-Rio. Outras opções de brinquedos nunca saíram de linha, então que tal experimentar a rapidez do seu raciocínio ou o refinamento das habilidades motoras?
Parecia um brinquedo inofensivo, mas o fato é que as brincadeiras de antigamente estimulavam a criança como um todo. Testavam habilidades motoras, equilíbrio, memória e comunicação, tudo ao mesmo tempo.

Genius

Para alegria dos mais nostálgicos, o grande sucesso dos anos 1980 vai ressurgir nas prateleiras das lojas de brinquedo a partir do mês de setembro. Se você acha que aquele joguinho cheio de cores e sons só servia para confundir seu raciocínio, está muito enganado. "O Genius estimula não só a memória, mas também a coordenação viso motora (de espaço e movimentos) e o raciocínio rápido", afirma a psicopedagoga infantil Fernanda Spengler.

Lego

Um mundo de criações se abria para quem se aventurava com uma caixa de Lego. As pecinhas se encaixavam de várias maneiras e era possível criar desde castelos até bichos ou o que mais a sua imaginação permitisse. "Além dessa riqueza de possibilidades, as peças ensinavam à criança a ideia de tridimensionalidade, e isso é muito rico para o aprendizado", afirma a professora Cristina Laclett Porto, da PUC-Rio. A área motora também é estimulada a partir do contato com os blocos, e uma noção de projetos futuros já começa a se formar na cabeça dos pequenos.
Pogobol

"Atualmente, computador e TV tomam conta da rotina de muitas crianças, por isso que jogos e brincadeiras que estimulam a coordenação motora ampla devem ser explorados", diz a psicóloga Fernanda Spengler. Brinquedos que trabalham os músculos e transmitem noção de espaço também são essenciais para qualquer aprendizado. É nesse contexto que entra o pogobol, a engraçadíssima bola com suporte para os pés, com o qual as crianças podiam pular para onde quisessem. "Essa é uma forma divertida de gastar muita energia sem deixar de aprender o tempo todo". Outros clássicos da diversão também são muito úteis nesse sentido: elástico de pular, corda, bambolê... Vai dizer que você não se lembra de todos?


'Radinho' da Gradiente

Este é certamente o brinquedo mais 'moderno' da lista. Entenda por modernidade a presença de um microfone e de um player que gravava e reproduzia em fitas K7, coisa que os nascidos nos anos 2000 nem têm ideia do que seja. Quem amava ficar falando por horas no aparelho, entrevistando todos os parentes ou cantando pelos cômodos da casa não devia imaginar, mas estava estimulando a espontaneidade e a imaginação que seriam muito úteis alguns anos depois. "Esta vivência podia até mesmo despertar um envolvimento com a área de comunicação, mas o maior ganho é aquele momento de diversão para a criança", afirma a especialista Fernanda Spengler.


Lousa mágica

Criar, errar, refazer e se divertir com esses erros. Na hora de explicar esses conceitos, há alguns brinquedos que podem ajudar. A lousa mágica é um deles: tendo a chance de escrever, desenhar e apagar tudo o que é registrado nela, fica mais fácil aprender que não há problemas em tentar de novo. "É importante que a criança aprenda que a necessidade de fazer e refazer é natural e não precisa ser considerada uma falha", afirma a especialista em educação infantil Cristina Porto. Em questão de instantes, os desenhos se transformam, também
estimulando a linguagem escrita, a produção artística e habilidades manuais.

Cubo mágico

Há brinquedos que continuam sendo divertidos para muita gente mesmo depois da infância. É o caso do cubo mágico, que tem até torneios e campeonatos espalhados pelo mundo para gente de todas as idades. Além de colocar a cabeça para funcionar, ele ajuda a difundir conceitos como o desafio e a persistência em atividades. "Concentração, atenção e paciência são estimuladas por este brinquedo, que também exercita as habilidades motoras manuais e o raciocínio lógico concreto", diz a psicopedagoga Fernanda Spengler.


Pega Vareta

Nessa brincadeira ganhava quem ficava com um maior número de varetas. Mas para isso, a criança deveria ter a maior habilidade motora com uma ótima coordenação fina, afim de movimentar apenas a vareta que queria pegar.


Ioiô

Alguns crianças brincavam com esse objeto de maneira impressionante. Tinha até campeonato. Manobras utilizando não apenas as mãos mais o corpo todo poderiam ser realizadas com o brinquedo. A coordenação e noção de espaço poderiam ser trabalhados com esse objeto.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A OSTEOPOROSE PODE AFETAR CRIANÇAS



A osteoporose é uma doença predominantemente de idosos, mas pode acometer jovens e até crianças, devido a doenças metabólicas e utilização de medicamentos que provoquem a desmineralização dos ossos
Com o aumento da longevidade, avançaram os cuidados com a perda da densidade mineral óssea e consequente enfraquecimento dos ossos, que aumentam o risco de fraturas. "A osteoporose é uma doença predominantemente de idosos, mas pode acometer jovens e até crianças, devido a doenças metabólicas e utilização de medicamentos que provoquem a desmineralização dos ossos", afirma Gines Henrique Martines, ginecologista e gerente médico da Central Nacional Unimed. Segundo o especialista, homens também sofrem de osteoporose, embora "suas consequências e gravidade nas mulheres sejam maiores devido à menopausa, quando a produção de estrógenos sofre uma redução drástica. Esse hormônio tem o papel de carreador e de fixador do cálcio na matriz óssea."

Como tratar

A osteoporose deve ser tratada a partir do diagnóstico firmado, mas hoje o grande objetivo médico é a prevenção de sua instalação, observa Martines. Nas mulheres, isso é mais facilmente obtido com a reposição hormonal e o emprego de substâncias como o alendronato, que substituem o estrogênio em levar e fixar o cálcio nos ossos. Exercícios físicos regulares, hábitos alimentares e exposição ao sol podem ajudar muito a postergar a instalação da doença.

"Nas mulheres, o principal tratamento é preventivo, pela reposição hormonal monitorada no climatério. Isso só é possível por um período máximo de 10 anos, sendo obrigatória a realização anual de exames preventivos de cânceres ginecológicos, que podem ser potencializados pelo uso do hormônio", explica Martines. Em idade mais avançada, são utilizadas substâncias carreadoras e o próprio cálcio sem a adição de hormônios.

Cuidados

A partir do início do envelhecimento, os ambientes devem ser adaptados, a fim de reduzir os riscos de quedas e de acidentes que provoquem fraturas. Pequenos bancos, tapetes, passadeiras, degraus e escadas velhas devem ser retiradas dos locais frequentados por idosos. Devemos guardar mantimentos e outros produtos de uso diários em locais acessíveis facilmente, para evitar o uso de bancos e de escadas.

Afinal, pequenas quedas podem ocasionar graves fraturas, principalmente de bacia e colo de fêmur. Essas fraturas têm correção cirúrgica, mas sua recuperação é demorada, com redução de mobilidade e consequentes morbidades que ocasionam grande numero de óbitos nessa faixa etária.

O principal instrumento de diagnóstico é o exame de Densitometria Óssea, de fácil realização, indolor e que consegue firmar diagnóstico precoce e ainda acompanhar evolução e eficácia do tratamento.

Mitos e verdades

• Quem não gosta de leite tem maior risco de desenvolver osteoporose. Mito. Uma das dicas de prevenção da doença é a ingestão mínima de cálcio necessário para manter os ossos saudáveis. São recomendados 1.200 mg por dia. Quem não gosta de leite, pode consumir outros laticínios, como queijo.

• A osteoporose não tem cura. Verdade. A osteoporose não tem cura, e seu tratamento deve ser feito por médicos especializados, capazes de orientar sobre medicamentos que estabilizem o quadro da doença ou melhorem a qualidade de vida do paciente. Isso significa evitar maiores complicações e reduzir significantemente o risco de fraturas.

• Quem tem osteoporose não pode praticar atividade física. Mito. Praticar exercícios físicos é essencial. Nesse caso, os exercícios devem ter impacto mínimo. Caminhada é a atividade mais recomendada.

• A osteoporose é uma doença feminina. Mito. Mulheres têm mais osteoporose que os homens, pois têm os ossos mais finos e mais leves e apresentam perda importante durante a menopausa. No entanto, homens com deficiência alimentar de cálcio e vitaminas estão sujeitos à doença. O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) criou o Programa de Osteoporose Masculina (PROMA), em março de 2004, com o objetivo de quantificar as vítimas da doença para tratá-las e estudar a sua incidência.

• A osteoporose é hereditária. Mito. Não basta o histórico familiar da osteoporose para que todos desenvolvam a doença. Mas é importante, sim, identificar se os pais são portadores de osteoporose. A vitamina D é mais eficiente na absorção do cálcio em algumas pessoas do que em outras, e essa característica é hereditária. Descendentes de pessoas com menor capacidade de absorção do cálcio no organismo e que tiveram osteoporose quando adultas têm maior probabilidade de contrair a doença. Mas bons hábitos alimentares podem mudar este quadro.

terça-feira, 24 de junho de 2014

A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA NA UTI NEONATAL



Quando falamos em fisioterapia Neonatal, muitas pessoas que não são da área de saúde, se perguntam o que um fisioterapeuta faz em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinada a recém-nascidos prematuros.
O fisioterapeuta tornou-se um profissional de extrema importância atuando não só na reabilitação e prevenção de complicações com manobras específicas como também na assistência ventilatória em parceria com o médico e enfermagem.

A alta incidência de enfermidades pulmonares na infância exige uma terapêutica respiratória bem específica, um médico perfeitamente habilitado, uma prescrição da medicação de forma adequada, um hospital com recursos e uma equipe de trabalho multiprofissional incluindo o fisioterapeuta.

Devido à imaturidade do sistema respiratório, os recém-nascidos prematuros apresentam altos riscos de desenvolver complicações respiratórias com necessidade de ventilação pulmonar mecânica, assim, a possibilidade de fisioterapia respiratória torna-se cada vez mais necessária em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.

Na fisioterapia neonatal além da assistência ventilatória, o fisioterapeuta tem por objetivo manter as vias aéreas pérvias melhorando e prevenindo as complicações das patologias que acometem o período neonatal e estimular a auto-organização sensório motora e seu desenvolvimento neuro-psico-motor.

O fisioterapeuta também é responsável pela montagem, teste e toda regulagem dos respiradores mecânicos durante os diversos momentos em que está sendo utilizado. E também responsável pela ventilação do paciente durante transportes e exames dentro do hospital.

Hoje, nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatais do Brasil, os serviços fisioterápicos são essenciais e imprescindíveis para que essas crianças passem por um processo de recuperação mais rápido e eficaz. Essa estimulação precoce ajuda na redução do tempo de permanência nos hospitais, diminuindo, assim, as eventuais sequelas, o que contribuirá para o aumento das respostas fisiológicas e metabólicas aos procedimentos aplicados durante o período de internação.

O profissional de fisioterapia também ajuda a família nas orientações dos cuidados necessários ao recém-nascido diminuindo assim as reinternações hospitalares. Logo após a alta da UTI neonatal o recém-nascido deverá ser acompanhado por um fisioterapeuta para que seja avaliado o seu desenvolvimento neuro-motor, ou seja, o sentar, engatinhar, andar e etc.

domingo, 22 de junho de 2014

ACUPUNTURA EM CRIANÇAS É SEGURA, APONTA ESTUDOS



Revisão de pesquisas confirma a segurança do tratamento na infância e revela baixa incidência de efeitos colaterais
Você já pensou em tratar algum problema do seu filho com acupuntura? Uma nova revisão de 37 estudos feita pela Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, e publicada na revista científica Pediatrics, mostra que a acupuntura pediátrica é, sim, muito segura.

De acordo com o acupunturista Stefan Friedrichsdorf, diretor do Centro de Dor e Cuidados Paliativos do Hospital da Criança, em Minnesota, e um dos coordenadores da pesquisa, a incidência de efeitos adversos é baixa, cerca de 11%. E os principais problemas descritos são naúseas, hematomas e dormência no local da aplicação da agulha.

O método milenar de origem chinesa é baseado em um mapa de pontos do corpo humano, estimulados pelas agulhas a produzir e liberar substâncias que atuam no sistema nervoso central. Nos Estados Unidos, mais de 150 mil crianças são tratadas com acupuntura, incluindo bebês, segundo o relatório de Estatísticas de Saúde Nacional, divulgado no ano passado. E os principais problemas são enxaqueca, cólicas e respiratórios. “Quando você começa a fazer acupuntura em uma criança, também começa a construir uma relação de confiança. É um processo longo, que, geralmente, tem muito sucesso”, diz a acupunturista Nancy Park, de Nova York, que tem um paciente de apenas 2 anos.

Aqui no Brasil, a acupuntura com agulhas é mais comum a partir de 7 anos. Os bebês e crianças menores são muito inquietos, o que pode atrapalhar na hora de colocá-las nos pontos corretos. “Para essas, podemos usar materiais específicos, como roletes, carretilhas, laser e até o estímulo dos pontos com a ponta dos dedos para fazer a pressão necessária e conseguir o efeito desejado sem assustar a criança com a agulha”, diz o acupunturista Evaldo Martins Leite, presidente da Associação Brasileira de Acupuntura.

O mais importante, no entanto, é escolher um bom profissional. Para isso, verifique se ele é filiado a entidades e sindicatos do setor, peça referências, procure o nome dele na internet e converse com outros pacientes. Preste atenção se ele acalma seu filho e o envolve em todo o processo. Sanar todas as dúvidas da criança - quando ela for mais velha - e reforçar os benefícios são ótimas dicas. E não se esqueça de que a acupuntura pode ser uma aliada em outros tratamentos, como a alopatia e a fisioterapia, por exemplo. “Eles não são excludentes e trabalham muito bem juntos”, completa Evaldo. E a saúde do seu filho é o que mais importa, não é mesmo? Vale lembrar, no entanto, que antes de decidir pela acupuntura, você deve conversar com o pediatra do seu filho.

sábado, 21 de junho de 2014

CRIANÇAS CEGAS SUPERAM MEDOS E DIFICULDADES PARA ANDAR SOZINHAS



O deficiente visual pode ter a postura curvada, por medo de bater em algo no caminho. Com a equoterapia, passa a andar com a coluna mais reta e a cabeça mais erguida.
Poliana de Abreu Brito, 7, chorava muito quando saía de casa, assustada com barulhos e movimentos. João Eduardo Jansen, 11, não podia chegar perto de animais e vivia com as costas curvadas. Pedro Bola, 7, tinha medo de andar e de tocar em objetos.

Os três, cegos desde o nascimento, superaram as dificuldades com atividades como equoterapia (terapia com cavalo), natação e balé.

Crianças cegas, claro, precisam de ajuda no dia a dia. Mas os esportes e a dança conseguem deixá-las mais seguras, inclusive para tentar se virar sozinhas. "Ela andava curvada e insegura, mesmo com a bengala [que usa para se guiar quando anda e descobrir se há algum obstáculo à frente]. Isso mudou desde que entrou no balé, há dois anos. Agora tem gente que pensa que ela enxerga!", conta Izabel, mãe de Poliana.

Assim como em outras atividades, o toque é o segredo para aprender os passos do balé. Poliana passa as mãos no corpo da professora para entender as posições. E a professora vai "moldando" o corpo da menina --dobra a perna, os braços, puxa mais para um lado, para outro etc.

João Eduardo e Pedro ganharam uma postura melhor e segurança para caminhar na equoterapia. "O cavalo joga o quadril do cavaleiro para todos os lados, o que é bom para a coordenação motora", diz a psicopedagoga e psicanalista Liana Pires Santos.

O deficiente visual pode ter a postura curvada, por medo de bater em algo no caminho. Com a equoterapia, passa a andar com a coluna mais reta e a cabeça mais erguida. "E ganha confiança e autoestima [sente-se uma pessoa melhor] por conseguir dominar o cavalo", completa Liana.

"Adoro quando desço do cavalo e pego a rédea pra puxá-lo", conta João Eduardo.

Outro ponto positivo dessas atividades é a socialização. Isso quer dizer que as crianças ganham amigos, cegos ou não. "No começo, tinha preguiça de ir à natação. Mas acabei gostando e fiz vários amigos", fala Pedro.

A escola onde Poliana faz balé tem alunos não cegos. "Eles aprendem a respeitar e a ajudar os que não enxergam", diz Fernanda Bianchini, presidente da Associação de Balé e Artes para Cegos.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

REUMATISMO EM CRIANÇAS



Acredita-se que cerca de 25% das doenças reumáticas, em geral ocorram em menores que 16 anos de idade
A maioria das pessoas pensa que as doenças reumáticas são exclusivas da população adulta. De fato, muitas das condições ditas “reumáticas” são associadas a doenças degenerativas, como o desgaste de cartilagens, o enfraquecimento muscular e a perda de massa óssea. No entanto, existe um número grande de reumatismos que também pode afetar a população infantil. Essas doenças geram nas crianças sintomas semelhantes aos que afetam os adultos, como dor e rigidez nas articulações e algumas delas podem levar a dano e limitação permanentes comprometendo o futuro do pequeno paciente.

Acredita-se que cerca de 25% das doenças reumáticas, em geral ocorram em menores que 16 anos de idade nos países desenvolvidos e estima-se que este percentual seja ainda maior nos países do 3º mundo como o nosso, devido a grande associação com baixo nível sócio-econômico de algumas patologias. No Brasil, assim como em outros países subdesenvolvidos, a Febre Reumática (FR) é a doença reumatológica mais frequente seguida da Artrite Reumatoide Juvenil (ARJ). Outras patologias inflamatórias como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), a Dermatopolimiosite (DMP), a Esclerodermia (ESP), as vasculites, etc., são também causas importantes de visitas ao reumatologista pediátrico, lembrando ainda das doenças não inflamatórias, como a “Dor de Crescimento”, a Fibromialgia, e a Síndrome da Hipermobilidade. Além disto, não é raro o reumatologista pediátrico ser chamado para opinar em doenças não reumatológicas, como leucemias, anemias, problemas de tiróide, que comumente também afetam o sistema músculo-esquelético.

De uma hora para a outra, a criança cai repetidamente, tropeça ou caminha com dificuldade deixando de fazer atividades rotineiras e comuns como correr ou jogar bola. Ou então sente algum tipo de dor que pode ser constante e não melhora com analgésicos, até mesmo em repouso e incomodando o sono à noite. Isso pode ser sinal de algum problema reumatológico, inflamação nas juntas causada por fatores diversos, como má postura e infecções na garganta além de predisposição genética. Se não for tratado adequadamente, o mal pode provocar deformidades articulares e até invalidez. Desta forma, na presença de queixas deste tipo, recomenda-se ir ao pediatra o mais rápido possível, evitando adiar a consulta e havendo necessidade, este encaminhará a criança para nós especialistas em reumatologia pediátrica. Deve-se evitar o uso de medicamentos por conta própria ou “simpatias” e remédios caseiros. É importante ressaltar que a cada 100 crianças, duas vão a consultas médicas devido a queixas reumatológicas. Muitas vezes, a doença demora a ser identificada e a criança passa por no mínimo quatro especialistas diferentes o que pode atrasar o diagnóstico por cerca de até um ano. A depender da causa, o tratamento requer o uso de anti-inflamatórios  antibióticos, e drogas para prevenir a progressão da doença, além de fisioterapia e até mesmo psicoterapia.

Portanto a avaliação do especialista é indispensável já que há potencial para que estas doenças deixem sequelas permanentes, mas se forem precocemente bem tratadas, possibilita-se à criança uma vida praticamente normal. Assim, a divulgação destes conhecimentos para a população e os profissionais de saúde, facilitam o acesso dos pacientes ao atendimento especializado. Isto por que a detecção e tratamento precoce desses problemas possibilitam a prevenção de danos permanentes e uma vida integrada para a criança.

Ao contrário da crença popular, a artrite acomete crianças e adolescentes. A artrite reumatóide juvenil é uma doença relativamente rara, mas é apenas uma das centenas de tipos de artrites que podem afetar crianças, e a mais comum – é, de fato, duas vezes mais comum que o diabetes, ocorrendo na proporção de 3 meninas para cada menino afetado. A doença acomete qualquer raça e qualquer idade antes dos 16 anos, mas os picos de maior incidência estão entre 1 a 5 e de 10 a 14 anos de idade.

Na Inglaterra a incidência varia de 0.06% a 0.1% e nos Estados Unidos de 0.01% a 0.11% da população infantil até 16 anos. Seis a oito casos novos para uma população de 100.000 crianças abaixo de 16 anos aparecem anualmente na Finlândia. Além das juntas, a Artrite Reumatoide Juvenil pode afetar outras partes do corpo como coração, olhos, músculos, tendões, fígado e pele. É uma doença que pode durar anos, com períodos eventuais de remissão e atividade, quando o paciente tem dores e febre. Não é fatal, mas sem tratamento adequado pode causar complicações para a vida da criança como deixar de utilizar normalmente um membro do corpo como um braço ou uma perna, ou ainda deixar de andar e tornar-se totalmente dependente da família. No entanto, quando tratada de forma adequada a maior parte das crianças afetadas tem uma vida independente e de boa qualidade.

Toda criança com inchaço ou dificuldade de movimentar alguma articulação ou que tenha febre prolongada sem causa evidente, deve procurar o médico.

Uso correto das medicações prescritas e atividade física é necessário para manter a função articular.
A ajuda e o amor dos pais, amigos e da escola são os apoios essenciais para que se sinta segura e capaz de superar a doença e as limitações por ela atribuídas.

Profª. Dra. Cláudia Goldenstein Schainberg

quinta-feira, 19 de junho de 2014

NATAÇÃO ACELERA DESENVOLVIMENTO DE CRIANÇAS



Crianças que fazem natação em idade mais tenra alcançam uma ampla gama de habilidades mais cedo
Nadando para o sucesso

Crianças que aprendem a nadar mais cedo atingem marcos de desenvolvimento mais cedo do que seus colegas que não sabem nadar.

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Educacionais Griffith (Austrália) pesquisaram cerca de 7.000 crianças menores de cinco anos na Austrália, Nova Zelândia e nos EUA ao longo de três anos.

Outras 180 crianças de 3, 4 e 5 anos foram passaram por testes intensivos, tornando este o estudo mais abrangente já realizado sobre os efeitos da natação nos primeiros anos de vida.

Benefícios da natação na infância

A professora Robyn Jorgensen afirma que o estudo mostrou que as crianças que fazem natação em idade mais tenra alcançam uma ampla gama de habilidades mais cedo do que a população em geral.

"Muitas dessas habilidades ajudam as crianças na transição para os contextos de aprendizagem formais, como a escola ou pré-escola.

"A pesquisa também constatou diferenças significativas entre o grupo de natação e os não-nadadores, independentemente do contexto socioeconômico.

"Enquanto os dois grupos de nível socioeconômico mais elevado tiveram um desempenho melhor do que os dois grupos inferiores nos testes, todos os quatro grupos de nadadores tiveram melhor desempenho do que a população em geral," conta a pesquisadora.

Os benefícios são foram afetados pelo gênero das crianças, sendo igualmente verificados entre meninos e meninas.

Habilidades precoces

Além de alcançar metas físicas mais rapidamente, as crianças da natação também se saíram significativamente melhores nas habilidades visuais e motoras, tais como cortar papel, colorir e desenhar linhas e formas.

O mesmo se deu com tarefas de matemática e de escrita.

Sua expressão oral também foi melhor.

"Muitas dessas habilidades são altamente valiosas em outros ambientes de aprendizagem e serão um trunfo importante para as crianças na transição da pré-escola para a escola," concluiu Jorgensen.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

PARTO ANTES DA HORA PODEM OCASIONAR PROBLEMAS PARA AS MÃES E BEBÊS



Especialistas recomendam que, em gestações saudáveis, os bebês nasçam com 39 semanas, período denominado de
Qualquer pessoa que tenha assado um peru sabe que se ele for tirado do forno muito antes da hora estará cru por dentro, e se for deixado por muito tempo, ficará seco e duro.

Para um bebê no útero, o mesmo princípio pode ser aplicado: a hora certa é fundamental. Uma gestação mais curta ou mais longa do que o normal, pode, às vezes, não ser ideal para a criança e, ocasionalmente, para a mãe. Segundo estudos, uma gravidez com uma semana a mais ou a menos pode afetar a saúde do feto notavelmente.

Alarmadas pela recente tendência de induzir o parto ou agendar cesarianas antes de 39 semanas de gestação para um único feto, a Escola Americana de Obstetras e Ginecologistas, junto com a Sociedade da Medicina Maternal e Fetal lançaram, em outubro, quatro novas definições de partos "a termo" — aqueles que duram entre 37 e 42 semanas — para esclarecer as dúvidas das mulheres e dos médicos.

As controvérsias surgem, muitas vezes, porque o período considerado a termo dura cinco semanas, o que gera um grande desentendimento entre grávidas e médicos quanto à melhor hora para que os bebês nasçam.

— A linguagem é muito importante — explica Jeffrey L. Ecker, especialista materno-fetal em Boston, e presidente do comitê sobre práticas obstétricas da faculdade.

— As consequências podem variar, e nós queremos nos certificar de que todos os envolvidos – médicos, parteiras e pacientes – estejam falando a mesma língua.

As novas definições são baseadas na duração da gravidez calculada desde o primeiro dia da última menstruação da mulher, data conhecida como concepção, ou da medição do feto através de ultrassom, durante as 13 primeiras semanas de gravidez. Elas são as seguintes:

>> Pré-termo: entre 37 semanas e 0 dia, e 38 semanas e 6 dias
>> A termo: entre 39 semanas e 0 dia, e 40 semanas e 6 dias
>> Pós datismo: entre 41 semanas e 0 dia, e 41 semanas e 6 dias
>> Pós-termo: 42 semanas e 0 dia, ou mais

Segundo Ecker, esta mudança na terminologia deixa claro tanto para o médico quanto para a paciente que os resultados não são uniformes mesmo depois de 37 semanas.

— É importante que o feto se desenvolva completamente antes do parto.

Durante as últimas semanas de gravidez, entre a 37ª e a 40ª, os pulmões do bebê e o cérebro estão completamente maduros, e aqueles que nascem a termo, segundo a nova definição têm, em média, os melhores resultados de saúde.

Assim como outros especialistas, Ecker defende, assim, a paciência: observar a mãe e o feto semanalmente, e permitir que a natureza tome seu curso quando não há outro motivo para intervir. Se for importante agendar uma cesariana ou induzir o parto em uma gravidez saudável, "é propício apenas depois da trigésima nona semana", alerta ele.

Gravidez de gêmeos, anomalias e quantidade inadequada de fluidos amnióticos podem antecipar o parto

Obviamente, há muitas situações nas quais um parto planejado é desejável e, possivelmente, salvará vidas. Uma circunstância comum é na gravidez de gêmeos, que agora costumam nascer com 38 semanas.

Outras condições que podem justificar um parto pré-termo incluem anomalias placentárias, uma cesariana anterior que tenha cortado a parede muscular do útero, uma quantidade inadequada de fluidos amnióticos e ruptura permanente das membranas que envolvem o feto.

— Se tudo estiver certo com a mãe e o bebê, um parto antes da semana 39 não é justificável — afirma Catherine Y. Spong, especialista materno-fetal no Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, cujos estudos, em grande parte, formaram a nova definição da gravidez a termo.

Pesquisa indica que, quanto mais cedo o parto, maiores os riscos

Em uma pesquisa realizada com 28.867 mulheres que haviam marcado uma segunda cesariana, Spong e os colegas avaliaram as chances de um resultado adverso para um bebê em relação à duração da gestação.

Quanto mais cedo o parto, descobriram eles, maiores os riscos para o bebê desenvolver problemas respiratórios, ser levado para a UTI neonatal, precisar de ressuscitação cardiopulmonar ou ventilação mecânica, desenvolver uma infecção, enfrentar baixo nível de açúcar no sangue ou precisar de hospitalização prolongada.

Em comparação aos partos de 39 semanas, os riscos de problemas para os bebês que nascem em 37 aumentaram até quatro vezes, e dobraram em relação aos de 38.

— Os resultados indicam que uma proporção elevada de cesarianas são feitas antes das 39 semanas nos Estados Unidos. Esses partos prematuros estão associados a um aumento da morbidade neonatal e às entradas na UTI neonatal, que têm um custo financeiro elevado.

Spong também apontou os riscos que a mãe corre ao dar à luz antes do tempo. O parto induzido pode não funcionar e demorar muito; as chances de infecções e hemorragia pós-parto são maiores, e a hospitalização pode ser prolongada. Embora a cesariana seja "muito segura de modo geral ela também oferece um risco maior de complicações anestésicas e danos aos órgãos internos".

Parto após 40 semanas também está relacionado a um risco maior de perigo para a criança

Uma pesquisa israelense descobriu uma taxa de morte infantil três vezes maior naqueles nascidos entre 34 e 37 semanas, quando comparados a bebês nascidos a termo. Os autores mostraram que as últimas seis semanas de gestação "representam um período crítico de crescimento do cérebro e pulmões fetais, bem como de outros sistemas".

Efeitos de um nascimento pré-termo podem durar a vida toda

Um estudo finlandês publicado na edição de outubro na revista médica Pediatrics, que acompanhou aproximadamente 9 mil homens e mulheres nascidos entre 1934 e 1944 descobriu que, comparados àqueles nascidos a termo, os que nasceram entre 34 e 36 semanas de gestação eram menos educados, tinham rendimentos mais baixos e cargos menores do que os pais.

terça-feira, 17 de junho de 2014

CRIANÇAS DEFICIENTES INVENTAM FORMAS DE BRINCAR



Para driblar as deficiências, as atividades são adaptadas. No futebol, por exemplo, a bola é mais pesada para que role mais lentamente, e as crianças jogam sentadas no chão.
Gabriel Fernandes, 10, é fera no videogame, nem lembra quando perdeu um jogo de corrida pela última vez. Lamiss Taghlebi, 7, adora brincar de escolinha. Fernanda de Souza, 5, é a artilheira no futebol do seu quintal.

Além de craques da brincadeira, os três possuem outra coisa em comum: têm deficiência intelectual e física e andam de cadeira de rodas. "Criança sempre dá um jeito de brincar. Não importam as limitações", diz Lina Borges, terapeuta ocupacional da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente).

Para driblar as deficiências, as atividades são adaptadas. No futebol, por exemplo, a bola é mais pesada para que role mais lentamente, e as crianças jogam sentadas no chão.

Há duas semanas, durante o Teleton (evento do SBT que arrecada dinheiro para a AACD), Ivan Fontenelli, 4, andava pra lá e pra cá com seu skate. Com má formação das pernas e dos braços, é com ele que o menino se locomove. "Brinco de futebol, corrida, tudo. Tenho até duas namoradas", conta baixinho para a mãe não escutar.

No próximo sábado, dia 1º, começa a 3ª Virada Inclusiva, organizada pelo governo de São Paulo em mais de 80 cidades, com lazer e esportes adaptados. Termina em 3/12, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (viradainclusiva.sedpcd.sp.gov.br).

Cadeira de rodas já foi navio e carro de Fórmula 1

Desde quando eu era molequinho, faz teeeempo, ando montado em uma cadeira de rodas para ir daqui para acolá. Mas ser um menino "cadeirantinho" nunca me impediu de brincar e de agitar as brincadeiras da minha turma.

O meu "cavalo de rodas" já foi um navio que atravessou oceanos para combater piratas, com o pessoal se enroscando em mim. Já foi carro de Fórmula 1, com os meninos disputando quem seria o meu piloto. Dava medo da velocidade, mas, com cuidado, era muito gostoso.

No futebol, fui goleiro e técnico do time. No esconde-esconde, eu tinha a vantagem de ter mais tempo para sumir. É justo, vai!

No videogame, eu não precisava de regra especial, só de mais espaço na sala mesmo.

Todos podem e querem se divertir na infância, e sempre há um jeito para que até aquele colega mais desarranjado, todo tortinho, consiga brincar junto, ensinar sua maneira de jogar, de se segurar no balanço, de virar a figurinha no "bafo".

O colega cego, surdo, com paralisa cerebral, "cadeirantinho" ou que tenha qualquer diferença quer aproveitar o mundo do jeito que todos querem. E sempre é possível colocá-los na roda, basta usar a imaginação, abrir bem os braços e dar um sorriso de "seja bem-vindo".

Crianças com deficiência contam quais são suas brincadeiras preferidas

'Tia' das bonecas
Todos os dias, o quarto de Lamiss Taghlebi, 7, transforma-se em sala de aula.

Enquanto ela passa a lição, Barbies e ursinhos de pelúcia prestam atenção à professorinha de cadeira de rodas.

"Finjo que estou em 'Carrossel' e que sou a professora Helena", conta.

Artilheira rosa
O que mais chama a atenção em Fernanda de Souza, 5, não são as mechas cor-de-rosa no cabelo. A primeira coisa que você vê é seu sorriso. Principalmente quando joga bola.

Apoiada na mãe para levantar da cadeira de rodas e ficar em pé, ela chuta no ângulo.

"Adoro futebol. Mas gosto de pintar também", conta a menina, enquanto desenha no bloco de notas do repórter.

Brincar é na rua
Emely Gabriely Silva, 10, nasceu duas vezes.

Até os três anos, corria e estava aprendendo a andar de bicicleta. Aí veio um caminhão e ela não viu mais nada. Quando acordou, estava sem a perna direita.

Foi então que nasceu de novo: ela reaprendeu a andar e hoje se equilibra na bicicleta e até pula corda. "Não gosto de boneca. Prefiro brincar na rua", diz.

Alta velocidade
Todos os dias, Gabriel Fernandes, 10, espera ansioso para ir à casa da vizinha. Como o garoto não tem videogame, é lá que ele se transforma em piloto, a cadeira de rodas, em carro de corrida e o quarto, em autódromo.

Gabriel pisa fundo e garante: é difícil ganhar dele em jogos de velocidade.

Antes, os amigos não davam muita bola para Gabriel. Mas ele é um corredor. Rapidinho, conquistou os meninos e agora todos jogam videogame juntos.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

EXAME DA MARCHA BENEFICIA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA MOTORA



Benefícios para crianças que apresentam deficiência motora em decorrência de paralisia cerebral.
O exame da marcha oferecido pelo Centro Hospitalar de Reabilitação, do Governo do Estado, em Curitiba, traz benefícios para crianças que apresentam deficiência motora em decorrência de paralisia cerebral. Rafaely Vitória Valoto dos Santos, 13 anos, agora pode brincar normalmente e Gustavo Wendler Grillanda, 11 anos, foi submetido à avaliação e será possível estudar a melhor forma de ajudá-lo a caminhar com mais qualidade.

O exame, considerado de alta complexidade e de alto custo, é realizado no Laboratório de Marcha, o primeiro do sul do Brasil e o único a prestar serviços exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O investimento é de aproximadamente R$ 1 milhão, e os encaminhamentos são feitos pelas regionais de saúde e hospitais credenciados ao sistema.

“Em três anos, foram investidos R$ 39 milhões na aquisição de equipamentos para os hospitais do Governo do Paraná, incluindo um tomógrafo para o Centro Hospitalar de Reabilitação”, explica o superintendente de Unidades Hospitalares Próprias, da Secretaria da Saúde, Charles London.

EQUIPE – O Laboratório de Marcha do CHR é operado com equipe multidisciplinar composta por médicos ortopedistas, fisioterapeutas e engenheiro mecatrônico. O ortopedista pediátrico Alessandro Melanda afirma que o exame dura em média quatro horas e são necessárias 12 horas para ser finalizado.

Depois do exame propriamente dito, é necessária a compilação dos dados e a elaboração do laudo tridimensional (3D) capaz de nortear o tratamento ortopédico do paciente. “O exame avalia todos os movimentos do corpo e proporciona mais assertividade para o tratamento, seja ele com fisioterapia, medicamento ou cirurgia”, explica o médico.

A médica ortopedista pediátrica Ana Carolina Pauleto informa que, além das crianças com paralisia cerebral, podem ser beneficiados amputados, pacientes com problemas neurológicos (com sequelas de AVC) e motores. “Este é um exame complexo, que deve ser indicado a partir de rigorosa avaliação clínica”, diz a médica. Mais de 80 exames como este já foram realizados no Paraná.

SOLUÇÃO – Quem observa Rafaely, em sala de aula, brincando com os colegas, não imagina que antes de 2011, esta atividade era quase impossível para a menina. As pernas tortas faziam com que Rafaely se locomovesse com dificuldade e sem equilíbrio.

Em 2011, ela foi submetida ao exame da marcha no Centro Hospitalar de Reabilitação. “A Rafaely foi uma das primeiras crianças a se beneficiar com este exame”, afirma a mãe, Telma Valoto Gonçalves. Do exame veio a indicação para a cirurgia reabilitativa que permitiu que a menina andasse normalmente.

“Hoje ela tem uma vida normal. Cursa o terceiro ano do ensino fundamental em uma escola municipal de Araucária. Brinca com as crianças da escola sem nenhuma dificuldade”, disse. Também é aluna aplicada, gosta de matemática e de ler livros na biblioteca do colégio.

ESPERANÇA – Gustavo nasceu prematuro e teve paralisia cerebral por intercorrências durante o parto. Os pais do menino, Gilmar Grillanda, 46 anos, e Maria Izabel Wendler Grillanda, 40 anos, contam que o menino começou o tratamento quando tinha 6 anos e que já evoluiu muito, porém ainda não caminha com segurança. “Este é o primeiro exame deste tipo a que temos acesso. O Gustavo é muito esforçado e com certeza vai reagir bem aos novos tratamentos, que forem indicados com o resultado deste exame”, afirma o pai.

O maior desejo da família é que Gustavo fique mais independente e possa brincar com os irmãos e amigos, inclusive com o irmão gêmeo Guilherme, que não tem paralisia cerebral. A família de Gustavo mora em São Pedro do Ivaí e o menino faz tratamento em Londrina, no Norte do Estado.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

ROUPA ESPECIAL AJUDA CRIANÇA COM DEFICIÊNCIA



Uma roupa especial em desenvolvimento na UEPA (Universidade do Estado do Pará) vem ajudando crianças com deficiência neuromotora a aprender a se movimentar e a ter uma postura correta.
Esse tipo de roupa já é fabricado no exterior, mas a comercialização no Brasil esbarra no preço: R$ 2.000.

O diferencial da universidade paraense é usar material de baixo custo para produzi-la a R$ 600. Nesse valor estará embutido o material (laicra e anéis de metal), a mão de obra e o pagamento a um profissional que fará os ajustes ao corpo do usuário.

Os primeiros modelos devem ficar prontos ainda neste ano e serão direcionados a crianças de até oito anos. A produção comercial, porém, só deve começar em 2013.
A universidade negocia com uma empresa paulista interessada no negócio.

A roupa está sendo testada em crianças com deficiência neuromotora da Unidade de Referência Especial em Reabilitação Infantil, em Belém.

Uma delas é Rafael, 2, que tem paralisia cerebral e, por isso, apresenta dificuldades para se movimentar e manter a postura correta. Com a roupa, ele tem postura mais firme e, auxiliado por fisioterapeutas, caminha com mais facilidade.

O projeto é da pesquisadora Larissa Prazeres e faz parte do Núcleo de Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade (Nedeta), da universidade. A instituição recebeu R$ 300 mil do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para desenvolver essa e outras pesquisas de acessibilidade.

A roupa biocinética, como foi batizada, possui anéis de metal localizados nas regiões de alguns músculos, como joelho, tronco e quadril. Ela fica justa no corpo e, com isso, corrige a postura. Os anéis metálicos suprem a força que o músculo não tem. Assim, ajudam a executar movimentos e passam ao cérebro informações neurossensoriais.

"É como um computador: vai mandando mensagens corretas para o cérebro, o corpo se ajusta, e o cérebro deleta as mensagens incorretas", explica Ana Irene de Oliveira, coordenadora do Nedeta.

Com o tempo, o cérebro vai assimilando os movimentos corretos para que a roupa não seja mais necessária. A ideia é que ela seja usada diariamente, num trabalho conjunto ao do fisioterapia.

Segundo Leonice Carneiro, fisioterapeuta do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo, em Goiás, o tratamento é indicado para crianças sem deformidades fixas, como torções ósseas ou alterações musculares (músculo encurtado ou com deformidade articular).

"Quanto mais nova ela começa a usar a roupa, maior a eficácia", diz Carneiro.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

VOCÊ SABE ESTIMULAR UM BEBÊ À ANDAR?



Veja sete dicas para estimular os primeiros passos sem prejudicar músculos da criança
Os primeiros passos do bebê são esperados com ansiedade pelos pais. Quando este momento chega, no entanto, muitas dúvidas aparecem e nem sempre é fácil lidar com elas sem temer algum tipo de prejuízo ao desenvolvimento da criança. "Nessa fase, o bebê começa a sentir mais confiante e independente dos pais. Normalmente, a partir dos oito meses, a criança começa a ficar de pé sozinha, se apoiando na parede ou em móveis da casa. Com 10 meses, a maioria começa a andar sem auxílio", afirma o pediatra José Gabel, do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Segundo o especialista, algumas crianças demoram mais a para conseguir andar. Nenhum motivo para preocupação: os primeiros passos podem ser esperados até os 18 meses de vida. Depois dessa idade, caso os movimentos não aconteçam, é aconselhável procurar um pediatra para uma avaliação mais cuidadosa.

Na fase em que a criança está deixando de engatinhar, no entanto, os pais podem ajudar com medidas que aumentam a confiança e a coordenação durante os primeiros passos. Veja o que recomendam os especialistas e tome nota das dicas para não se apressar demais.

Dispense o andador

O acessório, por mais que pareça dar segurança ao bebê, pode prejudicar o desenvolvimento dos músculos superiores das pernas e a habilidade do bebê se equilibrar. "As rodinhas facilitam demais o deslocamento, impedindo que a criança ande de maneira correta. Os bebês que ficam no andador tendem a usar apenas as pontas dos pés para se locomover, prejudicando todo o desenvolvimento da coordenação", diz a pediatra Margarida de Fátima Carvalho, presidente do Departamento Científico de Reumatologia, da SBP.

Além disso, os pais tendem a confiar muito nos andadores, e prestam menos atenção no bebê. "Há risco de o andador virar em degraus ou obstáculos no chão, podendo machucar o bebê", alerta a especialista.  

Ensine o seu filho a levantar

A partir dos oito meses de vida, a maioria dos bebês já consegue ficar de pé apoiado em móveis, mesas e cadeiras, mas a musculatura e o sistema nervoso ainda precisam ser estimulados para que os passos sejam dados sem a necessidade de apoio. "Brincando, os pais podem mostrar para os filhos como agachar e levantar. A criança tende a imitá-los, fortalecendo os músculos e a coordenação motora nas pernas", diz o pediatra José Gabel, do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SBP.

Brinquedos de empurrar

Ao contrário do andador, brinquedos como carrinhos de empurrar, chamados de tutores, deixam a criança mais segura sem prejudicar a mobilidade ou a mecânica da caminhada. Mas o pediatra José Gabel alerta para o risco de tombos usando esse tipo de brinquedo.

Deixe a criança descalça

De acordo com a pediatra Margarida de Fátima Carvalho, o bebê precisa de estímulos táteis nos pés para desenvolver a percepção do próprio corpo nos ambientes onde pisa. Quando estão descalços, os pés recebem mais estímulos do que no uso de um tênis, por exemplo. Além disso, o uso de calçados pode ser bastante incômodo para a criança, já que até o segundo ano de vida, é comum que o bebê ainda não tenha formado a curvatura natural da planta dos pés.

Brincar com o bebê desde cedo

O reforço dos pais deve começar desde cedo para o bebê andar. "As brincadeiras devem incentivar o bebê a se movimentar o máximo possível", afirma o pediatra José Gabel. Rolar no chão, engatinhar, apoiar as mãos na parede e brincar de jogar bolinhas são exemplos de ações que estimulam o sistema nervoso e sensorial dos bebês, já que eles tentaram imitar os pais em cada uma dessas brincadeiras. 

Não tente evitar as quedas

Quando o bebê começa a ficar de pé, as quedas se tornam bastante frequentes, o que, muitas vezes, acaba assustando os pais. "É claro que os pais precisam ficar atentos, mas não é necessário tentar segurar o bebê toda a vez que ele for cair. As quedas são normais nessa época da vida do bebê e fazem parte do aprendizado", diz a pediatra Margarida de Fátima Carvalho. Além disso, tentar segurar o bebê de mau jeito pode machucar a criança mais do que a própria queda. 

Deixe o bebe ir até você

Uma das maneiras mais fáceis de estimular o bebê a andar é fazê-lo se movimentar até chegar aos pais. "Ele pode começar engatinhando. Mas, aos poucos, os movimentos vão se misturando a pequenos passos. Manter brinquedos nas mãos ajuda a atrair o bebê", afirma o pediatra José Gabel. Essa brincadeira, se feita com frequência, faz o bebê tentar chegar cada vez mais rápido aos pais, incentivando ele a deixar de engatinhar.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

CIENTISTAS CONSEGUEM DESLIGAR CROMOSSOMO DA SÍNDROME DE DOWN

Cientistas da Universidade de Massachusetts conseguiram silenciar o cromossomo extra da trissomia 21, também conhecida como síndrome de Down.
Os cientistas fizeram o estudo em células, mas acreditam que a descoberta pode pavimentar o caminho para estabelecer terapias potenciais contra o mal. O estudo foi divulgado na revista Nature.

A síndrome de Down é causada pela presença de três cromossomos 21, ao invés de dois, como normalmente ocorre. A anomalia causa problemas cognitivos, desenvolvimento precoce de Alzheimer, grande risco de leucemia na infância, defeitos cardíacos e disfunções dos sistemas endócrino e imunológico. Ao contrário de desordens causadas por genes individuais, corrigir síndromes causadas por um cromossomo inteiro se mostrou um desafio para cientistas. Mas esse tipo de pesquisa teve passos importantes nos últimos anos.

"A última década teve grandes avanços nos esforços de corrigir desordens de gene único, começando com células in vitro e, em muitos casos, avançando para tratamentos in vivo e clínicos", diz Jeanne B. Lawrence, líder do estudo e professor da universidade. "Em contraste, correção genética de centenas de genes em um cromossomo extra inteiro tem permanecido fora do campo das possibilidades. Nossa esperança para aqueles que vivem com síndrome de Down é que essa prova de um princípio abra muitas animadoras novas avenidas para estudar a desordem agora e trazer para o campo das considerações o conceito da 'terapia cromossômica' no futuro."

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores usaram um gene do RNA chamado de XIST, que é encontrado em fêmeas de mamíferos e é capaz de silenciar um dos dois cromossomos X, impedindo que ele processe proteínas. Com o uso de células-tronco, eles conseguiram fazer com que esse gene "desligasse" o cromossomo extra da trissomia 21.

O próximo passo é avançar dos testes em células para as cobaias. Os cientistas pretendem estudar se essa "terapia cromossômica" é capaz de corrigir patologias em ratos com a síndrome de Down.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

TESTE DETECTA SÍNDROME DE DOWN PELO SANGUE DA MÃE

Disponível no Brasil, o Teste de Trissomia Fetal pode ser realizado a partir da 9ª semana de gestação
O Teste de Trissomia Fetal chegou ao país em julho desse ano e promete causar menos danos à mãe e ao bebê na detecção da Síndrome de Down e outras trissomias, como a de Patau e a de Edwards. Realizado a partir da 9ª semana de gestação, o teste é realizado com amostra do sangue da mãe, colhido sem exigir dietas e cuidados especiais.

O teste evita um procedimento mais invasivo, como acontece em outros exames de cariótipo, como a biópsia de vilo corial (feito entre a 11ª e 12ª semanas) e amniocentese (feito entre 15ª e 16ª semana), nos quais é colhido material do bebê na barriga da mãe.  “Nos exames mais antigos, o cariótipo pode ser mais confuso, já que o DNA da placenta colhido não será, necessariamente, o da criança. Então podem existir diferenças e uma margem de erro, um fenômeno que chamamos de risco de Mosaicismo Placentário. Além do menor risco, o teste de trissomia detecta o material de DNA do feto presente no sangue da mãe, o que já é suficiente depois da 9ª semana”, explica  Dr. Gustavo Guida, geneticista do Delboni Auriemo Medicina DiagnósticaSite externo., filho de Nélio e Cleusa.

Além de evitar o risco (que é pequeno, mas existente) de aborto e dos outros incômodos vindos dos exames mais invasivos (como cólica), o Teste de Trissomia tem tido acerto de quase 100% nos diagnósticos de Síndrome de Down, e mais de 90% em outras condições menos graves como a síndrome de Trumer e Klinefelter.

Porém, apesar de todos os benefícios do Teste, a médica geneticista do ambulatório da APAE de São PauloSite externo., Fabíola Monteiro, filha de Vera e Paulo, defende que o exame mais assertivo é aquele que colhe material do líquido amniótico, realizado a partir da 15ª semana. “O Teste de Trissomia é indicado para os casos em que já há suspeita, não é toda grávida que deve fazer. E ele tem uma margem de erros maior, sim, tanto que o chamamos de Teste, não exame. Com o teste dando positivo, sugerimos a realização de exames mais invasivos. Mas é fato que o Teste já evita o risco das agulhas e ‘invasões’ comuns aos outros”, diz.

Quanto antes, melhor

Como o Teste de Trissomia pode ser realizado a partir da 9ª semana, ele também prepara melhor os pais e os parentes (e com bastante antecedência!) sobre o resultado positivo. “O aborto não é permitido no país e, claro, não tem esse propósito. Mas acredito que, quanto antes souberem, melhor. Os pais se preparam, preparam o ambiente do parto, ficam melhores para dar o suporte ao recém-nascido. Quando descobrem na hora do parto, depois dele, é um choque muito grande e é um momento em que estão todos sensíveis”, lembra o médico Gustavo.

Contra-indicações

O teste de trissomia não é indicado no caso de gravidez de gêmeos (nesse momento, há três diferentes tipos de material), mulheres que passaram por transplante de medulas (o DNA que está no sangue não é o da mãe – o do óvulo é dela, mas o sangue não) e, como para a maioria dos exames genéticos, não pode ser realizado em mulheres que receberam transfusão de sangue nos dias anteriores. Ou seja, ele não é indicado em casos onde houve modificações do DNA (dos dois – mãe e filho). O próprio laboratório não aceita fazer nesses quadros, pois o risco de erro se torna maior, não havendo garantia.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

CRIANÇAS DEFICIENTES INVENTAM FORMAS DE BRINCAR



Para driblar as deficiências, as atividades são adaptadas. No futebol, por exemplo, a bola é mais pesada para que role mais lentamente, e as crianças jogam sentadas no chão.
Gabriel Fernandes, 10, é fera no videogame, nem lembra quando perdeu um jogo de corrida pela última vez. Lamiss Taghlebi, 7, adora brincar de escolinha. Fernanda de Souza, 5, é a artilheira no futebol do seu quintal.

Além de craques da brincadeira, os três possuem outra coisa em comum: têm deficiência intelectual e física e andam de cadeira de rodas. "Criança sempre dá um jeito de brincar. Não importam as limitações", diz Lina Borges, terapeuta ocupacional da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente).

Para driblar as deficiências, as atividades são adaptadas. No futebol, por exemplo, a bola é mais pesada para que role mais lentamente, e as crianças jogam sentadas no chão.

Há duas semanas, durante o Teleton (evento do SBT que arrecada dinheiro para a AACD), Ivan Fontenelli, 4, andava pra lá e pra cá com seu skate. Com má formação das pernas e dos braços, é com ele que o menino se locomove. "Brinco de futebol, corrida, tudo. Tenho até duas namoradas", conta baixinho para a mãe não escutar.

No próximo sábado, dia 1º, começa a 3ª Virada Inclusiva, organizada pelo governo de São Paulo em mais de 80 cidades, com lazer e esportes adaptados. Termina em 3/12, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (viradainclusiva.sedpcd.sp.gov.br).

Cadeira de rodas já foi navio e carro de Fórmula 1

Desde quando eu era molequinho, faz teeeempo, ando montado em uma cadeira de rodas para ir daqui para acolá. Mas ser um menino "cadeirantinho" nunca me impediu de brincar e de agitar as brincadeiras da minha turma.

O meu "cavalo de rodas" já foi um navio que atravessou oceanos para combater piratas, com o pessoal se enroscando em mim. Já foi carro de Fórmula 1, com os meninos disputando quem seria o meu piloto. Dava medo da velocidade, mas, com cuidado, era muito gostoso.

No futebol, fui goleiro e técnico do time. No esconde-esconde, eu tinha a vantagem de ter mais tempo para sumir. É justo, vai!

No videogame, eu não precisava de regra especial, só de mais espaço na sala mesmo.

Todos podem e querem se divertir na infância, e sempre há um jeito para que até aquele colega mais desarranjado, todo tortinho, consiga brincar junto, ensinar sua maneira de jogar, de se segurar no balanço, de virar a figurinha no "bafo".

O colega cego, surdo, com paralisa cerebral, "cadeirantinho" ou que tenha qualquer diferença quer aproveitar o mundo do jeito que todos querem. E sempre é possível colocá-los na roda, basta usar a imaginação, abrir bem os braços e dar um sorriso de "seja bem-vindo".

Crianças com deficiência contam quais são suas brincadeiras preferidas

'Tia' das bonecas
Todos os dias, o quarto de Lamiss Taghlebi, 7, transforma-se em sala de aula.

Enquanto ela passa a lição, Barbies e ursinhos de pelúcia prestam atenção à professorinha de cadeira de rodas.

"Finjo que estou em 'Carrossel' e que sou a professora Helena", conta.

Artilheira rosa
O que mais chama a atenção em Fernanda de Souza, 5, não são as mechas cor-de-rosa no cabelo. A primeira coisa que você vê é seu sorriso. Principalmente quando joga bola.

Apoiada na mãe para levantar da cadeira de rodas e ficar em pé, ela chuta no ângulo.

"Adoro futebol. Mas gosto de pintar também", conta a menina, enquanto desenha no bloco de notas do repórter.

Brincar é na rua
Emely Gabriely Silva, 10, nasceu duas vezes.

Até os três anos, corria e estava aprendendo a andar de bicicleta. Aí veio um caminhão e ela não viu mais nada. Quando acordou, estava sem a perna direita.

Foi então que nasceu de novo: ela reaprendeu a andar e hoje se equilibra na bicicleta e até pula corda. "Não gosto de boneca. Prefiro brincar na rua", diz.

Alta velocidade
Todos os dias, Gabriel Fernandes, 10, espera ansioso para ir à casa da vizinha. Como o garoto não tem videogame, é lá que ele se transforma em piloto, a cadeira de rodas, em carro de corrida e o quarto, em autódromo.

Gabriel pisa fundo e garante: é difícil ganhar dele em jogos de velocidade.

Antes, os amigos não davam muita bola para Gabriel. Mas ele é um corredor. Rapidinho, conquistou os meninos e agora todos jogam videogame juntos.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Motricidade Humana e futebol

Esporte bretão é um dos aspectos da motricidade humana onde o humano é, quase sempre, mais do que a soma das partes
A Ciência da Motricidade Humana (CMH), teorizada por alguns brasileiros e por mim, teve como precursores: Jean Le Boulch e Pierre Parlebas, na França; José Maria Cagigal, na Espanha; Nelson Mendes, em Portugal e João Paulo Subirá Medina, no Brasil. Este, no seu livro A Educação Física cuida do corpo e… “mente”, fundamentado no que estudara em Bachelard e Althusser, afirma que: “A Educação Física precisa entrar em crise, urgentemente”, para que o crescimento e o desenvolvimento nela aconteçam. Palavras proféticas estas, escritas em 1982 e em sintonia com o que se passava nos outros ramos do saber, os quais sofriam inapagáveis mudanças de paradigma.
Coube-me trabalhar o tema da Motricidade Humana, na minha tese de doutoramento (1986), fundamentando-me, em primeiro lugar, na idéia de totalidade da filosofia hegelo-marxista e depois no conceito de percepção em Maurice Merleau-Ponty.
A idéia de totalidade referia que não há coisa, não há ser humano, não há grupo, não há sociedade que não devam perspectivar-se, dentro de uma totalidade e das contradições que ela encerra. Não há indivíduos fora de um todo, como não há uma totalidade que não se constitua de elementos individuais. Mas todos estes elementos em relação dialética, pois que integram o mesmo todo. O mundo é holístico, indiscutivelmente. E por que em Maurice Merleau-Ponty? Porque o autor da Fenomenologia da Percepção afirmou, pela primeira vez na História da Filosofia, que “o saber absoluto do filósofo é a percepção e que ‘perceber’ é tornar presente qualquer coisa com a ajuda do corpo. É pelo corpo que eu conheço”.
Neste filósofo, há uma crítica vigorosa contra todos os dualismos tradicionais (corpo-alma, homem-mulher, branco-negro, senhor-servo etc.) e uma defesa inconfundível da passagem do corpo-objeto (ou corpo-instrumento) ao corpo-sujeito, pois que o corpo não se reduz a simples organismo, ele é uma rede de intencionalidades, um horizonte de possibilidades, a fonte da comunicação com o mundo.
Desta filosofia de base e tendo em conta também a descontinuidade na História das Ciências, tanto as pessoas que me acompanhavam, como eu, decidimos criar uma nova ciência humana e social, a Ciência da Motricidade Humana (CMH), integrando nela o esporte, a dança, a ergonomia, a reabilitação psicomotora etc., isto é, todas as atividades onde predominar o movimento intencional de uma pessoa que pretende superar e superar-se.
O futebol é a modalidade desportiva que mais entusiasmo desperta no mundo todo. Mas, como motricidade humana que é, dele emerge a complexidade humana: o físico, o biológico e o antropossociológico. O futebolista que provoca admiração e espanto não tem só qualidades físico-biológicas invulgares. Com uma ou outra exceção ele é também um homem com um psiquismo forte, de autêntico vencedor.
Por outro lado, se o esporte é um dos aspectos de uma ciência humana, não cabe nele uma hiperespecialização que obstaculize uma visão do global ou da complexidade humana. Os problemas fundamentais, no futebol (como na vida) nunca são parcelares, porque numa totalidade (ou complexidade) tudo está relacionado com tudo.
Um treinador de futebol, por exemplo, incapaz de descobrir o complexo que fundamenta o aparentemente simples não pode ser treinador de futebol nos dias de hoje. Assim, um departamento de futebol deverá compor-se de especialistas de várias áreas, para que a inter, a intra e a transdisciplinaridade se tornem possíveis.
O conhecimento, num treinador de futebol, desenvolve-se tão-só quando se é capaz de contextualizar e complexificar. No esporte, quem sabe muita biologia e não entende a realidade humana é, de certo, um líder com inúmeras insuficiências.
O desafio cultural que se coloca ao treinador de futebol reside aqui: a sua cultura há de ser humanista, fundamentada também nas ciências e científica, fundamentada também nas humanidades. Para tanto, ele tem de fazer da informação que lhe chega dos especialistas que o rodeiam matéria-prima que deve integrar e dominar.
Quem sabe de futebol sabe necessariamente mais do que futebol. Como escreve Edgar Morin, no seu livro La tête bien faite, há necessidade imperiosa ‘de uma reforma, não programática, mas paradigmática’. Também no futebol…
Como Montaigne ensinava, mais vale uma cabeça bem feita do que atulhada de conhecimentos. Por isso, há princípios a não esquecer: o conhecimento científico, hoje, é intra, inter e transdisciplinar (sou tentado a acrescentar que as ciências, hoje, são sistêmicas); onde predomina a redução e a compartimentação, a visão é defeituosa (a interrogação: quem somos? é inseparável de uma outra: onde estamos? De onde viemos? Para onde vamos?); as ciências humanas dizem-nos que o ser humano e portanto o futebolista é simultaneamente o homo sapiens, o homo demens, o homo faber, o homo ludens, o homo prosaicus, o homo poeticus etc.
A incerteza é a primeira característica da complexidade (conhecer não é chegar a uma verdade certa, mas dialogar com a incerteza). A prática desportiva é essencialmente sinal, mensagem, texto e o método que o treinador deve utilizar é, acima do mais, hermenêutica (quem diz hermenêutica diz compreensão e compreender é captar o sentido).
Se o treinador é o líder que lê e interpreta, para dialogar e comandar, já que a prática desportiva se resume a textos e ações, a capacidade de liderança é essencial ao treinador. O líder é um apaixonado pelo trabalho em comum (ele, normalmente, encoraja, não culpa) e sabe transmitir à sua equipe essa paixão, ao mesmo tempo em que se faz admirar pela integridade moral, competência, coragem e audácia. O melhor treinador não é o que sabe muito, mas o que vence mais jogos e, por isso, deve ser culto, entendendo a cultura como a aliança do saber e da vida.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Maturação sexual influi no desempenho motor

Submeter o adolescente a treinamentos físicos intensos na expectativa de que se torne um grande atleta pode ser um erro, segundo alerta Arnaldo Luis Mortatti, professor de Educação Física, em pesquisa de mestrado apresentada na Unicamp. Ele afirma que os programas para treinamento sistematizado, muitas vezes, não contemplam o grau de maturação sexual do adolescente – quando ocorre o aumento das taxas de hormônios masculinos, responsáveis pela atividade enzimática e ganho de força muscular. “Não adianta aumentar a intensidade de exercícios se a pessoa não estiver preparada para absorvê-los positivamente. Forçar o exercício pode até causar um estresse”, explica o professor.
Orientado pelo professor Miguel de Arruda, Mortatti realizou o estudo com dois grupos na faixa etária entre 11 e 13 anos: um composto por jogadores de futebol que mantinham rotina intensa de treinamento físico havia dois anos, e o outro de adolescentes sem nenhum tipo de treinamento. Os jogadores apresentaram melhor capacidade motora, mas quando este desempenho foi relacionado com o grau de maturação sexual, apareceram diferenças, embora discretas: os de menor grau de maturação tiveram também desempenho motor menor, enquanto aqueles com maior grau de maturação mostraram influência positiva no desempenho.
Chamou a atenção de Arnaldo Mortatti que mesmo os adolescentes de mesma idade, mas com graus de maturação sexual diferentes, apresentaram tendência a alterações de desempenho. “Isso pode significar que adolescentes em idades semelhantes devem ser treinados de maneiras diferentes”, esclarece. O professor observa que um garoto pode se destacar nas atividades físicas porque o grau de maturação maior leva a um melhor desempenho. “Mais cedo ou mais tarde, os outros tendem a alcançá-lo”, conclui.